Você está aqui

MSF resgata mais de 2 mil pessoas em menos de 36 horas no Mediterrâneo central

24/06/2016
Os navios Bourbon Argos, Dignity I e Aquarius receberam alertas desde a madrugada do dia 23 de junho
MSF resgata mais de 2 mil pessoas em menos de 36 horas no Mediterrâneo central

Foto: Sara Creta/MSF

Equipes da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) a bordo dos navios Dignity I, Aquarius e Bourbon Argos resgataram mais de 2 mil pessoas no Mediterrâneo central em menos de 36 horas. O Bourbon Argos iniciou suas operações nas primeiras horas da manhã de quinta-feira (23), e, em poucas horas, resgatou 1.139 pessoas de nove botes e de um pequeno barco de madeira. Poucas horas depois, o Dignity I completou um resgate e mais dois no início desta manhã, somando 639 pessoas. Já o Aquarius completou dois resgates de 257 pessoas, e agora tem cerca de 650 pessoas a bordo depois da chegada de mais resgatados por outra embarcação.

Equipes de MSF do Bourbon Argos resgataram 1.139 pessoas em 10 operações diferentes no dia 23 de junho no Mediterrâneo central (Foto: Sara Creta/MSF)“O Bourbon Argos recebeu um telefonema do Centro de Coordenação de Busca e Resgate Marítimo em Roma às 3h30 de quinta-feira nos dizendo que vários barcos estavam em perigo. Alguns minutos depois, nossas equipes já avistaram os primeiros barcos no radar e rapidamente enviaram os botes de resgate. Um dos barcos estava vindo na nossa direção, lotado de pessoas em um estado de pânico completo. Elas literalmente pularam para o nosso bote e tivemos de tirar algumas da água. Quando chegaram ao nosso navio, elas começaram a subir para alcançar o convés, completamente assustadas”, relatou Sebastien Stein, coordenador das operações do Bourbon Argos.

Poucas horas depois, as equipes de MSF a bordo do Dignity I e do Aquarius resgataram mais 257 e 639 pessoas cada uma, elevando para 2.028 o número total de pessoas resgatadas no Mediterrâneo em menos de 36 horas. Entre elas, havia muitas mulheres e crianças, sendo a mais nova de não mais do que duas semanas. “Nunca vimos tanta gente espremida no Bourbon Argos”, continuou Stein. “Tivemos alguns momentos dramáticos e assustadores. Foi difícil, mas, felizmente, todos conseguiram subir no navio com segurança.”

O coordenador de MSF Sebastian Stein durante um resgate no Mediterrâneo envolvendo um barco com 140 pessoas, incluindo 38 mulheres e 18 crianças (Foto: Sara Creta/MSF)O coordenador-geral de MSF na Itália, Tommaso Fabbri, afirmou que, enquanto situações dramáticas como essa se repetem no Mediterrâneo, líderes europeus continuam buscando meios de enviar essas pessoas, e seu sofrimento, de volta aos países de onde saíram. “A decisão tomada há alguns dias de prorrogar o mandato da Operação Sophia* e de treinar guardas costeiros líbios mostra, mais uma vez, como os esforços continuam concentrados na dissuasão e na terceirização do controle fronteiriço para outros países, e não na resposta às necessidades das pessoas. Insistimos em que a única maneira de acabar com as mortes no mar e evitar essa travessia perigosa nas mãos de traficantes é prestar assistência àqueles que necessitam de segurança e de alternativas seguras e legais para chegar à Europa.”

Em 2016, até o momento, mais de 2.800 pessoas morreram ao tentar atravessar o Mediterrâneo para chegar à Europa. São mais mil mortes do que no mesmo período do ano passado. Desde o início das operações de busca e resgate de MSF neste ano, em 21 de abril, equipes a bordo dos navios Dignity I, Bourbon Argos e Aquarius (este em parceria com a organização SOS Mediterranée) resgataram 5.653 pessoas em 44 operações de resgate. Só nos dias 23 e 24 de junho, mais de 2 mil pessoas foram resgatadas (Bourbon Argos, 1.139, Aquarius 257, e Dignity I 639).

*A Operação Sophia, também conhecida como Força Naval da União Europeia para o Mediterrâneo, foi lançada no primeiro semestre de 2015.

Leia mais sobre