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Tuberculose: declaração de MSF sobre relatório da OMS

30/10/2017
Conselheiro médico para tuberculose de MSF, comenta abaixo o relatório de 2017 sobre tuberculose da Organização Mundial da Saúde
Tuberculose: declaração de MSF sobre relatório da OMS

Foto: Sydelle Willow Smith

Dr. Isaac Chikwanha, conselheiro médico para tuberculose, HIV e hepatite C da Campanha de Acesso a Medicamentos de MSF, comenta abaixo o relatório de 2017 sobre tuberculose da Organização Mundial da Saúde (OMS), que foi divulgado nesta segunda:

“Como é possível que a doença infecciosa mais mortal do mundo seja, na verdade, curável, mas tenha matado mais de 1,7 milhão de pessoas no ano passado? Ano após ano, descobrimos que há mais e mais casos de tuberculoses (TB) resistentes a medicamentos, mas, ainda assim, as lacunas no diagnóstico continuam enormes: quatro em cada cinco pessoas com tuberculose resistente continuam sem diagnóstico, e apenas metade das que iniciam o tratamento é curada. Dois novos medicamentos para tratar a tuberculose resistente – bedaquilina e delamanida – estão disponíveis há cinco anos e ajudaram a salvar mais vidas. Contudo, menos de 5% das pessoas que precisam desses medicamentos chegam a recebê-los hoje, e não houve aumento da cobertura em 2016, na comparação com 2015.

O relatório Out of Step  (Descompasso, em tradução livre), elaborado por Médicos Sem Fronteiras (MSF) e a Parceria Stop TB, revelou que, de modo geral, países com os índices mais altos de TB estão aquém de implementar as melhores práticas e instrumentos recomendados pela OMS para começar a combater a epidemia.

No próximo mês, em Moscou, ministros da Saúde do mundo vão se reunir para a primeira Conferência Ministerial Global pelo Fim da TB. Em setembro de 2018, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, líderes mundiais terão a chance de comparecer à Conferência de Alto Nível das Nações Unidas sobre TB – que também é o primeiro encontro do tipo. Poderíamos dizer que a TB está finalmente recebendo a atenção global que merece? Precisamos ver compromissos sérios para reverter o atraso no combate à TB. Países com altos índices da doença precisam incrementar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento da tuberculose, incluindo os novos tratamentos para formas da doença resistentes a medicamentos, e governos devem priorizar investimentos para desenvolver novos regimes de tratamento de TB, que funcionem contra todas as formas da doença. O que estamos esperando?”