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Terremoto no Nepal: MSF começa a chegar às pessoas em regiões montanhosas remotas por meio de helicóptero e a pé

05/05/2015
Organização está com mais de 120 profissionais no país e já entregou mais de 80 toneladas de suprimentos

Foto: Jean Pletinckx/MSF

Desde 29 de abril, equipes médicas da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) no Nepal começaram a chegar às pessoas espalhadas por vilarejos montanhosos isolados por meio de helicóptero e a pé. Os distritos de Dhading, Gorkha, Rasuwa e Sindhupalchowk foram duramente atingidos em 25 de abril por um terremoto de magnitude 7.8, e pouca ou nenhuma assistência chegou a diversos vilarejos.

Enquanto as pessoas mais gravemente feridas foram evacuadas nos dias imediatamente após o terremoto, as restantes ficaram presas em seus vilarejos na medida em que estradas e trilhas a pé foram interditadas por avalanches e deslizamentos de terra. Equipes médicas de MSF estão sobrevoando as regiões de helicóptero para avaliar as necessidades e oferecer assistência nesses vilarejos remotos. De 29 de abril a 4 de maio, equipes médicas de MSF atenderam vítimas em mais de 15 vilarejos.

Em 3 de maio, uma equipe de MSF também montou uma clínica temporária na região de Chhapchet, no distrito de Dhading, e começou a oferecer cuidados básicos de saúde e intervenções cirúrgicas de menor porte. A equipe trabalhará para divulgar nos vilarejos da redondeza que as pessoas podem ir à clínica para receber cuidados. Em 4 de maio, outra equipe desembarcou em Lapubesi no distrito de Gorkha, e ficará ali por três dias para prestar assistência médica na região.

“Nós estamos vendo pessoas que necessitam de cuidados básicos de saúde, assim como um número de pessoas com ferimentos sofridos no terremoto, que agora já se tornaram infectados”, disse Anne Kluijtmas, enfermeira de MSF. “Nós estamos limpando e fazendo curativos em ferimentos, bem como distribuindo antibióticos e medicação para dor. Também tratamos casos de pneumonia, inclusive entre crianças.”

É preciso alimentos, abrigo e cuidados de saúde mental

Com muitos vilarejos parcial ou completamente destruídos, a necessidade mais significativa está relacionada a abrigo, enquanto alguns dos vilarejos mais isolados nas montanhas estão enfrentando a escassez de alimentos. Equipes de MSF começaram a distribuir biscoitos com alto teor energético e cobertores em Kyanjin Gumba, no distrito de Rumba, e em Nampa Golche, no distrito de Sindhupalchowk. As equipes também distribuíram mais de 500 kits de abrigo no distrito de Gorkha. Nossas equipes continuam buscando formas eficazes de transportar alimentos e abrigos para as montanhas, onde as temperaturas chegam a ficar abaixo de zero durante a noite.

Os profissionais de MSF também estão observando necessidades de saúde mental significativas, decorrentes da experiência traumática do terremoto, e estão acrescentando profissionais de saúde mental às equipes para começar a oferecer primeiros socorros psicológicos em alguns dos vilarejos mais afetados.

Suporte hospitalar

MSF avaliou a situação em vários dos principais hospitais de Katmandu e de seus arredores que têm tratado pacientes feridos. Embora os hospitais estivessem sobrecarregados de pacientes nos primeiros dias após o terremoto, a pressão diminui significativamente e a fase de tratamento de pacientes com trauma agudo passou. As pessoas estão esperando agora por mais cirurgias de menor porte ou de acompanhamento. Em Katmandu e Pokhara, as autoridades responsáveis pela gestão de emergência têm mobilizado uma unidade de nefrologistas locais para tratar casos da “síndrome do esmagamento”. Isso tem contribuído efetivamente para salvar vidas.

Uma equipe cirúrgica de MSF ofereceu apoio por três dias no hospital de Bhaktapur, nos arredores de Katmandu, para ajudar os profissionais a conduzir as cirurgias nos pacientes em espera. Na cidade de Arughat, no distrito de Gorkha, MSF está montando um hospital inflável de 20 leitos para oferecer, inicialmente, tratamento para os feridos.

Desafios para chegar às pessoas mais necessitadas

Desafios logísticos, incluindo o congestionamento no aeroporto de Kathmandu e o fato de que a maioria das áreas mais afetadas estão inacessíveis por terra, têm obstruído os esforços de MSF para intensificar as atividades rapidamente.

“Nossa prioridade é chegar às pessoas em lugares onde ninguém mais está indo e que não tenham recebido assistência”, diz o Dr. Prince Mathew, que foi um dos primeiros membros da equipe de MSF a chegar ao país. “Por isso, tem sido um enorme desafio logístico fazer com que os suprimentos necessários cheguem ao país pelo aeroporto congestionado, e garantir o transporte aéreo de que precisamos para podermos oferecer assistência médica e entregar materiais de abrigo e itens de primeira necessidade às pessoas em necessidade mais latente.”

Atualmente, MSF conta com mais de 120 profissionais no país e já pôde levar ao país por via aérea mais de 80 toneladas de suprimentos, incluindo o hospital inflável. Além de distribuir suprimentos em Katmandu, equipes de MSF trabalhando do outro lado da fronteira, no estado de Bihar, na Índia, puderam transportar rapidamente kits de abrigo, higiene e de cozinha por meio de caminhões para Gorkha, 200 km a noroeste de Katmandu, e próximo do epicentro do terremoto.

“Vamos aumentar o número de clínicas o mais rápido possível”, disse o Dr. Prince Mathew. “Nossas equipes também planejam distribuir toneladas de abrigos, materiais de higiene e utensílios de cozinha. Com a estação das monções se aproximando, estamos preocupados que a janela de oportunidade para chegar às pessoas nessas áreas se feche rapidamente.”

Em 25 de abril de 2015, um terremoto de magnitude 7.8 atingiu o Nepal, com epicentro no distrito de Gorkha, 200 km a noroeste da capital Katmandu. Em 30 de abril, o governo do Nepal relatou 5.582 mortes e 11.175 feridos. Mais de 130 mil casas foram destruídas e 85.856 danificadas. O único aeroporto internacional do país, em Katmandu, está muito congestionado devido à chegada de um grande número de organizações internacionais levando ajuda. Tremores foram fortemente sentidos no norte da Índia, onde, até agora, 72 mortes e 237 feridos foram confirmados nos estados de Bihar, Uttar Pradesh e Bengala Ocidental. Espera-se que número de mortes aumente. No Tibete, o número atual de mortes é de 17 pessoas.