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MSF recebe ordens para suspender parte das atividades em Mianmar

28/02/2014
Organização manifesta preocupação com o destino de milhares de pacientes que estavam sob os cuidados de suas equipes

A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) recebeu ordens do Governo da União de Mianmar para suspender parte das atividades que estavam sendo realizadas no país. MSF está profundamente chocada com essa decisão unilateral e extremamente preocupada com o destino de dezenas de milhares de pacientes, que, atualmente, estão sob cuidados da organização por todo o país.

Hoje, pela primeira vez na história das operações de MSF no país, clínicas de HIV/Aids nos estados de Rakhine, Shan e Kachin e na divisão de Yangon foram fechadas e os pacientes ficaram impossibilitados de receber o tratamento de que precisavam. Pacientes com tuberculose não puderam receber seus medicamentos essenciais, incluindo os pacientes com tuberculose resistente a medicamentos.

Essa decisão tomada pelo Governo da União vai ter um impacto devastador sobre as 30 mil pessoas vivendo com HIV/Aids e os mais de 3 mil pacientes de tuberculose que estavam sendo tratados em Mianmar.

No estado de Rakhine, MSF foi impossibilitada de oferecer cuidados de saúde primária as dezenas de milhares de pessoas vulneráveis em campos de populações deslocadas pela crise humanitária em andamento ou em vilarejos isolados. Isso inclui o encaminhamento de pacientes que necessitam de cuidados hospitalares secundários de emergência para instalações do Ministério da Saúde, assim como planejamento familiar e assistência a mulheres grávidas e recém-nascidos.

Não há outra organização não governamental que opere na mesma escala de MSF, com suas experiência e a infraestrutura para levar os serviços médicos necessários para salvar vidas.

Em nossos 22 anos de atuação em Mianmar, MSF demonstrou levar cuidados de saúde às pessoas baseando-se somente em sua necessidade, independentemente de raça, religião, gênero, status do HIV ou afiliação política.

Desde 2004, MSF tratou mais de 1 milhão e 240 mil pacientes com malária somente no estado de Rakhine, onde a doença é, particularmente, endêmica. Como HIV/Aids e tuberculose, o tratamento de malária não considera questões étnicas.

As ações de MSF são guiadas pela ética médica e pelos princípios de neutralidade e imparcialidade. A organização está negociando com o governo de Mianmar para que as equipes do centro operacional de MSF-Holanda possam retomar atividades médicas essenciais e continuar a suprir as necessidades não atendidas da população.

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