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Sudão do Sul: milhares de novos deslocados no norte de Bahr el Ghazal precisam urgentemente de ajuda humanitária

05/02/2015
MSF é a única organização atuando na região e está realizando um trabalho de emergência para prestar assistência aos deslocados

Milhares de pessoas que fogem da violência na fronteira disputada entre Sudão e Sudão do Sul necessitam urgentemente de alimentos, água e cuidados médicos. A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) iniciou um trabalho de emergência para prestar assistência aos deslocados na medida em que chegam, na maioria das vezes de mãos vazias, ao norte do estado de Bahr el Ghazal, no Sudão do Sul, onde a situação humanitária já está terrível.

De acordo com as autoridades locais, 1.542 famílias chegaram à província de Aweil do norte, no norte do estado de Bahr el Ghazal, desde outubro do ano passado. Na medida em que os números aumentam, a maioria dos recém-chegados disseram a MSF que estão fugindo da violência e dos ataques da milícia na região da fronteira de Abyei. Algumas pessoas vieram de muito longe, como dos estados de Unity e do Alto Nilo, onde as forças de oposição confrontavam as forças do governo sul-sudanês desde o começo de 2014. Eles saíram sem nada e caminharam durante semanas para chegar a este canto do Sudão do Sul, onde se instalaram nos campos de deslocados internos já existentes.

“Quando a milícia atacou a região, eu fugi do meu vilarejo. Eles atacaram à noite e eu perdi meu filho e marido em meio ao caos. Até agora não sei se eles estão vivos ou não”, diz Abok Mawein, de Abiemnhom, no estado de Unity, que está vivendo atualmente em um acampamento em Claek, no norte de Aweil.

As necessidades em termos de alimentos, água e cuidados de saúde são significativas. Muitos recém-chegados estão sobrevivendo a base de água de poços cavados à mão e quase todos são forçados a defecar a céu aberto, devido à falta de instalações sanitárias. MSF iniciou uma resposta de emergência para atender à população de novos deslocados, oferecendo serviços médicos e distribuindo itens essenciais como galões para transportar água, panelas, sabão e cobertores. As famílias com crianças entre seis meses e cinco anos também recebem um suplemento alimentar para ajudar a evitar a desnutrição. Essas distribuições de emergência em curso já beneficiaram 1.041 famílias.

Em paralelo ao fornecimento de tratamento para malária, infecções respiratórias e diarreia, MSF também está vacinando crianças com menos de cinco anos. Uma rápida campanha de vacinação contra o sarampo foi concluída no campo de Pour Akon, onde 533 crianças foram imunizadas. Porém, a falta de água potável e de instalações de saneamento estão aumentando o risco de doenças transmitidas pela água. Em um acampamento, equipes de MSF trataram 42 crianças com diarreia aquosa aguda em apenas uma semana. Em sua visita ao acampamento adicional criado em Pour Akon, equipes de saúde reprodutiva de MSF ofereceram cuidados de pré-natal para 59 mulheres. Para muitas delas, essa foi a primeira consulta desse tipo, apesar de estarem nos estágios finais da gravidez.

“A situação humanitária em Aweil do Norte já está terrível e o acesso a cuidados de saúde é um problema crônico. Acrescente a isso milhares de novas pessoas deslocadas e a situação irá se deteriorar ainda mais”, diz o coordenador do projeto de MSF, Andrew Zadel.

As novas famílias constroem cabanas básicas com galhos e grama, e compartilham da água escassa e dos recursos alimentares da comunidade que os acolher, muitas das quais também já fugiram da violência. A colheita de 2014 foi excepcionalmente ruim devido à pouca chuva na região, e os que já estão nos acampamentos não têm alimentos o suficiente para compartilhar com os deslocados que chegam desde outubro. Para sobreviver, eles são obrigados a recolher tamarindos selvagens e as folhas da árvore Akuor para se alimentarem. Alguns recolhem frutos do deserto, passando horas usando pedaços de madeira na tentativa de abrir suas cascas de pedra, para que a semente possa ser cozida e comida, enquanto outros recolhem lenha e fazem tapetes de tecido para vender no mercado, a fim de ganhar dinheiro para comprar comida.

“Até agora, estamos prestando assistência em dez dos 11 acampamentos em Aweil do Norte. Estamos planejando realizar mais distribuições de itens essenciais nos novos acampamentos, porém, essa população vulnerável precisa urgentemente de mais assistência”, diz Andrew Zadel. “Nós estamos preocupados que a situação nutricional dessas pessoas piore nos próximos meses se não for oferecida ajuda significativa. Precisamos de outras organizações aqui em campo para ajudar essa população negligenciada”, acrescenta ele.

MSF é a única organização não governamental (ONG) internacional com presença consistente em Aweil do Norte. A organização administra uma clínica de cuidados de saúde primária e atividades de sensibilização da comunidade na região, que inclui o acampamento de Calek e diversos outros acampamentos para deslocados internos.

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