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Sudão do Sul: 70 mil pessoas vivendo em condições catastróficas precisam de mais ajuda humanitária

02/01/2014
Há uma necessidade urgente de água limpa, latrinas e gestão de resíduos. Outras organizações precisam se mobilizar para responder às necessidades emergentes

Dezenas de milhares de Sul Sudaneses chegaram a Awerial, no estado de Lagos, após fugir da violência em Bor, capital do estado de Jonglei. Segundo a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF), à medida que milhares de pessoas continuam chegando a cada dia, as condições de vida estão a um passo de se tornar catastróficas e há uma necessidade urgente de aumentar a oferta de ajuda médica e humanitária.

Após os intensos confrontos na semana passada entre as tropas do governo e rebeldes em Bor, mais de 70 mil pessoas, a maioria mulheres e crianças, fugiram para se reunir em torno da cidade de Awerial, a cerca de 50 km de Bor.

"A situação para essas mulheres e crianças é alarmante”, diz Aurélie Dupont, coordenadora de emergência de MSF em Awerial. “Eles fugiram das suas casas e chegaram aqui com poucos pertences. Não há água limpa, alimentos nem local para se abrigarem e dormirem. Eles estão contando somente com a ajuda da população local.”

A equipe de emergência de MSF está apoiando as duas clínicas do Ministério da Saúde que ainda estão funcionando, prestando consultas e fornecendo suprimentos de medicamentos. Outras prioridades para MSF incluem garantir a provisão de água potável para prevenir casos de diarreia, vacinar as crianças contra sarampo e oferecer cuidados obstétricos a mulheres grávidas. Outra grande preocupação é o abastecimento de alimentos, que precisa ser expandido urgentemente.”

"O risco de epidemias é enorme,” diz David Nash, coordenador geral de MSF no Sudão do Sul, “e ainda assim a ação humanitária no estado de Lagos tem sido muito limitada. Há uma necessidade urgente de água limpa, latrinas e gestão de resíduos. Nós precisamos urgentemente que outras organizações se mobilizem para prestar ajuda humanitária, à medida que cada vez mais pessoas fogem da violência.”

MSF está enviando equipes de emergência para reforçar as atividades da organização e responder às necessidades emergentes enquanto mantém as atividades médicas em seus 12 projetos espalhados pelo país.

MSF trabalha na região que forma hoje a República do Sul do Sudão desde 1983. As equipes estão presentes em oito dos dez estados do Sudão do Sul e responde a situações de emergência, incluindo deslocamento em massa, influxo de refugiados, situações alarmantes de desnutrição e surtos de doenças, além de prestar serviços de saúde básicos e especializados.