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Requerentes de asilo e imigrantes são abandonados no frio da Sérvia

20/02/2015
MSF pede às autoridades sérvias e aos Estados-membros da UE que oferecem ajuda e proteção aos necessitados

Requerentes de asilo, refugiados e imigrantes que arriscaram suas vidas para chegar à Europa estão sendo deixados em florestas e edifícios abandonados na Sérvia em meio às temperaturas de um inverno rigoroso, sem alimentos ou abrigos suficientes, de acordo com a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF). As equipes da organização estão fornecendo itens de primeira necessidade e cuidados médicos urgentes a essas pessoas. Ao mesmo tempo, MSF está pedindo às autoridades sérvias e aos Estados-membros da União Europeia (UE) que ofereçam ajuda e proteção aos requerentes de asilo.

O regulamento de Dublin geralmente pede que requerentes de asilo entrando irregularmente na UE solicitem asilo no país de chegada ao continente europeu. No entanto, imigrantes e requerentes de asilo estão fugindo cada vez mais de condições precárias na Grécia e na Bulgária, atravessando a região dos Balcãs a caminho do norte da Europa. Segundo o gabinete de requerimento de asilo sérvio, cerca de 16.500 requerentes de asilo – principalmente vindos da Síria, do Afeganistão e dos países da África subsaariana – entraram na Sérvia em 2014, na tentativa de encontrar refúgio e condições de vida dignas no norte da Europa.

“Os Estados-membros da UE precisam reconhecer a consequência ultrajante de suas políticas e melhorar os procedimentos atuais de requerimento de asilo, condições de recepção dessas pessoas e falta de integração que estão falhando na assistência de milhares de refugiados e requerentes de asilo”, disse Stuart Alexander Zimble, coordenador de MSF na região dos Balcãs. “A Grécia, a Bulgária e a UE devem melhorar o acesso a procedimentos de requerimento de asilo e condições de acolhimento dos requerentes de asilo recém-chegados.”

Um sistema de requerimento de asilo ainda disfuncional na Grécia, que obriga pessoas que precisam de proteção a se submeterem a condições desumanas, está forçando-as a correr ainda mais riscos, utilizando redes de contrabando para deixar a Grécia em busca de melhor assistência e proteção. “A situação está tão ruim na Grécia que você não pode ficar lá como requerente de asilo”, diz um refugiado afegão que passou 18 meses em um centro de detenção na Grécia, depois foi para a Macedônia e em seguida para a Sérvia.

Na chegada a Sérvia, muitos requerentes de asilo descobrem que sua única opção é dormir ao relento, sob lonas plásticas ou em barracas improvisadas, apesar das temperaturas de inverno, que podem chegar a 20 graus abaixo de zero. Todos os dias, no vilarejo de Bogovadja, dezenas de requerentes de asilo esperam seus pedidos serem registrados. Nesse local, o gabinete de requerimento de asilo processa apenas uma quantidade determinada deregistros por dia, forçando as pessoas – às vezes, até mesmo mulheres grávidas e crianças – a esperar na floresta no entorno do vilarejo. Na cidade de Subotica, próximo da fronteira com a Hungria, os imigrantes abrigam-se em edifícios abandonados e em ruínas durante a noite. Alguns estão dormindo do lado de fora, escondidos nos campos, para evitar o encontro com a polícia.

MSF pede que os Estados-membros da UE, particularmente a Hungria, não forcem o retorno de pessoas nacionais de outros países à Sérvia. A Sérvia, com o apoio do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), deve oferecer assistência adequada e proteção internacional aos requerentes de asilo, o que envolve também o aumento de sua capacidade de registrar e acomodar toda pessoa que solicita asilo em todos os locais de forma segura, amigável e eficiente.

Uma equipe de MSF tem conduzido clínicas móveis e distribuído kits com itens de primeira necessidade para pessoas vulneráveis em Bogovadja e Subotica desde dezembro. Os problemas de saúde mais comuns entre os imigrantes são resfriados, doenças respiratórias, e doenças de pele, principalmente devido ao clima frio e às condições de saneamento precárias.

 “Em geral, eles não quase não tem roupas, estão vivendo em condições anti-higiênicas, sem poder tomar banho, e com muita fome”, diz o coordenador médico de MSF, Vasiliki Armeniakou. “Muitos têm lesões musculares e ósseas, graves dores no corpo, cortes, contusões e queimaduras, como resultado de dias de caminhada ou corridas pela floresta.”

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