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Panorama das atividades de MSF relacionadas à crise síria

02/12/2013
Organização atende sírios no norte do país e em países vizinhos, mas ainda não obteve autorização do governo para atuar por toda a Síria

Após mais de dois anos e meio do conflito extremamente violento na Síria, a situação está se tornando cada vez mais terrível para milhões de pessoas. A ajuda está drasticamente aquém do necessário. O sistema de saúde, que funcionava bem, colapsou, deixando muitos sem acesso aos serviços básicos de saúde, e o programa de vacinação rotineira foi interrompido, deixando milhares de crianças desprotegidas. As pessoas estão sofrendo, não apenas devido às consequências diretas da guerra – bombas e ferimentos à bala –, mas, também, por terem que abandonar suas casas e pertences, além de terem suas vidas normais e tratamentos interrompidos. As pessoas deslocadas estão vivendo em campos provisórios ou acomodações superlotadas, onde as condições sanitárias são péssimas. A escassez de alimentos é comum, e o fornecimento de água e eletricidade está interrompido.


Na Síria
MSF está operando seis hospitais provisórios e dois centros de saúde em território sírio. De junho de 2012 até o momento, essas equipes realizaram 102.828 consultas médicas (sendo que mais de 40 mil delas relacionadas a emergências), 4.899 cirurgias e assistiram 1.516 partos de forma segura. As equipes também estão gerindo programas de clínicas móveis em algumas regiões onde as condições de segurança permitem, e estamos administrando amplos programas de vacinação rotineira para crianças nas áreas onde estamos atuando. Além dos feridos de guerra, atendemos muitos pacientes com doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, que não conseguem mais ter acesso a seus tratamentos regulares e dependem dos serviços médicos de MSF para evitar que fiquem gravemente doentes.

Nas regiões onde MSF não pode trabalhar diretamente, temos um extenso programa de suporte remoto para as redes médicas sírias, tanto em áreas controladas por grupos de oposição, como pelo governo. Por meio desse programa, estamos auxiliando 30 hospitais e 60 postos médicos em sete províncias. Em média, cerca de três toneladas de suprimentos médicos ou itens de primeira necessidade – como cobertores, colchões, sabonete ou utensílios de cozinha – estão sendo fornecidos todos os dias pelo programa.

MSF na Síria (de junho de 2012 ao final de outubro de 2013)
Consultas de emergência – 40.052
Consultas de emergência – 40.052
Consultas ambulatoriais – 62.776
Procedimentos cirúrgicos – 4.899
Partos – 1.516
Crianças vacinadas contra o sarampo durante campanha de emergência – 75 mil (abril a junho/2013)
Atualmente, há 718 profissionais internacionais e sírios trabalhando com MSF na Síria

Refugiados sírios em países vizinhos
De acordo com estimativas oficiais, mais de 2 milhões de refugiados sírios estão registrados ou esperando registro nos países vizinhos à Síria. Mas o número real pode ser muito maior. Comparado à Síria, o acesso e a segurança são muito melhores nos países vizinhos, apesar da resposta humanitária à crise dos refugiados permanecer inadequada.

Hoje, os recursos desses países estão no limite. A Jordânia e o Líbano praticamente atingiram seus limites para atendimento das necessidades básicas do crescente número de refugiados. As lacunas nos serviços de saúde continuam a expandir, enquanto o financiamento diminui.

MSF está realizando consultas médicas - saúde primária e vacinação, além de saúde mental - e distribuindo itens de primeira necessidade para os refugiados no Iraque, Jordânia e Líbano.

No Iraque, há mais de 200 mil refugiados sírios. A maioria das pessoas que chega pelo norte veio de áreas tradicionalmente curdas da Síria, em busca de segurança no Curdistão iraquiano. O principal ponto de passagem de fronteira para o Curdistão iraquiano foi fechado em maio e reaberto em 15 de agosto. Desde então, mais de 60 mil refugiados atravessaram a fronteira para a região curda do Iraque. No dia em que ela foi reaberta, estima-se que 7 mil sírios tenham cruzado a fronteira. Desde meados de setembro, uma parte considerável da fronteira foi fechada, com pequenas janelas de oportunidade para os refugiados atravessarem de tempos em tempos.

