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Somália: MSF alerta sobre crise na saúde do país

16/06/2006
Equipes da organização já atenderam 600 crianças com desnutrição severa em Dinsor, no centro-sul do país

Equipes de Médicos Sem Fronteiras (MSF) na Somália atendem, de duas semanas para cá, um número cada vez maior de crianças com desnutrição severa na região de Dinsor (centro-sul do país). Mesmo com as chuvas recentes, que levam otimismo em relação às colheitas do mês de julho e melhoram o acesso da população a água, muitas crianças sofrem com falta de comida. O centro de alimentação terapêutica de MSF na região atendeu até agora 600 crianças doentes – um número dez vezes superior ao mesmo período do ano passado.

O centro de saúde de MSF em Dinsor é o único da chamada Bay Region – na qual 650 mil pessoas lutam diariamente para serem atendidas por profissionais de saúde. Muitos pacientes viajam durante horas em veículos e estradas de péssima qualidade e tendo que enfrentar vários postos controlados por milícias para conseguirem tratamento médico.

As crianças com menos de 5 anos são as mais afetadas pela crise de alimentos e são igualmente vítimas de outros problemas como diarréias e infecções respiratórias. Mais de 330 crianças estão em tratamento neste momento no centro mantido por MSF. O centro funciona como ambulatório e hospital, para os casos que requerem internação.

"A deterioração estrutural da saúde na Somália é, ano após ano, muito preocupante. O ambiente político tenso só gera mais preocupações para os próximos meses, num período em que o sul do país também enfrenta crises graves de água e comida devido aos anos de seca", explica Bruno Jochum, gerente do programa de MSF que lida com a Somália.

Além do problema atual da seca, a maioria do território somali continua sem serviços de saúde que funcionem. Com isso, o país não tem capacidade de tratar pacientes de doenças endêmicas como tuberculose, malária, diarréia e desnutrição. As estimativas são que uma em cada quatro crianças morre antes de completar cinco anos de idade no país.

"A situação está no limite em muitas regiões. A ausência de atores humanitários internacionais diretamente presentes no campo, e capazes de proporcionar assistência com qualidade, só aumenta a miséria na qual a maioria da população se encontra", avalia Jochum.

MSF está na Somália desde o início da guerra civil, com oito projetos médicos administrados por profissionais estrangeiros e locais. Em 2005, MSF ofereceu consultas médicas a mais de 350 mil pacientes e tratou de outros 10 mil hospitalizados.