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MSF oferece assistência de saúde variada em Darfur

11/04/2007
Organização humanitária internacional tem equipes distribuídas em todo o país atendendo à população vítima do confito

Desde o início do conflito em Darfur, a população da cidade de Zalingei aumentou para 115 mil pessoas com a chegada de 95 mil deslocados. MSF concentra seus trabalhos em atendimento cirúrgico, realizado no principal hospital da cidade. Em 2006, MSF registrou 2.761 internações pediátricas, 932 de clínica geral e 1.826 cirúrgicas.

MSF construiu um hospital e um centro de saúde no grande campo de deslocados de Mornay, onde moram 75 mil deslocados e cinco mil residentes. Em 2006, MSF realizou cerca de 69 mil consultas e 2.245 internações. No mesmo período, 617 crianças foram admitidas no centro nutricional.

MSF trabalhou em Niertiti, uma área na encosta de Jebel Mara, que originalmente era habitada por três mil pessoas, que hoje convivem com 30 mil deslocados. As equipes administram um pequeno hospital desde março de 2004, além das clínicas móveis, apesar das últimas terem tido suas atividades suspensas devido a um grande número de acidentes de segurança. Durante o ano passado, 2.491 internações e 53.395 consultas foram realizadas.

Na região de Jebel Mara, MSF tem um centro de saúde em Kutrum, uma área controlada por rebeldes desde março de 2006. Foram realizadas 16.362 consultas nos primeiros seis meses de 2006. O projeto foi esvaziado no dia 14 de setembro, mas os médicos começaram a voltar em novembro da base próxima de Niertiti.

Em Habilah, um acampamento próximo à fronteira com o Chade, onde vivem cerca de 22 mil deslocados e sete mil moradores originais, MSF administra uma clínica médica com capacidade de internação de 30 pacientes. Isso inclui alimentação terapêutica para crianças com desnutrição grave e atendimento pré-natal e parto. Uma média de 35 partos são realizados por mês em nosso centro de saúde. Agentes comunitários ajudam os educadores de saúde e referenciais. Em 2006, 25 mil consultas foram contabilizadas e 750 pacientes foram hospitalizados.

Clínicas móveis que oferecem assistência médica para as populações mais nômades tiveram suas atividades encerradas, mais uma vez devido à crescente insegurança. Nesse contexto particularmente difícil, estamos tentando chegar às populações localizadas ao norte de El Geneina, que estão recebendo pouco se alguma assistência.

Esse é o caso de uma equipe formada por quarto pessoas que está em Seleia, no norte da Província Oeste de Darfur, onde vivem 20 mil pessoas, e em cujos arredores têm sido registrados conflitos. A equipe está montando uma unidade cirúrgica para tratar os feridos; uma capacidade de responder aos casos de emergência obstétrica e também dá suporte ao centro de saúde. Um clínica móvel também será posta em uso.

O acesso ao atendimento médico e apoio de emergência é um problema constante para populações que enfrentam conflitos. Lutas no norte de El Geneina levaram ao deslocamento de centena de milhares de pessoas em dezembro, cinco mil delas foram para os acampamentos de Aradamata e Dorti. No acampamento de Aradamata, no subúrbio da cidade, MSF instalou uma clínica de saúde móvel para analisar as novas chegadas. Mais de 500 pessoas foram tratadas em menos de uma semana e itens não alimentícios foram distribuídos para as cerca de 750 famílias de deslocados. Os deslocados continuam a chegar em pequenos grupos, a maior parte durante à noite devido ao risco de ataques nas estradas e há muitos registros de atos de violência realizados contra os moradores.

Uma missão exploratória recentemente foi para Tanjeke, 30km ao norte de El Geneina, onde os deslocados das famílias que foram abandonadas devido à insegurança. Um incidente de segurança na volta confirmou que as estradas não são seguras o suficiente para que sejam usadas regularmente. Por isso, ainda não conseguimos levar mais assistência a essa população.