MSF está oferecendo serviços de saúde ambulatorial, consultas de saúde mental e engenharia para água e saneamento em diversas localidades para os refugiados no Iraque, notadamente nos campos de Domeez e Kawargosk, e também nos campo de refugiados e de transição nas províncias de Dohuk, Erbil e Sulaymaniya.

MSF no Iraque (até o fim de outubro de 2013)
Total de consultas, incluindo sessões de saúde mental – 152.831
Atualmente, 145 profissionais internacionais e iraquianos estão trabalhando com MSF em atividades voltadas para refugiados.

Na Jordânia, há mais de 550 mil refugiados sírios. A maioria está vivendo fora dos campos, pressionando os serviços existentes e aumentando os preços (comida, moradia), tanto para os cidadãos jordanianos como para os refugiados. O sistema de saúde jordaniano está cada vez mais sobrecarregado, com um influxo contínuo de refugiados e feridos vindos da Síria.

MSF fechou seu projeto de hospital pediátrico no campo de refugiados de Zataari, uma vez que outros agentes de saúde já estão aptos a atender às necessidades de saúde no campo. No entanto, MSF mantém alguma presença no acampamento para avaliar as necessidades de saúde e responder a quaisquer falhas futuras. Em setembro, MSF iniciou um projeto de cirurgia de emergência dentro do hospital do Ministério da Saúde em Ramtha, próximo à fronteira síria. A organização conduziu mais de 230 cirurgias vitais em mais de 125 feridos de guerra vindos da Síria, incluindo amputações múltiplas e pacientes com graves feridas abdominais, peitorais e ortopédicas. Em Amman, o hospital de cirurgia reconstrutiva de MSF continua a receber uma alta proporção de sírios feridos. A equipe oferece cirurgia ortopédica, maxilo-facial e plástica para vítimas de violência, além de fisioterapia, suporte psicossocial e cuidados pós-operatórios, se necessários. Em Irbid, MSF acaba de começar a oferecer cuidados de saúde materna a refugiados que estão vivendo em meio a comunidade jordaniana, ao invés de nos campos de refugiados.

MSF na Jordânia (até o fim de outubro de 2013):
Consultas de emergência – 4.564
Consultas ambulatoriais – 15.814
Procedimentos cirúrgicos – 700
Atualmente, há 188 profissionais internacionais e jordanianos trabalhando com MSF em atividades voltadas para refugiados

No Líbano, há mais de 800 mil refugiados sírios. Isso sobrecarregou a capacidade de resposta das autoridades locais e uma assistência significativa foi demandada de organizações de ajuda humanitária. As tensões estão altas em algumas partes do Líbano, refletindo posicionamentos pró-governo ou pró-oposição entre os refugiados e comunidades libanesas.

As condições de vida estão piorando conforme mais e mais refugiados estão ficando em abrigos impróprios. Assentamentos de tendas informais, a maioria espalhados entre as regiões de fronteira no Vale do Bekaa e o norte do Líbano, são comuns e apresentam condições de água e saneamento preocupantes. Lacunas médicas crescentes para refugiados incluem o acesso a cuidados de saúde secundária, partos seguros no hospital e medicamentos para doenças crônicas, que têm sido cada vez mais difíceis de serem obtidos por refugiados.

MSF está prestando assistência aos refugiados por meio de consultas médicas gerais, que envolvem o tratamento de doenças crônicas agudas, imunização, cuidados de saúde reprodutiva e cuidados de saúde mental, bem como a distribuição de itens de primeira necessidade. As principais atividades de MSF estão concentradas no Vale de Bekaa; em Trípoli, no norte do Líbano, onde a maioria dos refugiados estão; e em Sauda e Shatila, onde a maioria dos palestinos da Síria estão reunidos.

MSF no Líbano (até o final de outubro de 2013)
Total de consultas, incluindo sessões de saúde mental – 91.046
Atualmente, 172 profissionais internacionais e libaneses trabalham com MSF em atividades voltadas para refugiados.