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Nigéria declara fim da emergência com a febre de Lassa

19/06/2020
MSF continua apoiando o Ministério da Saúde na cidade de Abakaliki, na resposta à COVID-19
Nigéria declara fim da emergência com a febre de Lassa

Foto: Albert Masias/MSF

Em 28 de abril, o Centro de Controle de Doenças da Nigéria (NCDC, na sigla em inglês) declarou encerrada a emergência da febre de Lassa em 2020, após um declínio acentuado nos casos. MSF reconhece os esforços de nossos profissionais de saúde e do Ministério da Saúde da Nigéria para salvar a vida de pacientes com febre de Lassa e conduzir pesquisas essenciais sobre esta doença grave e potencialmente fatal. Embora a emergência da febre de Lassa tenha diminuído em 2020, ela continua sendo uma doença endêmica; pesquisa e tratamento continuam sendo prioridades para o futuro.

Desde 2018, as equipes de MSF na cidade de Abakaliki trabalham em estreita colaboração com o Ministério da Saúde, no estado de Ebonyi, para fornecer tratamento para pacientes que sofrem de febre de Lassa no Hospital Universitário Alex Ekwueme, da Universidade Federal de Abakaliki (AE-FUTHA). A febre de Lassa é uma febre hemorrágica viral aguda que pode ser transmitida de roedores para humanos e entre pessoas. O pico de casos é geralmente em janeiro e fevereiro, e o surto deste ano foi o maior já registrado, com 4.914 casos suspeitos e 1.021 casos confirmados em 27 estados nigerianos.

Em 2018, 16 pessoas no estado de Ebonyi perderam tragicamente suas vidas devido à febre de Lassa, entre elas oito profissionais de saúde - o número de casos levou MSF a começar atividades de resposta em Abakaliki. No entanto, em 2019, apesar de seis profissionais de saúde terem contraído a febre, todos se recuperaram. Em 2020 até agora nenhum trabalhador da saúde contraiu a febre de Lassa em Ebonyi.

O sucesso na proteção dos profissionais de saúde representa um avanço substancial na triagem, teste e tratamento da febre de Lassa no estado. Em 2018, esse era um dos principais objetivos estabelecidos entre MSF e o Ministério da Saúde. Ao proteger os profissionais de saúde, mais pacientes podem ser tratados e os hospitais não se tornam amplificadores do vírus.

A proteção dos profissionais de saúde, assim como de outros pacientes e funcionários do hospital, foi alcançada por meio de protocolos de controle de infecções, equipamentos de proteção individual e sistemas adaptados de fluxo e triagem de pacientes. Esses protocolos foram usados de maneira eficaz pelas equipes de MSF e do Ministério da Saúde no tratamento de pacientes com febre de Lassa. Agora, protocolos similares estão sendo implementados em uma ala de isolamento do estado de Ebonyi para pacientes com COVID-19.

No entanto, apesar do tratamento eficaz de 81 pacientes com febre de Lassa este ano no AE-FUTHA, ainda existem barreiras substanciais para o atendimento de muitos pacientes. Ainda hoje, não há acesso a medicamentos pré-qualificados pela OMS (Organização Mundial da Saúde) para tratar a febre de Lassa, e o medicamento mais usado no tratamento, a ribavirina, ainda não passou em um teste clínico randomizado. Com isso em mente, a atuação de MSF em Abakaliki tem um componente de tratamento e um componente de pesquisa, com o objetivo de produzir diagnósticos clínicos e métodos de tratamento mais eficazes para a febre de Lassa.

O tratamento para pacientes com febre de Lassa é muito mais eficaz nos estágios iniciais da doença. No entanto, duas barreiras adicionais também impedem que os pacientes avancem para cuidados essenciais: o custo proibitivo e o estigma associado.

Embora os cuidados com a saúde de todos os pacientes de MSF sejam gratuitos, em geral, o tratamento da febre de Lassa e, principalmente, o tratamento de suporte, incluindo diálise, é muito caro para os padrões locais. Para a duração média do tratamento, de aproximadamente 15 dias, os pacientes podem esperar pagar 60.000 naira (cerca de 780 reais). Isso significa que, para alguns, o tratamento simplesmente não é uma opção.

Em termos de estigma, as equipes de MSF em Abakaliki viram pessoalmente o efeito da desinformação no bem-estar físico e psicológico de nossos pacientes e de seus entes queridos. Devido ao estigma associado aos pacientes com febre de Lassa, os sobreviventes e até a equipe de saúde enfrentaram exclusão social em locais de trabalho, escolas, locais de culto e até em suas próprias comunidades. Embora as equipes de promoção de saúde de MSF dediquem seu tempo para fornecer informações precisas sobre o tratamento e a transmissão da febre de Lassa, é importante reconhecer que, com os protocolos adequados, a transmissão pode ser evitada e com a notificação precoce os pacientes podem ser tratados com eficácia.

A coordenadora-geral de MSF na Nigéria, Laura Martinelli, enfatizou a importância de trabalhar em estreita colaboração com as comunidades para melhor confiança e entendimento na resposta:

“O anúncio em abril do NCDC de que a emergência da febre de Lassa em 2020 diminuiu oferece um raio de esperança para os profissionais de saúde e pacientes que lutam contra a doença. Foi trabalhando estreitamente e interagindo com as comunidades no estado de Ebonyi, bem como com o Ministério da Saúde, que avançamos no tratamento da febre de Lassa. No entanto, ainda há muito a ser feito nos próximos anos, e MSF continua comprometido em tratar e pesquisar a febre de Lassa na Nigéria.”

Agora que o número de casos de febre de Lassa diminuiu em 2020, as equipes médicas de MSF em Abakaliki voltaram sua atenção para apoiar o Ministério da Saúde no gerenciamento da pandemia de COVID-19. Depois de trabalhar com as equipes do Ministério da Saúde para estabelecer uma instalação de isolamento de COVID-19, MSF agora está apoiando o Ministério da Saúde em Ebonyi com recursos, incluindo equipamentos de proteção individual e recursos humanos.

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