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Populações isoladas na Colômbia são atendidas por clínicas móveis de MSF

14/11/2003
As oito clínicas móveis de MSF têm capacidade para atender mais de 250.000 pessoas por ano. Segundo o brasileiro Antônio da Silva, Coordenador Geral de MSF em Cali, além das vítimas diretas da violência, MSF oferece ajuda à população excluída e isolada.

“Em apenas um dia nós atendemos 400 pessoas que não viam um médico havia três anos,” disse Vikki Stienen, Coordenadora Geral de MSF em Bogotá, que acaba de retornar de uma campanha de saúde numa área controlada por um grupo armado no Estado de Cundinamarca. “Estamos aqui para oferecer assistência básica a saúde, sem levar em consideração quem controla a região.”

A equipe de MSF, que compõe a clínica móvel, viajou cinco horas pelo interior da Colômbia, repetindo uma tarefa que a equipe realiza toda semana. Nesta viagem, eles visitaram quatro cidades em quatro dias. As visitas são realizadas em coordenação com o hospital local.

MSF tem oito clínicas móveis funcionando por semana, oferecendo cuidados básicos de saúde em 10, das 32 áreas administrativas da Colômbia.

As equipes passam cinco dias da semana na estrada levando assistência à saúde à população empobrecida e excluída. Em alguns casos, para chegar a cidades mais distantes, os profissionais de MSF precisam usar barcos ou cavalos.

No estado de Nariño, na costa do Pacífico, a equipe de MSF pega um barco toda segunda-feira e sobe o rio oferecendo cuidados básicos de saúde para as comunidades ribeirinhas. Este ano, MSF reestruturou duas unidades de saúde que ficam na margem do rio e que agora funcionam de forma independente.

As clínicas móveis têm capacidade para tratar mais de 250.000 pessoas por ano – todas elas sem nenhum acesso a cuidados de saúde. A maioria dos casos tratados é de malária, leishmaniose, parasitoses, desnutrição crônica e hipertensão.

A guerra diária por terra entre diferentes grupos armados impede que as pessoas que vivem em áreas rurais ou em comunidades isoladas tenham acesso às estruturas de saúde. As estradas colombianas são controladas pelas ‘guerrilhas’, por paramilitares e pelo exército – e as unidades de saúde podem ficar a muitas horas a pé.

Cruzar as barreiras é bastante difícil para a população local, já que os grupos armados podem suspeitar que muitos deles sejam de outras facções. Além disso, as ameaças sofridas por hospitais tornam difícil organizar as equipes médicas.

Muitas vezes, as equipes móveis de MSF são paradas nessas barreiras pelas mesmas forças armadas que impedem a população local de chegar aos hospitais.

O sistema de saúde na Colômbia é mais uma vítima do contínuo conflito que assola o país. A situação fica ainda pior devido às estruturas inadequadas que excluem os mais pobres e os deslocados.

“MSF está levando assistência à saúde a vítimas diretas da violência, mas também a vítimas da violência estrutural que exclui os mais necessitados,” declarou o brasileiro Antonio da Silva, Coordenador Geral de MSF em Cali.

Em áreas para recebimento dos deslocados internos, como Soacha, nos arredores de Bogotá ou Quibdó, no estado de Chocó, na costa do Pacífico, MSF não está apenas oferecendo assistência à saúde, mas ajudando os municípios com a inclusão das pessoas mais vulneráveis nos serviços sociais.

“MSF tenta ajudar as pessoas que o governo parece esquecer que existem – como os deslocados ou os habitantes de áreas isoladas – oferecendo assistência à saúde, e até mesmo informando os profissionais de saúde sobre os seus direitos durante um conflito,” disse Stienen.

Quase 40 profissionais internacionais de MSF estão trabalhando atualmente na Colômbia. A maior equipe de MSF na América Latina. MSF está tentando melhorar o acesso aos cuidados de saúde, que é dificultado pela constante violência nas áreas rurais. MSF também oferece assistência à saúde para deslocados e pessoas vulneráveis em áreas urbanas como Soacha, enquanto os ajuda a serem incluídos nos serviços públicos sociais. MSF também trata das conseqüências físicas e psicológicas da violência urbana em Cali.

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