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Palestinos enfrentam obstáculos diários, segundo psicólogo de MSF

04/01/2015
MSF acompanhou uma família por dois anos, oferecendo cuidados de saúde mental

Por Mohammed Imter, psicólogo de MSF em Hebron

WadyLighrous é uma região localizada no leste da cidade de Hebron, onde vivem cerca de 4.500 pessoas. Esse enclave está situado entre dois assentamentos (KiryatArba e Kharsena), e há uma base militar ao longo da Rota 60. A área é considerada “C”, o que significa que ninguém é autorizado a construir novos prédios ou ampliar suas casas. Algumas casas foram demolidas por forças israelenses no passado e as pessoas que vivem ali estão enfrentando muitos obstáculos.

MSF acompanhou uma das famílias em meio ao sofrimento que enfrentaram nos últimos anos. Há dois anos, um psicólogo de MSF acompanha uma das garotas, de 17 anos, com sessões de terapia, e sua mãe, de 52 anos. Aos sete anos, a garota foi atacada a caminho da escola por um homem do assentamento que expôs suas partes íntimas e correu em direção a ela. Ela conseguiu escapar da violência física, mas, como resultado, desenvolveu graves problemas psicológicos, como agressividade, medo, pesadelos e preocupação constante. Ela largou a escola.

Outro filho, de 14 anos, era frequentemente surrado e detido pelo exército israelense em seu caminho para a escola. No ano passado, ele mudou de escola para evitar ter de enfrentar os oficiais nos pontos de controle, mas os soldados da base militar, próximo de sua casa, fizeram incursões muito violentas desde então, e o prenderam. Na ocasião, ele e seu pai apanharam. Em outubro, o garoto foi levado ao centro de detenção e foi mantido ali por seis horas, onde apanhou durante sessões de interrogatório. A mãe dele me ligou pedindo ajuda. Ela me explicou que ele chegava em casa com marcas em seu corpo, demonstrando medo, mas sem reclamações físicas mais graves. Entrei em contato com diversas organizações de direitos humanos para ajudar a família e também fiz uma visita domiciliar e ofereci primeiros socorros psicológicos ao menino e a sua mãe.

Depois de duas semanas, fiz o acompanhamento para verificar se eles precisariam de mais suporte psicológico, e descobri que a menina e a mãe precisavam de psicoterapia. A mãe sofre com preocupações constantes, além de tristeza e alto nível de estresse. Ela teme pelo bem-estar de sua família. Atualmente, um psicólogo de MSF está cuidando deles e os serviços são valorizados pela família.

O último incidente aconteceu recentemente. O avô, de 85 anos, ficou com hipertensão, diabete e Alzheimer. Ele apanhou diversas vezes do exército israelense. Em novembro de 2014, foram duas horas até que as autoridades israelenses permitissem a passagem da ambulância que o levava ao hospital no ponto de controle. Não foi fácil chegar ao hospital, uma vez que as estradas estavam bloqueadas. Dali para frente, sua saúde piorou constantemente até que ele finalmente faleceu em dezembro.

Por causa da violência em andamento, MSF avalia a situação na região regularmente e oferece apoio psicológico e social.
 

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