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MSF protesta contra a expulsão de seção da organização

05/03/2009
Importantes programas médicos são forçados a interromper as atividades e população de Darfur fica refém das agendas política e judicial

Na manhã desta quinta-feira, as autoridades sudanesas em Cartum exigiram a expulsão de uma seção da organização médica internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF). A decisão, brutal e repentina, acontece depois da retirada forçada de outra equipe de MSF na quarta-feira. MSF está em total desacordo com essa decisão, que torna a população de Darfur refém do jogo político e da agenda judicial. A organização protesta contra a ordem da maneira mais enfática possível e faz um apelo ao governo para que repense sua decisão e permita o reinício imediato da assistência humanitária independente e imparcial.

“A ordem de expulsar MSF de Darfur é um resultado dramático dos eventos que terão consequências sem precedentes para a população da região. A maioria da população de Darfur é totalmente dependente da ajuda humanitária internacional”, diz o Dr. Christophe Fournier, presidente internacional de MSF. “A suspensão repentina de nossos programas médicos, incluindo cirurgia vital, nutrição e programas de assistência médica básica em grandes áreas de Darfur terá impacto imediato e devastador na população”.

Os campos de deslocados de que a seção se encarregava, Kalma e Niertiti, abrigam 130 mil pessoas e passam atualmente por um surto de meningite – por isso precisam de vacinação urgentemente.

Ainda há outras equipes de MSF trabalhando em Darfur e elas estão comprometidas a fornecer assistência médica nas áreas em que permanecem. Entretanto elas estão longe de conseguir prover toda a ajuda de que a região de Darfur precisa.

“A habilidade de levar assistência humanitária independente em Darfur foi diminuída drasticamente no ano passado, mas as ações do governo do Sudão esta semana podem simplesmente banir a assistência das pessoas deslocadas e da população local em grandes áreas de Darfur”, afirma Fournier.

MSF reitera firmemente que a organização é completamente independente do Tribunal Penal Internacional e não coopera e não dá nenhuma informação a ele.