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Síria: diabete, ferimentos e o nascimento de gêmeos

23/07/2013
Atuação de MSF na Síria salva muitas vidas, mas é insuficiente para atender à grande demanda por serviços de saúde da população

Na Síria, o número de pessoas que precisam de cuidados urgentes continua aumentando. A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) mantém seis hospitais, quatro centros de saúde e diversos programas de clínicas móveis na Síria. Se por um lado os programas estão, inquestionavelmente, salvando dezenas de vidas todos os dias, o alcance de MSF é limitado devido à insegurança extremamente elevada. Por grande parte do país, há regiões em que os serviços médicos são reduzidos ou completamente inexistentes.


“Antes dessa guerra, as pessoas na Síria tinham serviços de saúde de qualidade”, afirma Steve Rubin, cirurgião em um dos hospitais de MSF na Síria. “Muitos sírios querem realmente ter acesso àqueles cuidados novamente. Mas, nessa região, além de nós, todas as demais instalações médicas atendem trauma relacionado à guerra. Eles vêm aqui porque é a única alternativa.”


O hospital em que Rubin estava trabalhando traduz a atuação típica de MSF na Síria. Antes da guerra, as pessoas dirigiam por cerca de 20 minutos em uma estrada principal para chegar a um grande hospital de referência. Esse hospital ainda existe, mas agora uma frente de batalha fica em seu caminho, impedindo dezenas de milhares de pessoas de chegarem até ele. Para oferecer uma instalação de referência como alternativa, MSF converteu uma granja em um hospital improvisado.


Além dos ferimentos causados por estilhaços e fragmentos de bombas, há uma quantidade incontável de pessoas afetadas por problemas de saúde comuns; patologias que seriam completamente administráveis em um cenário normal, mas que podem se tornar fatais em meio à guerra, já que as opções para cuidados de saúde não estão mais disponíveis. Diabetes, hipertensão, asma e complicações relacionadas à saúde materna estão fazendo vítimas.
“Nosso centro cirúrgico é uma tenda inflável”, diz Rubin. “Não temos tudo o que precisamos, mas fazemos funcionar. Você diz a você mesmo: ‘farei o melhor que eu puder com o que tenho, e salvarei tantas vidas quanto puder’.”


MSF também converteu uma escola próximo dali em um departamento ambulatorial, e a equipe conduz clínicas móveis semanais até os vilarejos onde milhares de pessoas se reuniram, tendo fugido do conflito intenso em outras regiões da Síria. Considerando todos os serviços oferecidos, o projeto contabiliza uma média de 4 mil consultas e cerca de 50 operações cirúrgicas por mês.


“Trabalhamos como uma colmeia”, diz uma das enfermeiras sírias da unidade de emergência do prédio. “Não são apenas admitidos os casos relacionados à guerra; o hospital também atende casos médicos normais, como gripes ou emergências médicas, pediátricas, tudo, até mesmo transfusão de sangue. É como qualquer outro hospital.”


Uma mulher de 36 anos que veio trocar seus curativos explica a dificuldade das pessoas da região para encontrar tratamento médico . “O problema é que não há vida normal. Do ponto de vista médico, não há medicamentos, não há para onde ir, não há hospitais. Muitos membros de minha família adoeceram: dois tios, minha mãe e outros. Todos tiveram dificuldade para encontrar tratamento. A medicina tornou-se rara por aqui.”

Depois de uma pausa, ela adiciona: “Se não fosse pela existência deste hospital aqui, eu estaria, agora, entre os mortos.”
 
Desde o início do conflito até o final de junho de 2013, as equipes de MSF na Síria realizaram mais de 55 mil consultas médicas, 2.800 procedimentos cirúrgicos e mil partos. Além disso, foram realizadas mais de 140 mil consultas para refugiados sírios em países vizinhos.

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