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Sri Lanka: Civis continuam encurralados em Vanni

17/03/2009
MSF continua a trabalhar no hospital do governo de Vavuniya, mas população que não conseguiu sair da região ainda sofre

Durante as duas primeiras semanas de março, poucas pessoas conseguiram deixar a região de Vanni, no Sri Lanka. A comunicação com as pessoas que ainda estão dentro de Vanni continua muito difícil, mas relatos dos que conseguiram escapar recentemente confirmam que os civis continuam encurralados pelo conflito e que é praticamente impossível para eles fugir, uma vez que há o risco de serem alvejados.

Uma equipe de Médicos Sem Fronteiras (MSF) continua a trabalhar no hospital do governo em Vavuniya, com o foco em cirurgia e apoio laboratorial. A população civil em Vanni está sofrendo muito devido à violência. Das 953 internações de feridos e doentes retirados de Vanni entre o dia 11 de fevereiro e 8 de março, 584 precisaram de cirurgia. A maioria dos casos cirúrgicos (92%) estão relacionados à violência. Os ferimentos são predominantemente causados por tiros e pedaços de projéteis.

MSF continua extremamente preocupada com a situação dos aproximadamente 150 mil civis que continuam em Vanni.

Vida nos acampamentos

As 33.896 pessoas que conseguiram fugir nos dois primeiros meses de 2009 estão vivendo em 13 acampamentos em Vavuniya. Três mil pessoas estão vivendo temporariamente em assentamento na área de Jaffna.

Os acampamentos em Vavuniya estão situados em áreas fechadas, que geralmente incluem prédios comunitários, como escolas ou universidades. As pessoas estão vivendo em tendas ou prédios públicos. Às vezes duas ou três famílias dividem o mesmo espaço. Os acampamentos estão superlotatos: chegam a ter 600 pessoas vivendo em uma grande quadra de basquete. Eles são cercados por arame farpado e as pessoas não têm autorização para deixá-lo ou se comunicar com pessoas dos outros acampamentos. Eles também não podem receber visitantes e é comum que famílias sejam separadas e vivam em diferentes acampamentos.

Nos acampamentos, as pessoas não têm a possibilidade de cozinhar para eles mesmo, tendo que contar com cozinhas comunitárias para ter alimentos. Se ficam doentes, procuram os serviços de saúde do governo que existem no acampamento e, se necessário, são transferidos para o hospital.

MSF administra um programa de alimentação suplementar para crianças com menos de cinco anos de idade, grávidas e mulheres em fase de aleitamento que vivem no acampamento. Diariamente, a equipe de MSF prepara uma mistura alimentar suplementar e distribui para os grupos alvos em dez dos 13 acampamentos.

Problemas de saúde mental

Muitas pessoas nos acampamentos estão sofrendo de estresse mental que, no momento, não está sendo cuidado. As pessoas foram muito afetadas por experiências traumática pelas quais passaram, em Vanni e durante sua fuga. Muitos perderam parentes ou até mesmo toda a família. Eles não têm contato com a família ou amigos em Vanni e também não sabem se os que ficaram para trás ainda estão vivos. Sempre que há novas chegadas, as pessoas se amontoam para ver se entre os que chegam estãos seus parentes.

Algumas pessoas vivem há meses nos acampamentos. Antes de conseguirem sair de Vanni, muitos tinham se mudado cinco ou seis vezes em busca de um lugar mais seguro. Nos acampamentos, eles não têm trabalho ou escolas. Não há, literalmente, nada para eles fazerem além de esperar. Eles perderam toda a autonomia. Eles vivem com medo de que algo lhes aconteça ou a seus entes queridos.

MSF está pronta para atender a população dos acampamentos, através da oferta de serviços de saúde mental independentes e confidenciais. MSF está discutindo esse projeto de saúde mental com as autoridades.