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Rep. Democrática do Congo: violência ameaça vidas em Katanga

21/02/2013
O receio de buscar cuidados de saúde em meio aos conflitos causa graves consequências para as pessoas atendidas, tardiamente, por MSF

Conflitos entre as forças do governo e as milícias Mai-Mai na província de Katanga, na República Democrática do Congo, levaram milhares de pessoas a deixarem suas casas e centenas a buscarem refúgio no hospital da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) em Shamwana.

Nas últimas semanas, cerca de 500 pessoas têm habitado o terreno onde fica o hospital de MSF. Após terem sido identificados a dificuldade de se manter níveis satisfatórios de higiene e o receio de surtos de doença por conta da situação, a equipe médica convenceu os habitantes remanescentes da cidade a se mudarem para além do complexo hospitalar.

“Os habitantes desta região estão aterrorizados”, disse o Dr. Thomas Mollet, de MSF, em Shamwana. “Estamos cercados por vilarejos abandonados e observamos uma redução do número de pacientes no hospital. As pessoas fugiram e não se arriscam a procurar tratamento médico. Estão com muito medo.”

As atividades móveis de MSF na região do entorno foram afetadas pelos conflitos. Alguns enfermeiros congoleses a serviço de MSF foram obrigados a deixar seus postos de trabalho para fugir com a população para o meio do mato. Os centros de saúde de MSF em Monga e Kishale foram saqueados e os painéis solares arrancados do teto. A equipe está se esforçando para entregar medicamentos aos postos de saúde remanescentes na área.

Diversos pacientes encaminhados com urgência das clínicas de saúde não conseguiram chegar até o hospital.

Frequentemente, as consequências médicas são graves quando as pessoas não têm acesso a cuidados de saúde essenciais. Na última semana, uma criança foi vítima de malária grave após sua chegada ao hospital ter sido prejudicada por um bloqueio na estrada.

“Estamos atendendo pacientes que chegam aqui em estágios bastante avançados, comumente em condições de risco de morte e precisando de cuidados de emergência”, conta Dr. Mollet. “Um dos primeiros casos que atendemos foi uma gestante em trabalho de parto há dias, mas que estava com muito medo de viajar quando as complicações tiveram início. O bebê morreu antes que ela pudesse chegar até nós, mas foi possível salvar sua vida.”
 
Médicos Sem Fronteiras administra um hospital de referência na cidade de Shamwana desde maio de 2006, oferecendo cuidados de saúde gratuitos aos habitantes de Kiambi, Mitwaba e Kilwa. As equipes médicas tratam malária, tuberculose, HIV/Aids e desnutrição, além de prestarem serviços de saúde reprodutiva, cuidados de saúde mental e cirurgia de emergência.

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