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População da Costa do Marfim encurralada no conflito

17/03/2011
MSF alerta que a intensificação dos confrontos armados e o impasse político estão tendo graves consequências para a população do país

A intensificação de conflitos armados, nas últimas semanas, e o impasse político na Costa do Marfim têm tido sérias consequências para a população do país, disse hoje a organização médico-humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF).

Os conflitos levaram a novos deslocamentos de pessoas na capital, Abdijan, e na região oeste do país. A insegurança e a escassez de recursos provocada por sanções internacionais dificultaram o acesso a cuidados médicos para as vitimas da violência e todos os demais necessitados.

Apenas um hospital continua funcionando normalmente no distrito de Abobo, em Abdijan, onde vivem cerca de dois milhões de pessoas. A violência na região forçou a maioria dos funcionários dos outros dois hospitais da região a fugirem. Desde o final de fevereiro, Médicos Sem Fronteiras está colaborando com o Ministério da Saúde para oferecer tratamentos de emergência no Hospital de Abobo Sul.

"Em duas semanas, tratamos 129 pessoas nas salas de emergência, incluindo 91 casos de ferimentos por arma de fogo ou facas, e tivemos de operar em 31 casos graves", disse o coordenador de emergências de MSF Dr. Mego Terzian. Além disso, MSF ampliou o número de leitos no hospital, passando de 12 para 20, para tentar responder ao aumento do fluxo de feridos.

No entanto, as pessoas estão com medo de sair de casa para buscar cuidados médicos no hospital. Andar na cidade é perigoso devido aos confrontos e à presença de bloqueios nas ruas, erguidos por jovens carregando armas e facões. A insegurança também levou muitas pessoas a fugir. Nas últimas semanas, pessoas deslocadas em Abdijan montaram aproximadamente 20 acampamentos, onde as condições de saúde são incertas.

Os conflitos também causaram grandes movimentos de população no lado ocidental do país, com mais de 82 mil pessoas procurando refúgio na Libéria, país vizinho, dentre os quais 45 mil nas últimas três semanas.

Desde dezembro de 2010, equipes de MSF vêm trabalhando na Libéria e no oeste da costa do Marfim, onde estão oferecendo cuidados primários de saúde em estruturas abandonadas por equipes médicas locais e que sofrem com a falta de remédios. O recente recomeço dos conflitos piorou ainda mais a situação da população.

Equipes de MSF na Costa do Marfim estão prestando assistência a pessoas deslocadas e residentes nas cidade de Duékoué e Guiglo, e se preparam para oferecer cuidados também em Bangolo e Zouan-Hounien. No entanto, a instabilidade dificulta o acesso às populações deslocadas, especialmente em áreas próximas à frente de batalha.

"Neste contexto onde há um grande número de pessoas deslocadas e o acesso a cuidados de saúde é difícil, é importante que nossas equipes consigam chegar às pessoas, especialmente para que possam conduzir o monitoramento de epidemias" disse Renzo Fricke, coordenador de emergências de MSF.

Mas os conflitos armados não são o único obstáculo aos tratamentos. Sanções comerciais e financeiras impostas pela comunidade internacional contra a Costa do Marfim, aliadas a problemas de transporte, causaram a escassez de remédios e suprimentos médicos. Instalações de saúde em diversas regiões do país sofrem com a falta de remédios básicos e materiais para tratamento de doenças crônicas e agudas, especialmente para diálises.

Apesar de não poderem suprir todas as necessidades no país, as doações de remédios e suprimentos médicos feitas por MSF a vários centros de saúde são fundamentais.

MSF é uma organização médico-humanitária internacional estritamente neutra em suas operações. Suas atividades na Costa do Marfim são financiadas exclusivamente por doadores privados, o que assegura sua total independência.

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