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MSF responde a necessidades urgentes na Somália

19/11/2012
Avaliação nutricional de Médicos Sem Fronteiras revela situação alarmante em Mogadíscio

Uma em cada quatro crianças que vivem nos campos ao redor da capital somali está desnutrida, revela estudo conduzido pela organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF). Em resposta a essa situação crítica, uma equipe de MSF lançou uma atividade de emergência de três dias para fornecer tratamento nutricional urgente associado a cuidados médicos a crianças menores de cinco anos.

A equipe de MSF visitou 34 campos que abrigam mais de 15.000 pessoas que fugiram de suas residências e têm acesso insuficiente a cuidados de saúde. Muitas tiveram que se mudar várias vezes e estão extremamente vulneráveis.

Em três dias, 1.500 crianças foram examinadas para desnutrição aguda e 396 admitidas no programa nutricional de MSF. Destas, 70 tinham desnutrição aguda grave. A equipe de MSF também prestou atendimento médico de emergência a 162 crianças, transferindo 25 para o hospital pediátrico de MSF no distrito de Hamar Weyne, em Mogadíscio. A maioria sofria de infecções do trato respiratório, infecções de pele e diarreia. Além disso, cerca de 380 crianças foram imunizadas contra sarampo, difteria, tétano, coqueluche e pólio.
 
Na Somália, a população continua sofrendo as consequências de décadas de violência, que destruíram o sistema de saúde. Nos últimos anos, milhares de somalis tiveram que fugir de suas casas para outras regiões na Somália ou para países vizinhos devido à crescente violência, seca, desnutrição e doenças infecciosas. Enquanto a segurança alimentar parece ter melhorado desde 2011, uma avaliação de MSF mostra que os índices de desnutrição continuam alarmantes em muitas partes do país, inclusive nos arredores de Mogadíscio.

A constante insegurança na maior parte do país e as restrições de acesso para trabalhadores humanitários continuam sendo os maiores obstáculos para a oferta de assistência médica por parte de MSF na Somália. Neste ambiente extremamente desafiador, a organização está constantemente adaptando a sua atuação médica. Já que a possibilidade de conduzir avaliações adequadas e responder a qualquer nova situação aguda, as equipes de MSF são forçadas a implementar ações limitadas, com foco apenas nas necessidades médicas mais críticas.

E outubro de 2011, duas trabalhadores humanitárias de MSF, Montserrat Serra e Blanca Thiebaut, foram sequestradas no campo de refugiados de Dadaab, no norte do Quênia, enquanto levavam assistência emergencial à população somali. Elas continuam em cativeiro. MSF continua levando ajuda em situações de crise aguda que demandam assistência emergência capaz de salvar vidas, mas suspendeu a abertura de qualquer projeto não emergencial na Somália até que elas sejam libertadas.

MSF trabalha continuamente na Somália desde 1991 e segue prestando serviços de saúde a centenas de milhares de somalis em dez regiões do país, bem como nos vizinhos Quênia e Etiópia. Mais de 1.400 profissionais, apoiados por aproximadamente 100 pessoas em Nairobi, oferecem uma gama de serviços , incluindo cuidados de saúde primários gratuitos, tratamento contra desnutrição, cirurgia, água e distribuição de itens de emergência e assistência à população deslocada. MSF conta apenas com doações privadas para realizar seu trabalho na Somália e não aceita fundos do governo.