Em El Geneina, a capital da Província Oeste de Darfur, MSF apóia o departamento de emergência e cirurgia do hospital geral, com atendimento, material médico e apoio técnico, como a administração da farmácia e da higiene.

NORTE DE DARFUR

Na cidade de Kebkabyia, apenas 150 quilômetros do oeste da capital de El Fasher, capital da provincia, MSF está administrando três consultórios e dá apoio ao hospital do Ministério da Saúde na parte de administração clínica dos casos de referência. O programa é oferecido a uma população de aproximadamente 75 mil pessoas, a maior parte de refugiados que pediram refúgio na cidade.

A equipe móvel de apoio de Kebkabyia continua até a cidade de Kaguro, na região tomada pelos rebeldes de Jebel Si. O projeto foi posto em suspense em agosto de 2006 após uma série de incidentes de segurança. Depois de uma análise inicial em fevereiro, a equipe pôde voltar a trabalhar na área, que é palco de uma batalha entre a SLA e o governo do Sudão desde o início do conflito em 2003.

O projeto tem como prioridade levar atendimento medico à população civil que por vários meses não teve acesso à assistência devido ao aumento da insegurança e dos conflitos na área.

No sul e leste do distrito de Kebkabyia, clínicas móveis também lançaram recentemente uma ordem para permitir a provisão de assistência médica básica para a população marginalizada e negligenciada formada pelos árabes nômades.

A descrição simplista de um conflito entre matadores árabes e africanos traduziu-se na negação de assistência às comunidades nômades árabes, mesmo quando eles fugiram da violência, como ocorreu nessa área.

Graves incidentes de segurança fizeram com que MSF tirasse sua equipe internacional de Serif Umra em julho de 2006. Atividades médicas oferecidas às 55 mil pessoas (a maioria delas deslocada interna) nos consultórios tiveram de ser realizadas apenas pela equipe nacional. Desde março de 2007, a supervisão foi retomada semanalmente por nossa equipe internacional em El Fashir. Um total de quatro mil consultas são realizadas por mês enquanto os pacientes que precisam de cuidados secundários de saúde são transferidos para o hospital em Zalingei

Em junho de 2006, MSF começou a trabalhar nas clínicas em Killin e um mês depois em Gorni para atender aos deslocados internos. No entanto, o projeto foi esvaziado por razões de segurança no fim de julho, quando o comboio de MSF foi atacado no único acesso à estrada da região. Desde então, a clínica, localizada ao norte de Jebel Mara, tem sido administrada apenas pela equipe sudanesa. MSF ainda está avaliando a possibilidade de restabelecer uma presença permanente na área.

Em Shangil Tobaya, MSF oferece assistência de saúde para os deslocados que vivem nos acampamentos de Shangil e Shadat, assim como no vilarejo de Shangil Tobaya.

A cada mês, cerca de 3.700 consultas são realizadas e 110 pacientes são hospitalizados. Cerca de 50 crianças são tratadas no programa nutricional a cada mês.

Depois de vários incidentes em dezembro e janeiro, a equipe foi enviada para El Fashir e desde então está operando com uma estratégia de entrada e saída. Negociações para o acesso estão em andando para que o programa seja reaberto nas próximas semanas. Atualmente, a clínica está sendo administrada pela equipe sudanesa com a equipe internacional dando suporte entre uma a duas vezes por semana para realizar consultas (em média 150 por dia).

Análises também foram realizadas recentemente entre grupos recentes de deslocados no Norte de Darfur.

SUL DE DARFUR

Com uma população superior a 90 mil pessoas, Kalma é um dos maiores acampamentos de deslocados internos em Darfur. Desde maio de 2004, MSF passou a oferecer uma variedade de serviços de saúde no acampamentos e nos regiões mais próximas. MSF está se concentrando no atendimento à mulher e criança e administrando um centro de saúde da mulher que realiza entre 450 a 500 consultas por semana. O centro oferece serviços pré e pós-natal, assim como assistência durante o parto para gestações de alto risco e serve de referência para emergências obstétricas. O planejamento familiar também é oferecido.

