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MSF recruta brasileiros para trabalhar no exterior

26/04/2007
Há vagas para cirurgiões, anestesiologistas, ginecologistas, profissionais com experiência no tratamento de Aids e tuberculose e enfermeiros obstetras

Atender vítimas de conflitos armados, crianças desnutridas, portadores de HIV/Aids, pacientes infectados por diversos tipos de doenças, muitas vezes desconhecidas no Brasil, viver em países devastados por guerras ou catástrofes naturais e enfrentar dificuldades de acesso aos locais atingidos. Todas essas situações fazem parte do cotidiano de um integrante da equipe internacional de Médicos Sem Fronteiras (MSF).

Quem gosta de desafios, eis aqui uma boa notícia: a organização está procurando profissionais brasileiros para trabalhar em seus projetos internacionais. No momento, a prioridade é a seleção de cirurgiões, anestesiologistas, profissionais com experiência em Aids e Tuberculose, ginecologistas e enfermeiros obstetras. Mas, profissionais de outras áreas também podem enviar seu currículo durante todo o ano. Todos os currículos recebidos são analisados.

No momento, candidatos que falem francês também são uma prioridade, uma vez que há muitos postos de trabalho disponíveis em países francofones. ""A República Centro Africana, onde trabalhei por quatro meses, é um país francófone. Foi muito importante falar o francês pois facilitou o contato e a comunicação com a equipe médica local e os pacientes", diz a cirurgiã mineira Eliane Mansur.

Além de atender pacientes, os profissionais de MSF também treinam as equipes médicas locais. "Coordenei uma formação para profissionais locais sobre os protocolos de MSF. Falei durante uma hora em francês. Duas semanas mais tarde, eu coordenei uma outra formação sobre como tratar queimaduras, foi mais uma hora falando em francês", orgulha-se Eliane.

Para trabalhar em Médicos Sem Fronteiras, é necessário preencher uma série de pré-requisitos. "Procuramos profissionais que queiram trabalhar pelas causas que a organização defende, que tenham uma verdadeira motivação humanitária, uma formação acadêmica de qualidade, experiência e que falem francês ou inglês fluentemente”, diz Ana Cecília Moraes, responsável pelo processo de seleção.


A seleção é feita em duas etapas. A primeira é a análise de currículos, e uma carta de intenção, explicando por que o candidato quer trabalhar com Médicos Sem Fronteiras, para o endereço eletrônico recrutamento@msf.org.br. Os selecionados são convidados para uma sessão informativa sobre MSF, dinâmicas em grupo e entrevista individual.

Não há um tempo de espera padrão. “Pode-se chegar a esperar entre cinco a seis meses para partir em uma primeira missão, porque há menos postos para quem está começando em MSF”, esclarece Ana Cecília. Foi o que aconteceu com o administrador Samuel de Oliveira, que partiu em março para uma missão de um ano no Zimbábue. “Participei do processo de seleção em setembro de 2006, mas só fui convocado para uma missão em janeiro deste ano”, conta.

Há casos também em que a convocação é mais rápida. A psiquiatra paulista Carla Kamitsuji participou do recrutamento em dezembro de 2006. No dia 11 de janeiro, ela partiu para uma missão de nove meses em Uganda. “Tudo aconteceu mais rápido do que eu imaginava, mas recebi todo o apoio e informações da recrutadora no Brasil”, conta a médica.

Conforme o profissional ganha experiência em MSF, mais postos se abrem e novos cargos também. “Ao voltar da primeira missão, o profissional é avaliado e pode ser encaminhado para treinamentos já voltados para planos de carreira”, afirma Ana Cecília. Em geral, depois de alguns projetos, o expatriado pode se tornar coordenador de projeto, passando depois para coordenador de saúde até chegar ao cargo de chefe de missão.

De acordo com Ana Cecília, a tendência é que o fluxo de brasileiros recrutados aumente em 2007. “Os brasileiros são muito valorizados pela grande qualidade de seu trabalho e flexibilidade. São também profissionais muito apreciados devido ao seu alto compromisso com o trabalho”, conta a recrutadora.