“Só queríamos ajudar nossa comunidade, as pessoas estavam sofrendo”

Em Histórias de MSF, Sondos, mediadora intercultural no Sudão, compartilha como seu trabalho tem ajudado a levar cuidados a quem mais precisa, em meio a uma guerra que também afetou sua própria vida

Sondos, mediadora intercultural para equipe médica de MSF no Hospital Universitário de El Geneina, em Darfur Ocidental, no Sudão. ©Natalia Romero Peñuela
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Em 2026, a guerra no Sudão completou três anos. Desde 15 de abril de 2023, o país enfrenta um conflito brutal que devastou cidades, colapsou serviços essenciais e forçou milhões de pessoas a fugir de suas casas. Entre elas, estão profissionais de Médicos Sem Fronteiras (MSF), que, apesar das dificuldades, continuam trabalhando para apoiar suas próprias comunidades.

Cada um de nossos colegas sudaneses perdeu algo por causa da guerra: entes queridos, parentes, amigos e conquistas que construíram ao longo de uma vida de trabalho.

Conheça a história de Sondos, que integra nossa equipe no Sudão.

 

Os nomes por trás dos números da guerra 

Sondos, mediadora intercultural para equipe médica de MSF no Hospital Universitário de El Geneina, em Darfur Ocidental, no Sudão. ©Natalia Romero Peñuela

Sondos trabalha como mediadora intercultural de MSF, apoiando a equipe médica no Hospital Universitário de El Geneina, em Darfur Ocidental. Sua vida foi transformada pela guerra. Quando o conflito se iniciou, ela estava prestes a concluir a graduação em Enfermagem.

A guerra tirou de mim minha maior conquista. Quando ela começou, eu estava no meu último ano da universidade.”

Sondos, mediadora intercultural para a equipe médica

Sem um diploma, ela não pôde trabalhar como enfermeira, mas passou a atuar como mediadora intercultural, apoiando a equipe médica no Hospital Universitário de El Geneina — um trabalho fundamental para que profissionais de saúde estejam mais conectados ao idioma e à cultura local.

A guerra também forçou alguns membros de sua família a fugir da cidade de El Geneina por três meses. Quando voltaram, ela descobriu que o irmão, a tia e vários outros familiares haviam sido mortos.

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“Foi o ano mais difícil da minha vida”, diz Sondos. Mas com a força que lhe restava, ela se juntou a um grupo de voluntários que trabalhou para reabrir o pronto-socorro do hospital, onde depois passou a atuar com MSF.

Só queríamos ajudar nossa comunidade. As pessoas estavam sofrendo.”

Sondos, mediadora intercultural para a equipe médica

“Não havia instalações de saúde. Trabalhamos até que MSF voltasse ao hospital e, então, pudemos continuar o trabalho com eles para prestar os serviços médicos”, explica ela.

Profissionais e pacientes durante campanha de vacinação contra o sarampo e a rubéola no Hospital Universitário de El Geneina, em Darfur Ocidental, em janeiro de 2026. Sudão. ©Cindy Gonzalez

Fatos e números

Nossos colegas sudaneses — 1.470 profissionais contratados localmente e 5.500 funcionários do Ministério da Saúde apoiados por MSF — são os pilares que sustentam o trabalho da organização no país.

Apesar da situação extremamente crítica no Sudão, eles se mantêm comprometidos com o trabalho humanitário, para ajudar outras pessoas cujas vidas também foram profundamente afetadas pela guerra.

Graças ao trabalho de nossos profissionais sudaneses, em um ano, MSF realizou:

  • + de 720 mil consultas ambulatoriais
  • Cerca de 200 mil consultas de emergência
  • + de 1.800 intervenções cirúrgicas
  • Assistência em cerca de 24 mil partos
  • + 3.100 consultas relacionadas à violência sexual
  • + 8.500 consultas de saúde mental

 

Precisamos falar sobre o Sudão.

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