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Para acabar com epidemia de sarampo na RDC, é preciso mais e melhores vacinas

27/02/2014
Em 2013, MSF vacinou mais de 1,1 milhão de crianças no país, mas, para a organização, é preciso concentrar mais esforços para vencer a epidemia

A República Democrática do Congo (RDC) enfrenta uma epidemia de sarampo desde 2010. Por todo o país, equipes da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) estão conduzindo campanhas de vacinação para crianças com idades entre seis meses e 15 anos e tratando pessoas com a doença. MSF pede melhores rotinas de vacinação e campanhas para erradicar a epidemia e que os atores de saúde mantenham cobertura suficiente no país para reduzir o número de mortes causadas por essa doença passível de prevenção.

Desde o início da epidemia, em 2010, mais de 4.500 pessoas na RDC, principalmente crianças com menos de cinco anos, foram vítimas da doença. De acordo com a pesquisa em retrospectiva sobre a mortalidade realizada pelo centro de pesquisa epidemiológica de MSF, o Epicentre, em Aketi, Bas-Uéle, na província de Orientale, 35% das crianças com menos de cinco anos contraíram sarampo entre dezembro de 2012 e outubro de 2013. Desse total, 7% morreram. MSF tratou cerca de 11.780 pessoas na região.

O sarampo pode ser fatal para crianças se não for tratado, embora a doença possa ser evitada com a vacina. Mas as campanhas de vacinação de rotina não tiveram alcance suficiente para acabar com a epidemia, e as campanhas de recuperação são insuficientes. “Ainda que alguns esforços tenham sido feitos em 2013 para melhorar a qualidade das campanhas de vacinação, isso não está nem próximo de ser satisfatório, e ainda há muitas deficiências. Mais recursos financeiros precisam ser despendidos para que mais pessoas sejam vacinadas durante todo o ano, tanto nas campanhas de recuperação quanto nas de rotina”, explica o Dr. Kyroussis, coordenador médico de MSF.

“Todos os recém-nascidos deveriam ser vacinados antes de completarem um ano, mas eles precisam também receber uma segunda dose da vacina, sem a qual podem não estar completamente protegidos da doença. No momento, na RDC, isso só pode ser feito por meio de campanhas de recuperação. Por isso, é necessário organizar campanhas de regulares como parte da estratégia de eliminação do sarampo no país. Isso é vital”, afirma o Dr. Kyrousis.

A qualidade das campanhas de vacinação é também fator fundamental para garantir que crianças sejam vacinadas de forma efetiva. As campanhas precisam ser realizadas com a capacidade logística adequada – a cadeia de frio necessária para manter as vacinas nas temperaturas corretas. As atividades de vacinação devem ser planejadas de forma apropriada, respeitando as especificidades de cada zona de saúde; o prazo necessário para a realização da atividade, por exemplo, deve ser definido de acordo com o tamanho e a complexidade da área.

Para enfrentar a epidemia que tem se alastrado pelo país desde 2010, MSF vacina pessoas nas 11 províncias da RDC. Em 2013, a organização vacinou mais de 1,1 milhão de crianças com idades entre seis meses e 15 anos. As equipes de MSF trataram cerca de 30 mil pacientes com a doença, sendo a maioria crianças, mas, também, alguns adultos. MSF está atuando principalmente nas áreas onde a epidemia foi reportada, mas também realizou campanhas de vacinação preventiva entre as pessoas deslocadas, que estiveram em diversas regiões do país.