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RDC: MSF denuncia os atos de violência perpetrados contra a população civil em Masisi

02/10/2013
Equipes ainda tentam avaliar a escala dos ataques e o número de feridos. Muitos habitantes dos povoados fugiram para a região de mata, com medo de outros ataques

Grupos armados fizeram uma investida, dia 27 de setembro de 2013, na região de Osso-Banyungu, no território de Masisi, em Kivu do Norte, na República Democrática do Congo (RDC). Os ataques contra os civis também ocorreram nos povoados de Butemure, Lwibo, Bikudje, Majengo e Katiri. Médicos Sem Fronteiras (MSF) organizou imediatamente clínicas móveis para prestar atendimento emergencial às pessoas afetadas por esses atos violentos e está apelando aos grupos armados para respeitarem a população civil, de acordo com a lei humanitária internacional.

Dezenas de vítimas foram atacadas, incluindo mulheres e crianças. Registros dão conta de diversas pessoas feridas. É difícil confirmar o número de mortos, feridos e desaparecidos, pois muitos habitantes dos povoados fugiram para a região de mata, com medo de outros ataques. Uma mulher contou: “Ouvi os vizinhos gritando que o exército estava chegando. Corri para o campo para me unir ao meu marido. Mas, quando cheguei lá, não consegui encontrá-lo em parte alguma. Tudo que achei foi seu chapéu e ferramentas manchadas de sangue”. Outras pessoas contaram aos profissionais de MSF que 46 crianças e 3 professores tinham sido sequestrados depois que a escola foi incendiada.

Durante a invasão armada, uma ponte foi destruída enquanto os habitantes tentavam atravessá-la para fugir. Um morador de Lwibo nos relatou: “Vi meu pai cair da ponte. Homens armados usaram machetes para destruir as últimas cordas que sustentavam a ponte. Antes disso, no platô, eles degolavam os homens antes de atirá-los na água”.

No dia seguinte ao ataque, MSF tratou de mais de 80 pacientes no povoado de Lwibo e atendeu 9 vítimas de violência sexual. Uma equipe também visitou o povoado de Bikudje, onde duas pessoas ficaram feridas e outras trinta estão desaparecidas. As equipes de MSF ainda tentam avaliar a escala desses ataques e o número de homens e mulheres feridos, com o objetivo de adaptar suas respostas médicas. “O acesso a muitos povoados é exclusivamente a pé, temos medo de chegar lá tarde demais. Seja como for, já está claro que foram praticados atos de violência contra civis e não podemos ficar calados diante disso”, afirma Bertrand Perrochet, Coordenador Geral de MSF na RDC. “Os grupos armados presentes na região devem respeitar as populações civis, de acordo com o direito internacional humanitário”, ele acrescenta.

O território de Masisi é palco de violência recorrente e permanente insegurança, forçando as pessoas a fugirem de seus povoados. Em agosto, estima-se que mais de um milhão de pessoas deslocadas internamente tenham ido para Kivu do Norte.

Desde 2007, MSF apoia e oferece atendimento de saúde gratuito primário e secundário para o hospital geral de referência de Masisi. Entre janeiro e agosto de 2013, MSF atendeu mais de 8.800 pacientes, realizou 1.717 operações cirúrgicas e mais de 86 mil consultas. MSF também desenvolve clínicas móveis na região para atender às necessidades crescentes.

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