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Níger: dificuldades na oferta de ajuda humanitária em Diffa

21/06/2016
MSF está fornecendo água e cuidados de saúde à população recém-deslocada pela violência no sul do Níger
Níger: dificuldades na oferta de ajuda humanitária em Diffa

Foto: Anne Boher

Os ataques que ocorreram no dia 3 de junho em Bosso, uma cidade da região de Diffa, no Níger, forçaram dezenas de milhares de pessoas a deixar suas casas. Para muitas, foi a segunda vez que se viram deslocadas pela violência relacionada ao grupo Boko Haram.

Nos primeiros dias após os ataques, os moradores de Bosso e arredores deixaram a região a pé em busca de um lugar seguro para se estabelecerem. As condições climáticas dali são extremas, com temperaturas próximo de 45 graus.

A maior preocupação de organizações humanitárias tem sido localizar os deslocados e prestar-lhes assistência. A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) e outras organizações em Diffa identificaram três áreas principais onde os deslocados estão abrigados: o vilarejo de Kintchandi, a área de Garin Wanzam (localizada a cerca de 50 quilômetros a oeste de Bosso) e Diffa, o centro administrativo da região, que fica a 100 quilômetros de Bosso. De acordo com autoridades, 40 mil pessoas fugiram após os ataques.

Atividades nos três principais locais de abrigamento de deslocados

MSF está levando baldes com 120 litros de água para locais onde deslocados estão abrigados (Foto: Anne Boher)Desde o dia 7 de junho, MSF tem fornecido água e cuidados de saúde a dezenas de milhares de deslocados que estão vivendo em Garin Zanzam e em Kintchandi, e realizando atividades similares na cidade de Diffa, onde há cerca de 7.100 deslocados, segundo autoridades.

 “A necessidade prioritária é de água”, diz Souleymane Ba, coordenadora das atividades de MSF em Garin Wanzam e Kintchandi. “Dois veículos com vários baldes de 120 litros estão levando água aos locais, mas não é suficiente. Vamos instalar pontos de água em três locais que serão permanentemente abastecimentos por poços de outra área.” MSF também está oferecendo cuidados por meio de clínicas móveis nos dois locais e apoiando o centro de saúde de Kintchandi, onde realiza 100 consultas por dia. “No início, a equipe cuidou de muitas pessoas desidratadas”, conta Souleymane Ba.

Em Diffa, a maioria dos deslocados está vivendo com famílias locais. Um pequeno número encontrou refúgio em escolas e terrenos disponibilizados pelos moradores. “As pessoas que estão chegando não têm acesso a cuidados de saúde gratuitos. Elas precisam de água, alimentos e abrigo”, explica Omari i Mwinyi, que coordena as atividades de MSF na cidade. MSF atua em dois centros de saúde localizados em áreas onde há grande concentração de deslocados.

Ainda há muito a se fazer

 “Preocupa-nos o fato de que há muitas pessoas que ainda não foram localizadas, e ninguém sabe se elas permanecerão onde estão. As pessoas ainda estão se deslocando por causa da insegurança e porque precisam encontrar um meio de subsistência. Elas estão divididas entre visitar os locais onde há assistência humanitária e ir aonde onde terão condições se sustentar, por exemplo, onde possam ter um campo para plantio, ou em um vilarejo”, explica Elmounzer Ag Jiddou, coordenador-geral de MSF no Níger. É difícil prestar assistência a uma população em deslocamento. A construção de latrinas, por exemplo, requer várias semanas de planejamento, e práticas de saneamento precárias podem resultar em doenças e até epidemias. A estação chuvosa se aproxima, contribuindo para o volume de água parada e o risco de casos de malária, o que torna as coisas ainda piores. “Deve haver uma ação conjunta e coordenada entre organizações humanitárias e autoridades locais para que os refugiados tenham estabilidade, e sejam melhor alocados para receberem ajuda.”

Antes dos ataques em Bosso, a região de Diffa já havia recebido mais de 240 mil deslocados que fugiram da violência do Boko Haram. MSF realizou mais de 16.500 consultas na região no mês de maio. A organização também está oferecendo assistência no centro de saúde materno-infantil em Diffa, no centro de saúde em Ngarwa, no acampamento de Assaga, e em Chétimari (todos os locais pertencem ao distrito de Diffa), bem como em diversos centros de saúde localizados nas margens do Lago Chade (em Bilabrim, Ngalewa e Nguigmi). Por razões de segurança, após os ataques em Bosso, MSF interrompeu suas atividades em Yébi e Toumour, onde havia realizado, em média, 6.300 consultas por mês. Em 2015, MSF conduziu 142 mil consultas médicas na região de Diffa.

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