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Síria: depois de bombardeio que deixou centenas de mortos e feridos em Aleppo, hospitais ficam sobrecarregados

17/12/2013
MSF pede que partes envolvidas no conflito respeitem o Direito Internacional Humanitário

Os hospitais no norte da cidade de Aleppo ficaram sobrecarregados após uma onda de bombardeios que deixou ao menos 189 mortos e 879 feridos nos últimos dias, de acordo com fontes médicas locais. A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) está prestando suporte aos hospitais da região com a doanção de sangue e de suprimentos médicos para responder à emergência.

Helicópteros sírios começaram  a jogar granadas no dia 15 de dezembro em diversas regiões a leste de Aleppo. Apesar do sofrimento generalizado, os ataques indiscriminados tiveram continuidade e causaram danos significativos em regiões povoadas por civis.

“Os helicópteros têm tido diferentes áreas como alvo, entre elas uma escola e a rotatória de Haydarya, onde as pessoas aguardam por transporte público”, afirma Aitor Zabalgogeazkoa, coordenador de MSF na Síria. “Em ambos os casos, dezenas de pessoas foram mortas e feridas. Doze corpos estavam sendo alinhados em frente a três hospitais para serem resgatados pelas famílias.”
 
De acordo com sete dos hospitais locais que estão recebendo pacientes, 189 pessoas morreram desde domingo e 879 ficaram feridas, sendo que 244 são crianças. Esses dados não inlcuem pacientes internados em outros hospitais em funcionamento na cidade.
 
A emergência está superlotando a rede de hospitais de Aleppo, deixando-os com pouco ou nenhum recurso. Os episódios frequentes de violência estão destruindo a cidade e gerando consequências devastadoras para o sistema de saúde. Desde o início da guerra, a maioria dos hospitais em Aleppo foi parcialmente danificada ou destruída. Esta onda de ataques está tendo um efeito acumulativo nas instalações de saúde já exauridas.
 
“Repetidos ataques geralmente levam ao caos e dificultam o tratamento dos feridos, o que, por sua vez, aumenta o número de fatalidades”, diz Aitor. “As ambulâncias estão sobrecarregadas porque são chamadas para atender diversas áreas simultaneamente. Os médicos enfrentam decisões extremamente difíceis porque lidam com um influxo significativo de pacientes.”
 
A falta estrutural de suporte aos hospitais em Aleppo e as dificuldades para envio de suprimentos médicos está afetando a capacidade das instalações médicas de tratar pacientes. O fluxo massivo de pacientes após essa onda de ataques esvaziou os estoques de medicamentos essenciais e materiais médicos para a realização de atividades vitais.
 
“Os hospitais na região estão lotados e estão pedindo suprimentos médicos. Enviamos a eles imediatamente”, diz Aitor. “Muitos pacientes tiveram de ser encaminhados para hospitais fora de Aleppo.”
 
MSF está doando sangue colhido nos vilarejos dos arredores aos hospitais que estão recebendo a maioria dos pacientes em Aleppo. A organização humanitária está, também, prestando suporte aos hospitais com medicamentos e suprimentos médicos para 500 pessoas feridas. “Essa ajuda é insuficiente para lidar com a escala da emergência”, alerta Aitor.
 
“Pedimos que todas as partes envolvidas no conflito e o governo sírio, neste momento específico, parem de alvejar infraestruturas civis, como hospitais e escolas, e parem de usar armas de efeitos indiscriminados em regiões urbanas, onde os civis é que pagam o preço mais alto”, afirma Teresa Sancristóval, assistente para emergência. “Todos os envolvidos devem obedecer a lei humanitária internacional.”
 
Em novembro, MSF tratou 88 feridos em menos de uma semana devido aos ataques nas regiões  norte da cidade.

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