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Sudão: após invasão violenta, MSF pede que a ação médica seja respeitada

15/05/2020
Soldados armados forçaram a entrada em um centro de saúde apoiado por MSF na cidade de Rokero. Um enfermeiro de MSF foi atingido

A ação médica e humanitária precisa ser respeitada por todos os grupos armados no Sudão, de modo que a segurança de pacientes, profissionais e hospitais seja preservada no país. O apelo de Médicos Sem Fronteiras (MSF) foi feito após uma invasão violenta em uma estrutura de saúde apoiada por MSF no estado de Darfur Central, que deixou um profissional de MSF ferido.

Confrontos entre membros de duas seções das forças de segurança sudanesas no estado de Darfur Central levaram vários soldados armados de ambos os lados a entrar de forma violenta em um centro de saúde apoiado por MSF na cidade de Rokero, na noite de quinta-feira, 14 de maio.

Durante a disputa, houve disparos e um enfermeiro de MSF, assim como um homem uniformizado, foram gravemente feridos.

MSF limitou as atividades em Rokero a cuidados médicos vitais e fazemos um apelo a todos os grupos armados, incluindo as forças de segurança, para que respeitem instalações de saúde e hospitais como espaços humanitários e parem com as invasões que colocam em risco a vida de profissionais de saúde, pacientes e cuidadores.

“Essas ações dos grupos armados demonstram um desrespeito flagrante à neutralidade de hospitais e espaços médicos”, diz Julia Paulsson, coordenadora-geral de MSF no Sudão. “É responsabilidade de todas as partes garantir que infraestruturas e equipes médicas sejam respeitadas.”

MSF esteve em contato com autoridades sudanesas de todos os níveis, incluindo o Ministério da Saúde, a Comissão de Ajuda Humanitária (HAC, na sigla em inglês) e outras autoridades de segurança, para expressar nossa indignação diante deste incidente e acompanhar o desdobramento da situação.

“Lamentamos o incidente e exigimos que o governo e as entidades envolvidas garantam a segurança de profissionais e pacientes, para que possamos continuar oferecendo nossos serviços”, diz Paulsson. “MSF segue comprometida a continuar levando assistência médica vital à população de Rokero e de Darfur Central, mas é necessário assegurar que essas situações inaceitáveis não se repitam.”

MSF aproveita a oportunidade para reiterar que é necessário que todos, incluindo grupos armados estatais e não-estatais, assim como civis, respeitem as ações médicas e humanitárias no país.

Vários outros incidentes ocorreram em Cartum e outros lugares do Sudão nas últimas semanas, incluindo ataques violentos contra profissionais de saúde e hospitais, em meio aos temores decorrentes da crise de COVID-19.

MSF trabalha no Sudão desde 1978. Atualmente, nossas equipes prestam assistência médica nos estados de Cartum, Norte de Darfur, Darfur Central, Darfur Oriental, Nilo Branco, Al-Gedaref e Cordofão do Sul.

Administramos hospitais e centros de saúde, apoiamos instalações do Ministério da Saúde e realizamos uma ampla gama de atividades para fornecer atendimento primário e secundário às comunidades locais, deslocados internos e refugiados. As atividades variam desde o tratamento de crianças desnutridas e assistência ao parto até o tratamento de doenças infecciosas crônicas como TB e HIV e condições negligenciadas como o calazar.

Após a confirmação dos primeiros casos de COVID-19 no Sudão em março, MSF também começou a apoiar o Ministério da Saúde, instalações privadas e estruturas de saúde designadas para tratar a COVID-19, por meio de suporte logístico, assistência técnica, medidas de controle de infecção e treinamento de profissionais de saúde.

 

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