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Um embaixador humanitário brasileiro em MSF

29/07/2009
Mineiro Sérgio Cabral assume cargo de referência em Pediatria dentro da organização e escreve novo diário de bordo

Visitar os projetos voltados para a saúde infantil de Médicos Sem Fronteiras para sugerir melhoras e padronizar os serviços. Essa é a nova tarefa do médico mineiro Sérgio Cabral, que desde maio assumiu o posto de embaixador de Pediatria da organização.

No novo cargo itinerante, sua primeira parada foi em Quibdó, na Colômbia, onde ficou por cerca de um mês. Atualmente trabalhando em Serra Leoa, Sérgio inicia nesta quarta-feira um novo diário de bordo sobre seu novo posto. Na entrevista, ele conta um pouco mais sobre o cargo e como é ter um posto itinerante.

Como é ser embaixador de pediatria de MSF?
Sérgio Cabral - Um embaixador de MSF não tem embaixada e, diferente do embaixador de um país, não ficamos em um país por muito tempo. Temos muitas responsabilidades, mas, de um modo geral, posso dizer que nosso trabalho é visitar os países em que MSF trabalha com crianças e avaliar a qualidade do que está sendo feito. A partir disso, oferecemos também treinamentos, aulas, palestras, guias, etc. O objetivo é sempre melhorar a qualidade dos profissionais e do atendimento no local. Nossas visitas duram no máximo três meses, dependendo do que encontramos em cada projeto visitado. As missões normalmente são bastante intensas por causa desse curto período de tempo, que nos obriga a fazer um trabalho mais dinâmico.

Sua primeira missão como ‘embaixador’ foi na Colômbia. Por que MSF está no país?
Cabral - Apesar de ser a terceira economia da América do Sul, na Colômbia existe um grande conflito armado dividido por alguns grupos guerrilheiros, grupos paramilitares e o Exército, que já dura 45 anos. Há muitas pessoas que se deslocam tentando fugir desses conflitos. Eu estive na capital do Departamento de Choco, Quibdó. É uma das regiões mais pobres e negligenciadas do país. Lá estão presentes todos os grupos armados. Nos últimos anos, a saúde pública sofreu sucateamento e em poucos lugares existem entidades sem fins lucrativos fazendo funcionar os antigos hospitais do governo. Tudo isso fez com que MSF viesse para a Colômbia.

Em termos de necessidades pediátricas, o que é preciso fazer em Quibdó?
Cabral – Lá, MSF trabalha em parceria com uma fundação que mantém o hospital público da cidade. Nele, mantemos o programa materno infantil e de violência contra a mulher. Meu trabalho é ajudar na implementação do serviço de cuidados intermediários neonatais. Como embaixador pediatra devo avaliar o serviço existente; fazer um diagnóstico, precisando as dificuldades técnicas, tecnológicas, as necessidades materiais e humanas; ajudar na elaboração da planta da nova sala de partos e neonatologia a serem construídas por MSF; dar treinamentos em neonatologia para médicos e enfermeiras, entre outras coisas.

Enfrentou muitos desafios no projeto?
Cabral - Enfrentei alguns episódios, narrados no meu diário, que foram marcantes. Foram horas e horas fazendo avaliações, pensando em soluções viáveis e fazendo relatórios. No entanto, a avaliação do meu trabalho pelos diretores do hospital foi muito positiva. Isso me deixa muito feliz.

As visitas, em geral, não duram mais de três meses. Dá tempo para “arrumar” tudo? Como o que você faz tem continuidade?
Cabral - Geralmente não passamos muito tempo nos países que visitamos. As visitas são planejadas para um máximo de três meses, com possibilidade de estender o prazo caso julguemos necessário. Outras vezes podemos planejar retornar no futuro ou enviar um pediatra que dê continuidade ao nosso trabalho. Tudo depende do que encontrarmos em cada projeto visitado e do quanto formos capazes de melhorar a situação.

Há quanto tempo MSF está na Colômbia?
Cabral - Desde 1985. No Departamento de Chocó, desde 2002. No entanto, foi apenar em 2005 que foram iniciadas as atividades em Quibdó.

Qual é a sua próxima parada?
Cabral - Estive em Bruxelas depois da Colômbia. Agora, estou em Serra Leoa, em mais uma missão como embaixador de pediatria de MSF.