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Primeiro projeto com equipe móvel de cirurgia para TB

15/05/2013
Seis pacientes com tuberculose resistente a medicamentos já foram beneficiados por MSF em Yeravan, na Armênia

Uma equipe móvel de tuberculose (TB) da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) realizou - com sucesso - um projeto de cirurgia que beneficiou seis pacientes com tuberculose resistente a medicamentos (DR-TB) em Yeravan, na Armênia.
 
A cirurgia para remoção de parte do pulmão, ou de todo o órgão, afetado pela doença costumava ser essencial na época pré-quimioterapia. Nos anos 1960, o desenvolvimento de novos medicamentos antituberculose contribuiu para a melhora dos resultados do tratamento e, consequentemente, reduziu o uso de cirurgias.
 
No entanto, diante da emergência relacionada à tuberculose multirresistente (MDR-TB) e à tuberculose ultrarresistente (XDR-TB) nos últimos anos, restaram chances mínimas de recuperação para alguns pacientes, se tratados somente com a medicação. A cirurgia de TB ressurgiu, portanto, como uma ferramenta adicional no combate a essa doença fatal.
 
Limitações e desafios
Além de tratar os pacientes que precisam urgentemente de operação, o principal objetivo do projeto de cirurgia foi melhorar, de forma geral, a capacidade do hospital nacional de TB da Armênia, incluindo a introdução de procedimentos cirúrgicos e a disponibilização de técnicas de última geração à equipe local, além de melhorar os cuidados de enfermagem e de pós-operatório.
 
As principais limitações que impedem as autoridades da Armênia – e de vários outros países do mundo – de conduzirem de forma efetiva esse tipo de cirurgia envolvem a falta de equipamentos de cirurgia modernos, de medidas para controle de infecção e de profissionais com experiência nos protocolos e procedimentos mais recentes.
 
MSF negociou com outros atores, como o Banco de Desenvolvimento Alemão (KfW) e a GOPA (uma consultoria de desenvolvimento que foi envolvida na criação de capacidade dos serviços de TB no países ao sul do Cáucaso), para dar suporte ao Ministério da Saúde local na modernização do departamento de cirurgia de TB, e ofereceu expertise médica, alguns equipamentos e profissionais para conduzirem a cirurgia.
 
“As cirurgias de TB são procedimentos complexos que requerem equipes altamente especializadas com anos de prática nos procedimentos e técnicas mais recentes”, afirma a coordenadora geral de MSF na Armênia, Annabelle Djerbi. “Realizando os procedimentos em conjunto com uma equipe internacional e multidisciplinar composta por cirurgiões especializados em cirurgia torácica, anestesistas, enfermeiros de centro cirúrgico e um fisioterapeuta torácico, a equipe local se beneficia da experiência de profissionais originais de países que desenvolveram competências em cirurgia torácica. Essa foi uma oportunidade de valor inestimável para o desenvolvimento de habilidades em procedimentos e protocolos atuais.”
 
O planejamento foi a chave para o sucesso do projeto de cirurgia. Bem antes da chegada da equipe móvel de cirurgia, um comitê multidisciplinar composto por MSF e membros do Ministério da Saúde planejou meticulosamente todo o processo, inclusive a seleção de pacientes para as cirurgias e tudo mais que seria necessário nas semanas que se seguiriam ao procedimento.
 
Recuperando a vida

Embora somente a cirurgia não possa curar pacientes com TB ou mesmo reduzir sua necessidade por anos de tratamento tóxico à base de medicamentos que estão atualmente indisponíveis, em alguns casos, o procedimento pode melhorar significativamente as chances de o tratamento funcionar – particularmente para pacientes que já não têm outras opções.
 
Um dos pacientes beneficiados com a visita da equipe móvel foi diagnosticado com MDR-TB em 2010. Após três anos de hospitalização tratando-se diariamente, sua condição não melhorou e ele continuou no estágio contagioso da doença. Além de não ter chances de ser curado, a fase contagiosa o manteve distante de sua família e amigos.
 
“Foi muito difícil para ele não conseguir enxergar uma luz no fim do túnel. Ele reclamava de não poder nem mesmo abraçar seus netos”, conta Djeribi. “O projeto de cirurgia foi um grande alívio para ele, que agora pode vislumbrar a possibilidade de, finalmente, voltar para casa.”
 
Após o sucesso da iniciativa, a equipe móvel de cirurgia de MSF pretende realizar outras visitas à Armênia para continuar contribuindo para a melhora das habilidades e capacidade da equipe local, ao mesmo tempo em que oferece aos pacientes uma chance de recuperarem suas vidas.