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Resposta de MSF à crise na Síria

12/03/2014
Organização oferece assistência médico-humanitária à população afetada pela guerra desde 2012

Três anos de uma guerra extremamente violenta dilaceraram cidades, vilarejos, hospitais, clínicas. Tudo de que dependiam os sírios para garantir sua existência. Por todo o país, famílias que podem estão fugindo de um lugar para o outro, cada vez com menos pertences e mais medo. Todo o país encontra-se em estado de crise médica, e as pessoas nas áreas mais afetadas estão vivenciando o sofrimento extremo. A crise se alastra, ultrapassa as fronteiras da Síria e envolve os países vizinhos, com mais de dois milhões de refugiados sírios ainda batalhando para sobreviver.

Ferimentos causados por balas, explosões e estilhaços de bombas compõem uma longa lista de casos médicos na Síria. Mas a saúde materna, vacinações, queimaduras, doenças crônicas que se tornam fatais se a medicação for negligenciada, todas essas ocorrências somam-se às demais demandas na lista de demandas urgentes que não estão sendo atendidas. Milhões de sírios dependem da assistência médica limitada que pode ser oferecida nas instalações improvisadas em porões e casas privadas.

Na Síria
Desde junho de 2012, MSF oferece cuidados de saúde em regiões no norte da Síria onde foram identificadas necessidades e onde foi possível estruturar hospitais e clínicas improvisados. Até o momento, as equipes médicas realizaram mais de 140 mil consultas, muitas relacionadas a ferimentos e doenças crônicas graves. Aproximadamente 7 mil procedimentos cirúrgicos foram conduzidos e mais de 1.900 mulheres tiveram partos assistidos.

Mas a guerra torna a provisão de assistência extremamente desafiadora. A intensidade e a volatilidade do conflito representam um enorme obstáculo para alcançar as pessoas em necessidade. Na noite de 2 de janeiro de 2014, enquanto estavam em atividade levando cuidados médicos aos sírios acometidos pela guerra, cinco profissionais de MSF foram levados de uma casa da organização no norte da Síria. MSF continua concentrando esforços para garantir seu retorno em segurança.

As atividades no hospital e nas duas clínicas da região estão atualmente suspensas. No entanto, devido à intensidade das necessidades, mantivemos atividades médicas em cinco hospitais e clínicas improvisados na Síria. Nosso programa de apoio às redes médicas no país também está tendo continuidade. Estamos oferecendo suprimentos médicos e suporte técnico a 50 hospitais e 80 centros de saúde em sete províncias, atuando em áreas controladas pela oposição, pelo governo e contestadas. Devido ao fato de estarmos trabalhando em um ambiente intenso de guerra, reavaliamos constantemente nossos projetos e atividades considerando os desafios relacionados à segurança.

Atividades na Síria em números (até o final de janeiro de 2014)
Consultas de emergência – 49.083
Consultas ambulatoriais – 94.389
Procedimentos cirúrgicos – 6.895
Partos – 1.962
Campanhas de emergência de vacinação contra o sarampo – 75.000 crianças (de abril a junho de 2013)

Refugiados sírios
Mais de dois milhões de refugiados sírios foram registrados ou estão aguardando registro nos países vizinhos à Síria, mas o número atual pode ser muito superior. Comparados  à Síria, o acesso e a segurança nos países vizinhos são muito melhores, mas os recursos desses países estão no limite e as lacunas em termos de serviços de saúde continuam aumentando, na medida em que as necessidades dos refugiados não dão sinais de redução.

No Iraque, há mais de 210 mil refugiados sírios. MSF está oferecendo serviços de saúde ambulatoriais, consultas voltadas para saúde mental e serviços para a provisão de água e saneamento em diversas localidades para os refugiados no país, principalmente nos acampamentos de Domeez e Kawargosk e também nos campos de refugiados transitórios localizados nas províncias de Dohuk e Erbil. Em média, as equipes de MSF oferecem cerca de 3 mil consultas por semanas no Iraque.

Na Jordânia, há mais de 575 mil refugiados sírios, sendo que a maioria vive fora de acampamentos. O projeto de MSF no campo de Zataari foi fechado em 2013, na medida em que outras organizações puderam responder às necessidades de saúde. Enquanto isso, uma avaliação de MSF revelou que os cuidados de saúde voltados para mães e crianças deveria ser uma grande preocupação considerando os refugiados que vivem fora de acampamentos, principalmente na província de Irbid, no norte do país. Em novembro, um novo programa foi iniciado oferecendo serviços de saúde materna, neonatal e pediatria. No final de janeiro, haviam sido realizados 1.753 consultas de pré-natal e 303 partos.

O projeto de cirurgia de emergência de MSF, dentro do hospital do Ministério da Saúde em Ramtha, próximo à fronteira síria, continua em plena atividade – mais de 540 cirurgias vitais foram realizadas em pacientes com ferimentos relacionados à guerra vindos da Síria. Frequentemente, os pacientes chegam com ferimentos abdominais, na região peitoral e ferimentos ortopédicos graves, e precisam de múltiplas amputações.

Em Amman, MSF administra um projeto de cirurgia reconstrutiva que oferece cirurgias ortopédica complexas e maxilofaciais, além de cirurgia plástica para vítimas de violência. Alguns pacientes vêm de outras localidades, mas o maior número de pessoas atendidas vem da Síria. Fisioterapia, suporte psicossocial e cuidados pós-operatórios também são oferecidos, de acordo com a necessidade.
 
No Líbano, há mais de 990 mil refugiados sírios. As necessidades médicas crescentes dos refugiados  incluem acesso a cuidados de saúde secundária, partos seguros em ambientes hospitalares e medicamentos para doenças crônicas. MSF está prestando suporte aos refugiados por meio de consultas médicas gerais, incluindo o tratamento de doenças agudas e crônicas, imunizações, cuidados de saúde reprodutiva e saúde mental, além de distribuir itens de primeira necessidade. As principais atividades da organização estão concentradas no vale de Bekaa, onde opera quatro clínicas; em Trípoli, no norte do Líbano, onde presta suporte a dois hospitais e duas clínicas; e em Saida e Shatila, onde está reunida a maioria dos palestinos vindos da Síria.

Atividades voltadas para refugiados sírios em números (até o final de janeiro de 2014)
Total de consultas no Iraque (incluindo saúde mental) – 173.030
Consultas de emergência, saúde materna e ambulatoriais na Jordânia – 22.914
Procedimentos cirúrgicos na Jordânia – 956
Total de consultas no Líbano (incluindo saúde mental e reprodutiva) – 119.813