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Síria: ataques a áreas civis são inaceitáveis e desrespeitam regras da guerra

27/02/2020
Direito Humanitário Internacional não é respeitado na Síria, deixando centenas de civis feridos
Síria: ataques a áreas civis são inaceitáveis e desrespeitam regras da guerra

Foto: MSF

Até as guerras têm regras. E elas estão sendo constantemente desrespeitadas na Síria.

Segundo o Direito Internacional Humanitário, civis devem ser protegidos durante o conflito. Porém, na última terça-feira, bombardeios indiscriminados foram feitos contra civis na região de Idlib, na Síria. As pessoas atingidas estavam em uma das poucas áreas ainda consideradas seguras, depois que centenas de milhares de pessoas precisaram deixar suas casas e buscar abrigo por conta da ofensiva militar aérea e terrestre. Pelo menos duas escolas e dois jardins de infância que abrigavam famílias deslocadas foram atingidos pelas explosões desta semana.

Meine Nicolai, diretora-geral de MSF, fala sobre o quão inaceitável são as ações dos últimos dias em Idlib:

"A terrível campanha indiscriminada de bombardeios só pode ter sido conduzida pelo governo da Síria e seus aliados. Não sabemos como fazê-los parar os ataques indiscriminados e não sabemos como fazê-los respeitar o Direito Internacional Humanitário – as 'Regras da Guerra'. Pedimos muitas vezes às partes em guerra na Síria, seus aliados e o Conselho de Segurança da ONU que fizessem todo o possível para pôr fim a essas violações. Fazemos esse pedido novamente, com o mais alto grau de urgência. Os civis e a infraestrutura civil devem ser protegidos e nosso pedido para que respeitem as regras da guerra se aplica tanto aos grupos de oposição e às forças turcas quanto ao governo sírio e seus aliados, incluindo a Rússia, o principal aliado militar do governo sírio.”

Depois dos ataques na noite de terça-feira, três hospitais apoiados por Médicos Sem Fronteiras (MSF) no noroeste da Síria receberam feridos que chegavam em massa. Apenas nessas instalações, foram recebidos 185 feridos; outras 18 pessoas chegaram sem vida a esses hospitais.

Além das vítimas das explosões, o barulho dos bombardeios e das sirenes criou uma situação de histeria na cidade e as pessoas tiveram ataques de pânico. O coordenador dos projetos de MSF no noroeste da Síria, Cristian Reynders, dá a dimensão humana desta tragédia:

“Quantas mães precisam segurar seu bebê nos braços enquanto bombas caem por toda parte? Quantos pais precisam tranquilizar seus filhos – fazê-los rir – quando há explosões em todos os lugares? Quantos? Quantas? É essa a realidade.”

 

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