MSF é uma das três organizações que oferecerem tratamento completo para sobreviventes de abuso sexual. Um programa de saúde mental desenvolvido para tratar profundo estresse psicossocial e trauma passados pela população como resultado de suas péssimas condições de vida e insegurança, assim como traumas relacionados à conflitos passados. O atendimento psicossocial é feito através de sessões particulares, workshops e grupos de apoio.

Em Shariya, um bastião do governo onde originalmente moravam 27 mil pessoas, tensões étnicas anteriores ao conflito fizeram com que 50% da população fugisse da cidade. A população que ficou está isolada e tem pouco ou nenhum acesso ao serviço de saúde. Duas vezes por semana, MSF oferece apoio à clínica sudanesa do Ministério da Saúde em Shariya. Além disso, MSF ainda oferece serviços de tratamento pré e pós-natal e alimentação terapêutica durante o período da fome.

Clínicas móveis regulares oferecem a única assistência humanitária direta para um grupo em flutuação formado por entre 400 e 1.500 deslocados isolados nos subúrbios da cidade, que não tem acesso à clínica. Uma clínica móvel que funciona semanalmente oferece serviços básicos de saúde a Khazan Jadid, uma cidade controlada pelo governo onde 40 mil pessoas lidam com o mesmo conflito provocado pelas tensões. Equipes móveis também estão analisando regularmente e oferecendo assistência de saúde às comunidades rurais deslocadas.

Muhajariya é a maior cidade controlada pelos rebeldes no Sul de Darfur, com uma população de aproximadamente 47 mil deslocados internos das áreas próximas. Depois de um período de relativa calma, um grande combate estourou na cidade e nas áreas próximas em outubro de 2006, resultando em um novo deslocamento de cerca de 50 mil pessoas.

Como o conflito dividiu a população em linhagens étnicas, a situação é complexa e permanece altamente volátil. MSF oferece cuidados cirúrgicos e administra departamentos de internação e consultas e um laboratório, além de oferecer serviços de saúde reprodutiva com acompanhamento pré-natal, pós-natal e planejamento familiar. Tratamento de vítimas de violência sexual também é oferecido.

Devido à situação nutricional ainda frágil, alimentação terapêutica e suplementar continua a fazer parte do tratamento básico de saúde. Programas comunitários temporários e clínicas móveis complementam essas atividades. Equipes de MSF também fornecem água para pessoas deslocadas nos acampamentos para deslocados internos nos arredores de Muhajariya. Atualmente, MSF oferece serviços básicos de saúde uma vez por semana nas cidades de Labado e Angabo, e está analisando e respondendo às necessidades de saúde em outros acampamentos.

Sileah é uma cidade controlada pelo governo no Suld e Darfur, com uma população de seis mil pessoas. MSF interveio quando 14 mil deslocados internos de Muhajariya e dos arredores procuraram refúgio na cidade em novembro de 2006. Lonas plásticas e cobertores foram distribuídos durante as novas chegadas. MSF oferece consultas, vacina crianças com entre seis meses e cinco anos de idade, monitora a desnutrição e está administrando um programa de alimentação. Além disso, MSF está dando apoio à distribuição de água e saneamento nos acampamentos.

Em Um Dukhun, no Oeste de Darfur próximo à fronteira com o Chade e com a República Centro-Africana, MSF oferece cirurgias de emergência, serviços básicos de saúde, tratamento pré e pós natal, serviços de laboratório, assim como tratamento para vítimas de violência sexual. Assistência alimentar terapêutica e complementar é oferecida durante picos de desnutrição. Em maio e junho de 2006, a equipe respondeu à necessidade de 12 mil novos chegados que atravessaram a fronteira do Chade devido aos conflitos e ataques a seus vilarejos. Programas são complementados por agentes comunitários e de referência.

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