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República Centro-Africana: “Parecia que estava chovendo bala”

24/05/2019
Ataques brutais deixaram dezenas de civis mortos na região de Ouham-Pendé
República Centro-Africana: “Parecia que estava chovendo bala”

Foto: Florent Vergnes/AFP

Na última terça-feira (21), dezenas de civis foram mortos quando três vilarejos da região de Ouham-Pendé, na República Centro-Africana (RCA), foram atacados por homens armados. Um dos sobreviventes, transferido para Bangui e tratado por Médicos Sem Fronteiras (MSF), relembra os acontecimentos.

Em 21 de maio, em Ndjondjom, nos vilarejos de Koundjili e Bohong, a cerca de 50 km de Paoua, no noroeste da RCA, homens armados atacaram e atiraram em vários civis, que eles mesmos haviam reunido, com a desculpa de organizar uma reunião com a comunidade.

“Homens armados, com uniformes militares, chegaram meu vilarejo e pediram para ver os líderes da comunidade para organizar uma reunião-geral. A população, então, se reuniu sob uma mangueira”, diz Alphonse, um dos sobreviventes do ataque, que foi ferido por tiros e tratado por MSF.

“Eles começaram a nos amarrar. Rasgaram minha camisa para amarrar meus braços. Eles nos empilharam uns sobre os outros e começaram a atirar. Parecia que estava chovendo bala.”

Três pessoas feridas foram internadas no hospital de Paoua, onde equipes de MSF trabalham. De acordo com Alphonse, muito poucas pessoas sobreviveram ao ataque – ele conseguiu sobreviver fingindo que estava morto. “Alguns conseguiram fugir, mas o restante foi morto. Alguns de nossos parentes nos tiraram dali e nos colocaram na pilha de mortos para nos levar ao hospital de Paoua. Eles me disseram que continuam encontrando cadáveres na mata ao redor do vilarejo.”

Segundo a ONU e as autoridades da África Central, um total de 39 civis foram mortos em Bohong, Ndjondjom e Koundjili, enquanto outros 15 foram abatidos em ataques separados em Maikolo, durante os dias anteriores. É o primeiro ataque em grande escala após a relativa calma que se seguiu à assinatura de um acordo de paz entre o governo e 14 grupos armados, em fevereiro de 2019.
 

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