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MSF recria campo de refugiados no Parque do Ibirapuera

05/09/2013
A exposição interativa Campo de Refugiados no Coração da Cidade mostra a realidade de pessoas que fogem da violência extrema

Para fugir da violência gerada por conflitos armados, perseguições motivadas por posicionamentos políticos, raça, religião ou nacionalidade, milhões de pessoas deixam suas casas e vão buscar abrigo em países vizinhos. Famílias inteiras percorrem longas distâncias em direção a campos de refugiados frequentemente superlotados - por vezes, caminhando durante semanas sem ter o que comer ou beber - e quando finalmente chegam ao destino, muitos estão com a saúde debilitada e precisam urgentemente de cuidados. A realidade vivida por essas populações é o tema da exposição interativa que a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) apresenta, no Parque do Ibirapuera, entre os dias 6 e 15 de setembro.


“As crianças são as que mais sofrem. Muitas chegam aos campos com desnutrição severa e outras doenças evitáveis, como a diarreia. Elas também desenvolvem esses quadros durante a estadia nos campos, que muitas vezes funcionam em condições precárias e onde a ajuda humanitária costuma ser limitada, o que também facilita a disseminação de doenças contagiosas”, diz a diretora geral de MSF-Brasil, Susana de Deus.


Os cuidados médicos oferecidos por Médicos Sem Fronteiras nos campos de refugiados variam de acordo com a necessidade de cada local, mas, em geral, oferecemos tratamento contra desnutrição, cuidados de saúde básica, vacinação e saúde mental. “Nesse momento, alguns de nossos maiores projetos junto a refugiados estão no Iraque e na Jordânia, onde o enorme influxo de pessoas que fogem da guerra na Síria gerou um quadro grave de necessidades humanitárias, e a ajuda disponível está muito aquém das necessidades da população”, explica Susana de Deus. “Há ainda uma grande crise de refugiados, da qual pouco se fala, no Sudão do Sul, onde milhares de sudaneses que fugiram do conflito em seu país têm buscado abrigo”.


Só nos campos de refugiados do Iraque e da Jordânia, vivem, hoje, mais de 672 mil sírios os quais fugiram da guerra que assola o país há mais de dois anos. No total, quase dois milhões de sírios deixaram o país por conta dos conflitos.


Atuação - Na exposição “Campo de Refugiados no Coração da Cidade”, os visitantes poderão ver como Médicos Sem Fronteiras atua nos acampamentos. Na Arena de Eventos do parque, em uma área de 600 metros quadrados, foram recriadas réplicas das estruturas montadas pelas equipes de Médicos Sem Fronteiras para prestar cuidados de saúde a refugiados.


Guiados por profissionais com experiência nos projetos da organização, os visitantes poderão ver como funcionam os consultórios médicos, posto de vacinação, centro de nutrição e sala de atendimento de saúde mental dentro de um campo de refugiados.


Durante a visita, o público será convidado a assumir a identidade de uma pessoa que vive em um dos campos onde MSF trabalha. “Cada visitante receberá um cartão com um pequeno resumo da história de um refugiado e ao longo do caminho será convidado a interagir como se fosse aquele refugiado”, explica Susana. “As pessoas poderão conversar com os nossos profissionais, fazer perguntas e tirar dúvidas”, diz Susana.


O administrador Luiz Otávio Guimarães, logístico de MSF que trabalhou no campo para refugiados sírios no Iraque, é um dos profissionais que estarão na exposição. “No campo de Domeez a coisa que mais me chocou foi que um dia aquelas pessoas tinham uma vida normal, tinham casa, trabalho e uma rotina, e no dia seguinte já não tinham nada e dependiam completamente da ajuda de organizações humanitárias para conseguir sobreviver”, diz.


Os visitantes verão também duas tendas semelhantes àquelas onde moram os refugiados.  


Dados - De acordo com dados da Agência da Onu para Refugiados (Acnur), hoje, mais de 45,2 milhões de pessoas vivem longe de suas casas na condição de refugiados,  requerentes de asilo (enquanto esperam a documentação de refugiados) e deslocados internos (casos em que se movimentam em fuga dentro do próprio país).


Em 2012, as equipes de MSF prestaram assistência médico-humanitária para refugiados e deslocados internos em mais de 30 países.


Depois de São Paulo, a exposição “Campo de Refugiados no Coração da Cidade” deve seguir para outras capitais.
 
Evento: Campo de Refugiados no Coração da  Cidade
Data: 6 a 15 de setembro
Horário de visitação: das 10 às 17 horas
Local: Parque do Ibirapuera (Arena de Eventos, acesso pelos portões 3 ou 10)
Entrada gratuita