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MSF oferece assistência a vítimas da violência no Quênia

09/01/2008
Nova equipe foi enviada ao país para avaliar as emergências médicas e estabelecer uma estratégia para respondê-las

Uma nova equipe de oito funcionários de Médicos Sem Fronteiras chegou no Quênia para ajudar a avaliar e responder as necessidades devido à onda de violência e insegurança que assolam o país desde o dia 29 de dezembro. Além de continuar a oferecer tratamento para HIV/Aids e tuberculose (TB) nos projetos em Nairóbi e no oeste do país, MSF está ajudando milhares de pessoas que tiveram de deixar suas casas devido aos incidentes violentos dos últimos dias.

Em Eldoret, uma movimentada cidade de passagem na Província Oeste, MSF começou a trabalhar para ajudar as cerca de 30 mil pessoas que chegaram na cidade no início de janeiro. Uma equipe formada por dois médicos, um cirurgião, dois profissionais de logística e uma enfermeira estão oferecendo apoio ao hospital em Eldoret e ajudando a distribuir itens não-alimentares, como lâminas de plástico, cobertores e galões de água para as pessoas que estão morando nos acampamentos ao redor da cidade. Transferências cirúrgicas foram realizadas de Burnt Forest a Eldoret. A equipe de MSF também está começando a oferecer apoio a três estruturas de saúde em diferentes assentamentos em Eldoret e está fazendo levantamentos nas áreas próximas como Moi’s Bridge e Turbo, onde os deslocados internos que passam mais necessidade têm se estabelecido.

Ao sul de Eldoret, em Nakuru e Molo, MSF também está oferecendo assistência aos afetados pela insegurança. As equipes de MSF estão trabalhando em Molo desde o início de dezembro, oferecendo assistência médica às pessoas que tiveram de deixar suas casas devido aos confrontos. Desde o dia 29 passsado, o número de deslocados internos na cidade aumentou significantemente., com pelo menos 26 assentamentos surgindo nas áreas rurais perto de Kuresoi e Molo. Nesta última cidade, MSF está distribuindo itens não-alimentares aos deslocados. Equipes móveis estão visitando os acampamentos e os especialistas em logística garantem que os padrões de tratamento de água e de saneamento sejam alcançados. Uma vez que o hospital provincial de Nakuru parece estar funcionando normalmente agora, as equipes de MSF reduziram suas atividades, mas continuam alertas em caso de emergência.

Nos últimos dias, equipes de MSF realizaram viagens de helicóptero para avaliar os danos em diferentes áreas no oeste do Quênia, para onde um grande número de deslocados internos teria fugido. Até agora, foram realizados levantamentos em Kericho, Ikonge, Longani, Kisi, Kisumu, Migori, Narok, Kapsokweni, Muhoroni, Koru, e Nandi Hills. Essas avaliações vão continuar até o fim desta semana. A situação está mudando rapidamente e precisa ser monitorada de perto para garantir que MSF pode responder às necessidades médicas.

A insegurança na capital do país obrigou o fechamento de algumas clínicas de tratamento de HIV/Aids implementadas por MSF nas favelas de Nairóbi. No entanto, elas estão retomando suas atividades normais. Após uma breve interrupção, o Centro de Saúde de Kibera do Sul – uma das três unidades de saúde de MSF na favela de Kibera, em Nairóbi – pôde ser reaberta no dia 31 de dezembro. Nos dois primeiros dias após a reabertura, MSF tratou 62 pacientes, metade deles feridos nos confrotnos. À medida que a situação em Nairóbi começa a se tornar um pouco mais calma, o número de pessoas que chega às clínicas aumentou. No dia 8 de janeiro, 280 consultas foram realizadas no Centro de Saúde de Kibera do Sul e 250 consultas foram feitas no Hospital do Distrito Mbagathi, onde MSF oferece tratamento de HIV/Aids. Uma equipe espera poder reabrir outras duas clínicas de tratamento de HIV/Aids em Kibera nos próximos dias.

Em Mathare, uma favela ao leste de Nairóbi, a equipe de MSF pôde voltar a trabalhar no dia 1º de janeiro. Inicialmente, as equipes trataram 19 casos de emergência, entre os quais alguns pacientes feridos durante os confrontos. Nos últimos dias, mais pacientes de MSF que estão no programa de HIV/Aids e no de TB conseguiram voltar à clínica para dar continuidade à terapia. No dia 8 de janeiro, 200 consultas foram realizadas, 160 para pessoas vivendo com HIV/Aids e 40 para pessoas em tratamento de TB.

Projetos em Busia e na Baía de Homa, no oeste do Quênia, estão agora funcionando normalmente. Em Busia, além de oferecer tratamento para HIV/Aids, a equipe de MSF também está oferecendo água limpa, cobertores e lâminas de plástico para deslocados que procuraram abrigo perto da delegacia de polícia da cidade.

Em todos os programas de HIV/Aids e TB de MSF, as equipes estão assistindo um número de pacientes que perdeu seus medicamentos anti-retrovirais ou de TB durante os últimos dias devido à insegurança. A equipe também está tratando pacientes que não têm acesso a seus medicamentos, uma vez que as clínicas que eles normalmente procuram estão fechadas. Apesar de a maioria das clínicas parecerem estar reabrindo, MSF está muito preocupada com a interrupção do tratamento desses pacientes.