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Paquistão: milhões fugindo da violência lotam abrigos na Província da Fronteira Noroeste

18/06/2009
Falta de segurança na região é obstáculo para as operações de assistência às famílias deslocadas, cujas necessidades são enormes

Mais de dois milhões de pessoas fugiram de suas casas por causa dos recentes surtos de violência na Província da Fronteira Noroeste, no Paquistão. Cerca de 80% delas vive agora com famílias anfitriãs ou assentamentos improvisados em escolas, mesquitas e prédios abandonados, inicialmente no distrito de Mardan. Em algumas casas, vivem até 50 pessoas desalojadas em apenas um recinto. Por causa da falta de espaço, mulheres e crianças dormem dentro de casa e homens dormem fora, ou as pessoas dormem em turnos.

MSF está oferecendo assistência de saúde e emergência para a população deslocada, mas a necessidade é enorme e a falta de segurança na região é seriamente restritiva às operações de ajuda.

“Nós estamos focando nas áreas onde há altas concentrações de famílias desalojadas, já que não temos capacidade de suprir as necessidades de todas as pessoas em todos os lugares”, disse Eymeric Laurent-Gascoin, coordenador de terreno de MSF em Peshawar.

“Mas nós estamos sendo muito limitados pela situação da segurança. Idealmente, nós teríamos múltiplas equipes médicas móveis e em locais afastados, identificando necessidades e conduzindo distribuições e consultas médicas. No entanto, não podemos aumentar o número de nossas equipes e viajar livremente pela região em um ambiente de segurança tão volátil. Nós sabemos que os desalojados que encontramos recebem ajuda de qualidade, mas parece uma gota em um oceano, comparado ao número enorme de pessoas que fugiram da guerra.”

As unidades de saúde locais estão se esforçando para lidar com o grande fluxo de pessoas precisando de assistência médica. Admissões de pacientes e consultas em alguns hospitais aumentaram em até 100%, e um grande número deles precisa de tratamento urgente ou para ferimentos relacionados à guerra. MSF está ajudando a aumentar a assistência médica de emergência e capacidade de transferência em Mardan, Baixo Dir e Malakand.

“Existe um número crescente de organizações oferecendo suporte a estruturas de saúde primária no distrito de Mardan, mas a população também precisa de hospitais de referência funcionais com serviços de emergência 24 horas”, disse Fabien Schneider, chefe de missão de MSF.

No dia 4 de junho, MSF montou uma ala de 40 leitos e começou a trabalhar no departamento de emergência no Complexo Médico de Mardan. A equipe tratou 94 pacientes, incluindo 21 com ferimentos relacionados à guerra, nos primeiros dez dias de atividade. MSF também está oferecendo assistência médica emergencial no centro de saúde rural de Takht Bhai e está operando no serviço de ambulância para transferir casos graves a hospitais da região que recebem suporte da organização.

No Baixo Dir, a equipe de MSF está oferecendo assistência emergencial no Hospital Distrital de Timurgara, Sammer Bagh e Munda. No hospital distrital, uma média de 700 pessoas recebem tratamento na emergência por semana. No mês passado, 128 pessoas, predominantemente do Vale do Swat, apresentavam ferimentos relacionados à guerra e foram tratadas. Em outras duas unidades de saúde, cerca de 400 pacientes são tratados por semana.

Na vizinhança do distrito de Malakand, uma equipe de MSF está trabalhando nos departamentos de emergência, cirurgia e obstetria do hospital de Dargai. A equipe cirúrgica realiza cem operações por mês e 35 partos por semana.

Há um crescente risco de epidemias na região devido à superlotação, aumento de temperatura e falta de acesso à saúde básica, particularmente nas áreas rurais, onde existem poucais clínicas funcionando. Estima-se que 60 mil mulheres grávidas estejam entre os dois milhões de deslocados. Equipes de MSF estão oferecendo pré-natal para mulheres e centros de saúde pediátricos em dois assentamentos e 14 outras áreas onde vivem famílias deslocadas. Uma média de três mil consultas são conduzidas por semana nos distritos de Mardan, Baixo Dir, Peshawar, Charsadda e Manshera.

“Sarna, infeccções no trato respiratório e dores no corpo em geral são os problemas de saúde mais comuns que temos visto até agora”, disse Anja Braune, uma enfermeira de MSF responsável pelas atividades de saúde básica ao redor de Peshawar. “Crianças com menos de cinco anos e mulheres grávidas são particularmente vulneráveis. Eu encontro pacientes que precisam de tratamento médico todos os dias, mas acima de tudo existe uma necessidade enorme, especialmente entre as mulheres, de falar sobre os traumas que eles viveram enquanto fugiam da violência”.

MSF também está distribuindo itens de emergência, incluindo tendas, colchões, cobertores, kits de higiene e de cozinha, para famílias deslocadas em Mardan, Peshawar e Baixo Dir. Em maio, mais de dois mil kits de emergência básicos foram distribuídos para famílias desalojadas. MSF também está gerenciando três assentamentos no Baixo Dir e em Mardan, cobrindo a maioria das necessidades básica, como abrigo, distribuição de itens de ajuda humanitária, água e unidades de saneamento para 11 mil pessoas.

MSF também conduz programas médicos no Baluquistão, Agência Kurram, e no distrito de Manshera. No Paquistão, MSF não aceita doações de nenhum governo ou agência doadora e confia exclusivamente nas doações privadas de pessoas em geral para realizar esse trabalho.

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