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Terremoto na Caxemira: "Estamos tratando todos que poderíamos tratar nessas condições"

18/10/2005
Um Coordenador de Projeto de MSF foi deixado com sua equipe em Lamnian, uma das cidades mais afetadas pelo terremoto na Caxemira e conta por telefone satélite como está a situação na cidade que foi totalmente destruída

O Coordenador de Projetos de Médicos Sem Fronteiras Jan Peter Stellema e sua equipe foram levados para Lamnian de helicóptero na quarta-feira, 12 de outubro, e imediatamente montaram três tendas para acomodar uma unidade básica de saúde. A cidade foi totalmente destruída pelo terremoto e não pode ser acessada por estradas até o momento. Esta entrevista foi feita por meio de telefone satélite.

"Mais de uma semana após a catástrofe ainda estamos vendo terríveis ferimentos que ainda não puderam ser cuidados. Muitos ferimentos estão gravemente contaminados e precisam ser desinfetados urgentemente para evitar que os pacientes morram de septicemia".

"Eu vi um enorme ferimento na cabeça, quando o couro cabeludo foi arrancado de grande parte da cabeça ficando pendurado para o lado. Uma médica canadense, desinfetou o ferimento e costurou a pele de volta".

"Eu vi membros que quase foram decepados, vi mãos necrosadas. Os pacientes gravemente feridos são levados para a tenda ao lado onde um grupo de cirurgiões paquistaneses faz um excelente trabalho. Só na sexta-feira, eles realizaram 36 cirurgias. Estamos trabalhando lado-a-lado e estamos tratando todos que poderíamos tratar nessas condições".

"As pessoas nos trazem os feridos de lugares distantes. Esta manhã, poucos pacientes vieram por causa do mau tempo. É difícil e perigoso se movimentar por causa das fortes chuvas que provocam deslizamentos. Felizmente, o céu está abrindo um pouco e há uma pequena chance de o helicóptero conseguir trazer mais suprimentos, antibióticos principalmente. Ainda temos alguns, mas o estoque está acabando rapidamente".

"Lá em cima, as montanhas estão cobertas de neve indicando para nós o que é mais necessário aqui em baixo: tendas, tendas e tendas. Abrigo para os desabrigados é o que mais falta".