Você está aqui

Psiquiatra brasileira coordena projeto de saúde mental de Médicos Sem Fronteiras em Uganda

01/03/2007
Em novo Diário de Bordo, a paulista Carla Kamitsuji conta como está sendo seu primeiro trabalho com MSF

Aos 30 anos, a psiquiatra paulista Carla Satie Kamitsuji partiu em sua primeira missão com Médicos Sem Fronteiras (MSF). Recrutada pela equipe da organização no Brasil, no fim de 2006, Carla viajou no início deste ano para Uganda, onde trabalhará por nove meses. A partir deste mês, será possível acompanhar o trabalho da médica em seu 'Diário de Bordo'.

A psiquiatra coordenará a implantação de um programa de saúde mental em um centro de atendimento no subcondado de Attiak, que fica dentro de um campo de deslocados internos no norte de Uganda, a 30 quilômetros do Sudão. "Com certeza será um desafio, ainda mais na psiquiatria, considerando-se a barreira da língua e diferenças culturais. Mas estou animada e motivada", afirma a médica brasileira.

Formada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em 2002, Carla conta que há tempos já sonhava em fazer parte da equipe de MSF. "Conheci o trabalho de Médicos Sem Fronteiras através de uma reportagem sobre a organização, publicada quando MSF ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1999".

Em novembro do ano passado, Carla participou do recrutamento realizado no Rio de Janeiro. Em dois meses, foi escalada para a primeira missão. "Tudo aconteceu mais rápido do que eu imaginava, mas recebi todo apoio e informações da recrutadora no Brasil", lembra a psiquiatra.

Mesmo com pouco tempo para se preparar para a viagem, a psiquiatra não abriu mão de ler sobre o país antes de embarcar. "Informei-me ao máximo sobre o país, conversando com pessoas que já trabalharam com MSF e com pessoas da organização", diz.

Para os profissionais que, como ela, sonham entrar para Médicos Sem Fronteiras, Carla dá um conselho: "Procure se informar sobre a organização, conversar com pessoas que já trabalharam ou trabalham com a ONG. A certeza de que você realmente serve para o trabalho humanitário só será possível após experimentá-lo. Por isso, vale a pena tentar", defende.