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MSF trata novos casos de cólera em Angola

12/06/2006
Epidemia já causou mais de 1,6 mil mortes. Apesar de o número de infectados apresentar queda, 14 das 18 províncias do país já registram casos da doença

A epidemia de cólera em Angola atinge atualmente 14 das 18 províncias do país africano – três a mais do que há um mês. Desde o início da epidemia, em fevereiro, 1,6 mil pessoas morreram. Dos 43 mil casos totais, Médicos Sem Fronteiras (MSF) tratou mais de 26 mil. Apesar de o número de casos estar aparentemente decrescendo, no último dia 7 de junho mais de 280 pessoas foram infectadas e oito morreram num período de 24 horas. As províncias que mais preocupam MSF são Luanda do Norte e Namibe, onde novos casos ocorreram nas últimas duas semanas. As duas províncias, mais Kwanza Sul e Huila, são as únicas onde o número de casos não vem registrando queda. Na capital Luanda, os casos estão decrescendo em todas as áreas.

Além de tratar mais de 26 mil pessoas desde o início da epidemia, MSF já enviou cerca de 400 toneladas de suprimentos médicos e logísticos a Angola. As equipes da organização são composta de aproximadamente 40 profissionais estrangeiros e 500 locais.

A seguir, um panorama da doença nas principais regiões de Angola.

Luanda – Até agora mais de 22 mil pessoas contraíram cólera na capital angolana e mais de 18,5 mil foram tratadas em centros de MSF. Desde que o primeiro caso foi registrado, em fevereiro, 287 pessoas morreram em Luanda. MSF montou 10 estruturas nas áreas mais afetadas: Boa Vista, Sambizanga, Cacuaco, Cazenga, Samba, Maianga, Casequel, Kilamba Kiaxi e Viana. Várias dessas estruturas foram agora entregues ao Ministério da Saúde angolano. Nos últimos dias, há uma média de 100 novas admissões por dia.

Em Kifandongo, uma localidade fundamental onde caminhões-pipa são enchidos para levar água à população, MSF continua a desinfetar mais de 500 caminhões por dia, o que corresponde a mais de cinco milhões de litros por dia.

Nas municipalidades de Cacuaco, Cazenga, Maianga e Viana, MSF atualmente lidera ou oferece apoio a cerca de 40 pontos de re-hidratação dentro dos centros locais de saúde.

Província de Uige – No vilarejo de Ulge, onde 110 casos e 9 mortes foram registrados até agora, MSF estabeleceu um centro de tratamento de cólera com 25 leitos e doou a estrutura para autoridades de saúde locais. A equipe realizou atividades para melhorar a água e o saneamento básico, treinou equipes locais, desinfetou casas e informou a população sobre como evitar a doença.

Província de Huila – Desde o início da epidemia, 769 pessoas foram infectadas e 69 morreram. MSF criou um Centro de Tratamento de Cólera (CTC) na cidade de Lubango. O número de admissões está estável, numa média de 20 novos casos por dia.

Província de Malanje – Desde o início da epidemia, mais de 4 mil pessoas foram infectadas e 198 morreram. Como o número de casos na região vem baixando significativamente, o CTC antes mantido por MSF foi reduzido.

Província de Bié – Em Kuito, onde três casos e uma morte foram registrados, a infecção está estável e MSF fechou o pequeno centro de tratamento que mantinha na região.

Província de Bengo – Em Caxito, MSF continua a oferecer apoio ao centro de tratamento de cólera mantido pelas autoridades locais. Desde o início da epidemia, mais de 2,3 mil casos foram reportados e 97 pessoas morreram.

Província de Kuanza do Norte – Desde o início da epidemia, cerca de 3,8 mil pessoas foram infectadas e 185 morreram. O número de novos casos vem diminuindo e MSF entregou dois centros de tratamento às autoridades de Angola.

Província de Kuanza do Sul – Mais de 1,2 mil casos e 182 mortes. MSF montou um CTC com 60 leitos e mantém três outras clínicas na região – todas administradas pela organização em conjunto com o Ministério da Saúde e autoridades locais de Angola.

Província de Luanda do Norte – Cerca de 300 casos e 84 mortes desde que a epidemia apareceu na província, em meados de maio. MSF administra um CTC em Cuango e mantém, juntamente com as autoridades angolanas, centros em outras localidades da província.

Província de Huambo – Em Ukuma e Kala, MSF deu treinamentos a agentes locais sobre como proceder em caso de emergência e doou material médico paras as estruturas de saúde das comunidades.

Província de Benguela – Mais de 7,8 mil foram infectadas e 500 morreram. O número de casos decai, mas de forma lenta. Novos casos vêm sendo registrados em novas localidades nos últimos dias.

MSF administra um centro de tratamento de cólera na cidade de Benguela e outros seis postos menores em Benguela, Baia Farta, Catumbela, Cubal, Chongoroi e Caimbambo.

Em Balombo, MSF trabalha em uma unidade de tratamento com capacidade para 30 leitos.

Província de Namibe – Novos casos foram registrados na província no fim de maio. Desde então, 230 infecções e sete mortes foram registrados. MSF já está trabalhando num CTC em Tombwa, em colaboração com as autoridades angolanas. Outros dois centros devem abrir em breve na região.

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