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Nigéria: MSF presta assistência a pessoas fugindo da violência e aumenta capacidade médica para o caso de violência eleitoral

30/01/2015
Organização está preparando plano de resposta de emergência para oferecer cuidados a feridos

Após o ataque do Boko Haram em 3 de janeiro em Baga, no Estado de Borno, no norte da Nigéria, 5 mil deslocados chegaram ao campo da “Vila do Professor” (Teacher Village, em inglês) em Maidaguri, capital do estado, onde a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) está prestando assistência. Nossas equipes também estão trabalhando no Níger, país vizinho, onde refugiados continuam chegando. Com o risco iminente de violência eleitoral, as equipes de MSF no sul da Nigéria estão preparando um plano de resposta à emergência.

A situação no nordeste da Nigéria continuou a se agravar ao longo dos últimos quatro anos. Em 2014, diversos ataques a bomba em Maiduguri mataram e feriram muitas pessoas. O Boko Haram atacou a cidade por duas vezes no ano passado e na noite de sábado do dia 24 de janeiro, atacou de novo. No domingo, eles tomaram Mongono, uma cidade 100 km mais ao norte. Todas as vias principais de acesso a Maiduguri, exceto uma, estão fechadas.

Desde o ataque do Boko Haram em janeiro, nenhum ator de ajuda humanitária, incluindo MSF, pôde viajar à região de Baga, devido ao nível de insegurança. Os depoimentos de sobreviventes descrevem uma cidade vazia e deserta, e imagens de satélite ilustram a dimensão da destruição.

Centenas de milhares de deslocados
Atualmente, há quase um milhão de pessoas deslocadas na Nigéria, segundo a Agência Nacional de Gestão de Emergência (NEMA, na sigla em inglês), e esse número está crescendo. A maioria está no nordeste do país – estima-se que cerca de 500 mil estejam no estado de Borno, e desses, 400 mil na cidade de Maiduguri. Os últimos são principalmente moradores de vilarejos dos arredores da região, que fugiram dos ataques do Boko Haram. O número crescente de deslocados está colocando uma pressão significativa sobre os recursos disponíveis e os poucos serviços existentes – particularmente serviços de saúde, que são frequentemente disfuncionais. As comunidades que abrigaram os deslocados também estão sofrendo com a consequente falta de alimentos e medicamentos.

O medo dos ataques fez com que algumas pessoas deixassem suas casas “preventivamente”, sobretudo na cidade de Mongono. Essa área isolada tem uma população de 300 mil habitantes e está localizada a cerca de 100 km de Maiduguri. MSF apoia o hospital local com doações de suprimentos médicos.

Em Maiduguri, MSF tem trabalhado nos três acampamentos mais populosos da cidade – com 10 a 15 mil pessoas cada. A organização conduziu quase 10 mil consultas médicas em dois meses. Após a chegada dos deslocados de Baga, as equipes de MSF avaliaram as necessidades do campo da “Vila do Professor”, onde os deslocados estão reunidos. Em todos os três acampamentos, MSF montou uma clínica, atividades ambulatoriais (tratamento de desnutrição e visitas de pré-natal) e um sistema de encaminhamento dos principais casos mais sérios a hospitais. Além disso, foram iniciadas atividades de higiene e de apoio na administração dos acampamentos no tratamento de água, para melhorar sua qualidade da água. Um centro de saúde com dez leitos estará operando em breve em outro bairro da cidade.

Cruzando a fronteira para Diffa, no Níger
Entre 100 e 150 mil refugiados escaparam da violência na Nigéria e chegaram à cidade de Diffa, no sudeste do Níger, apenas a alguns quilômetros da fronteira com o Estado de Borno. A maioria dos que cruzaram a fronteira são mulheres, crianças e pessoas idosas, que são de Damassak, cidade nigeriana vizinha. Elas cruzaram o lago Chad e o Rio Komadougou para se refugiarem em cidades e vilarejos do outro lado da fronteira.

Em dezembro, MSF começou atividades médicas em resposta à epidemia de cólera em Diffa e Chatimari. A resposta incluiu a estruturação de centros de tratamento de cólera e treinamento de equipes do centro de saúde em cloração de água nas estações de reidratação e desinfecção de casas. Em conjunto com o Ministério da Saúde do Níger, MSF tratou mais de 300 pacientes. A organização também começou a apoiar os centros de saúde de N’Garwa e Gueskerou e cuidou da distribuição de itens não alimentares aos refugiados recém-chegados à região de Diffa. Dada a natureza precária das condições de vida dos refugiados e ao grande número de famílias com crianças que continuam chegando no local, MSF planeja lançar uma campanha de vacinação em Diffa nas próximas semanas.

Sul da Nigéria: preparação para emergência em caso de violência eleitoral

MSF está estruturando um plano de resposta de emergência para ajudar a tratar feridos no caso de haver violência durante as próximas eleições presidenciais. Equipes de MSF montarão uma sala de emergência, um centro cirúrgico e uma unidade de cuidados pós-operatórios em um hospital da cidade em Rivers State, no sul da Nigéria. Se a violência de fato acontecer, duas estações médicas serão montadas em outros estados, caso seja necessário. Enquanto isso, equipes do Ministério da Saúde e membros da equipe de MSF serão treinados para oferecer cuidados no caso de haver um influxo de feridos. Uma equipe cirúrgica móvel também ficará de prontidão para montar um centro cirúrgico temporário e um posto de saúde avançado, se necessário.

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