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República Centro-Africana enfrenta emergência nutricional

23/09/2009

O sudoeste da República Centro-Africana (RCA) atualmente enfrenta uma grave emergência nutricional. As crises na indústria de minério, da qual muitos habitantes da região dependem, foram a última gota para um população já altamente vulnerável.

Alertada pelas autoridades locais, as equipes de Médicos Sem Fronteiras abriram quatro centros nutricionais em um mês em Carnot, Boda, Nola e Gamboula e implementaram vários programas de consultas na área. Os primeiros levantamentos indicaram índices de desnutrição muito acima do mínimo necessário para configurar uma emergência em algumas áreas

Em cerca de um mês e meio, mais de 1,3 mil crianças, a maioria sofrendo de desnutrição severa, entraram nos programas de MSF. Um grande número de pacientes apresentava complicações médicas e teve de ser internado.

"Em Boda e Nola, por exemplo, é difícil encontrar pacientes que apenas sofrem de desnutrição, uma vez que muitos chegam também com outras doenças e em grave estado de saúde”, explica Clara Delacre, coordenadora de MSF em Nola. “Há muitos casos de malária, diarreia, tuberculose ou Aids, o que complica a já delicada condição das crianças".

"Vários elementos podem explicar essa situação, um deles é a crise que afeta os setores de diamantes e ouro, os principais meios de sustento para a maior parte das pessoas na região”.

A crise deixou muitos homens que trabalhavam nas minas desempregados e sem rendimento. Além disso, muitos dos estabelecimentos que compravam e vendiam diamantes e ouro tiveram de fechar nos últimos meses. A crise econômica, no entanto, é apenas um fator circunstancial que agora soma-se às dificuldades crônicas na região: uma dieta muito pobre baseada em cassava, a falta de acesso à saúde para a maior parte da população e o fato de que a estação das chuvas começou, aumentando o risco de aparecimento da malária e de outras doenças.

Na região, a principal dieta é quase que só de cassava. Outros itens alimentares importantes, como carne, agora são tão difíceis de encontrar quanto diamantes. De acordo com os habitantes locais, o problema começou há alguns anos quando um grupo de criminosos começou a ameaçar os criadores de gado. Como resultado, os fazendeiros começaram a fugir para Camarões e não voltaram. Além disso, outro fator provocador da crise é a falta de acesso à saúde. As pessoas têm que pagar para receber atendimento médico e medicamentos, mas não têm recursos para isso. Para completar, houve também a recente perda de rendimento de muitas famílias e o fechamento de muitos centros de saúde.

"MSF está aqui para responder à emergência, através do tratamento dos casos mais graves. Ainda assim, há problemas anteriores que demandam uma resposta mais ampla”, explica Delacre.

MSF trabalha na RCA desde 1997. Atualmente, a organização está implementando projetos para oferecer atendimento às pessoas afetadas pela violência no nordeste do país, como em Kabo, Batangafo, Boguila, Markounda, Maïtikoulou, Paoua e Bocaranga.

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