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RDC: Epidemia de sarampo em tempos de guerra

23/11/2009
Campanhas de vacinação organizadas por MSF enfrentam dificuldades de acesso e problemas gerados por conflitos

Uma epidemia de sarampo está atualmente acontecendo nos distritos de Miandgja, Ngomashi e Lwibo na região de Masisi, no lado leste da República Democrática do Congo (RDC). Existem centenas de milhares de crianças que não foram imunizadas contra a doença vivendo nessas áreas. Médicos Sem Fronteiras (MSF) lançou, portanto, uma campanha emergencial de vacinação em larga escala e já tratou de 130 crianças que contraíram sarampo.

Mais de mil casos de crianças com sarampo foram registrados na região desde o início deste ano, e já houve 85 mortes até o momento. Entretanto, este número pode crescer, uma vez que as complicações da doença podem levar à morte algumas semanas após a infecção.  

MSF vacina pessoas em risco    

Surtos de sarampo podem ser particularmente mortais em países em guerra. Em algumas partes de Masisi, os serviços de saúde não podem oferecer vacinação sistemática por causa dos riscos de segurança. Além disso, a concentração de um grande número de famílias que fugiram em busca de refúgio e que agora estão vivendo em campos lotados aumenta consideravelmente o risco de infecção.     

MSF está, portanto, apoiando o sistema de saúde assegurando que pacientes infectados com sarampo possam ser isolados e recebam seus remédios a tempo. Equipes médicas estão focalizando os casos mais severos: aqueles que desenvolveram complicações como infecções respiratórias, diarreia, desidratação ou desnutrição.   

Enquanto isso, equipes estão vacinando todas as crianças entre as idades de seis meses e 15 anos em 32 postos de saúde. Essa é uma campanha de larga escala, mais de 165 mil crianças foram vacinadas entre 14 e 29 de outubro de 2009. Entretanto, esse número poderia ter sido ainda maior. Em 17 de outubro, sete pontos de vacinação nas áreas de Ngomashi e Kimua foram apanhados em uma ofensiva das forças governamentais contra as Forças Democráticas de Libertação de Ruanda (FDLR). Tanto os pacientes como as equipes médicas foram forçados a abandonar o local. Desde então, as atividades chegaram a um impasse nesse terreno particularmente volátil.   

Áreas de difícil acesso    

Muitas pessoas que vivem em áreas difíceis de difícil acesso ainda tem pouco ou nenhum acesso a serviços primários de saúde.  

 “A epidemia de sarampo é abundante em todos os lugares, e algumas das aldeias são de difícil acesso por carro. Masisi é uma área montanhosa”, explica José Kishimba, o chefe de uma das equipes de vacinação de MSF.   

“Nós temos que nos adaptar e ser inventivos”, diz John Kiumbe, um logístico de MSF. “Nós precisamos usar motos, ou carregar tudo que precisamos até as aldeias a pé. Nós estamos no meio da seção de chuvas, o que traz ainda mais dificuldades para conduzir essa campanha de vacinação.”  

 Sarampo, uma doença mortal    

 “O sarampo é uma doença altamente contagiosa, e mata um grande número de crianças aqui a cada ano”, explica Fabrizio Ferri, chefe das atividades médicas de MSF em Masisi. “As formas mais severas da doença aparecem em crianças novas e desnutridas. A criança não morre diretamente de sarampo, mas das suas complicações como encefalia, diarreia severa e pneumonia. É por isso que estamos adicionando suplementos de vitamina A nas vacinas de sarampo, e estamos monitorando o status nutricional dos pacientes durante a campanha”.

Não existe atualmente tratamento específico para essa infecção viral e vacinação é o melhor tratamento preventivo que existe.

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