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Respondendo à emergência de saúde sem fim de Serra Leoa

18/10/2006
Médicos Sem Fronteiras defende mudanças para melhorar as condições de vida da população que vive no país africano

Londres-Freetown – Mais de cinco anos após o fim de uma das mais devastadoras guerras civis da África, as condições de saúde de Serra Leoa ainda são desastrosas e muitas vidas ainda podem ser salvas com mudanças relativamente simples.

Médicos Sem Fronteiras (MSF), uma organização voltada para a emergência médica que trabalha no país desde 1994, mostra em um novo relatório que as pessoas ainda estão morrendo por doenças capazes de ser prevenidas. Pessoas sofrem porque o sistema de saúde não dá conta do atendimento. Através das histórias pessoais dos pacientes, o documento foca três áreas em particular nas quais MSF afirma que mudanças podem ser feitas: o tratamento da malária, a provisão de cuidados de saúde para mãe e filho e na cobrança de atendimento aos pacientes.

Em todo o país, a malária é letal e disseminada. Contínuos atrasos do uso da medicação eficaz contra a malária – Terapia Combinada com base de Artemisa (ACT, na sigla em inglês) – estão causando a morte desnecessária de muitas pessoas, especialmente crianças. Uma pesquisa realizada por MSF em 2005 mostra que até 63% das mortes entres crianças com menos de cinco anos é provocada pelas doenças. Apesar do Ministério da Saúde ter concordado, há dois anos, com a implementação do tratamento ACT, os medicamentos ainda não está disponíveis para a maioria dos pacientes.

Na área de saúde materna e infantil, MSF diz que criar 'casas de espera' associadas aos hospitais distritais, pode ajudar as mulheres com complicações de parto a receber assistência médica adequada a tempo. Mulheres grávidas podem passar as últimas semanas antes do parto em estabelecimentos como esses e, por estarem perto dos hospitais, têm acesso imediato à assistência. Essas casas não custam caro e são fáceis de ser administradas.

Finalmente, MSF está mostrando que cobrar os pacientes reduz substancialmente o número de pessoas doentes que procuram às unidades de saúde, mesmo quando estão em estado grave.Na pesquisa realizada por MSF no ano passado, descobrimos que apenas uma em cada três famílias declarou ter procurado o centro de saúde mais próximo de sua casa em um último episódio de doença. Na teoria, doentes que não podem pagar o tratamento são protegidos por um sistema de exceção, mas ele não está funcionando e os mais pobres são as principais vítimas.

"Nós não pretendemos resolver os problemas estruturais de desenvolvimento em Serra Leoa", disse Jonathan Heffer, chefe de missão de MSF em Serra Leoa. "Mas essas mudanças fazem uma grande diferença na redução de mortes e sofrimento. E elas podem ser feitas, como mostramos em nossos projetos", defende Heffer.

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