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MSF no Oriente Médio e Norte da África

25/03/2011
MSF atua no norte da África e no Oriente Médio, enviando suprimentos médicos e apoiando hospitais e estruturas de saúde onde as equipes médicas enfrentam aumento no número de feridos

Desde que as agitações civis explodiram nos países do norte da África e no Oriente Médio, equipes de Médicos Sem Fronteiras (MSF) estão abastecendo e dando apoio a hospitais e instalações médicas onde o número de ferido aumenta cada vez mais. As equipes também estão atendendo pessoas que estão fugindo para os países vizinhos.

Líbia

Apesar de MSF continuar trabalhando incansavelmente na tentativa de entrar na Líbia para atender às necessidades médicas nas áreas onde os conflitos estão acontecendo, as equipes não estão conseguindo. Na semana passada, as equipes que estavam em Benghazi tiveram que sair do país porque os conflitos se aproximavam da cidade e as viagens para o leste da Líbia estavam cada vez mais perigosas. Nove membros de MSF estão em Alexandria, no Egito, prestando assistência médica emergencial na fronteira. Eles levaram materiais para curativos, kits médicos para tratar os feridos e instrumentos cirúrgicos. Eles também entregaram remédios, incluindo medicações para doenças crônicas como diabetes, hipertensão e cardiopatias, necessidades identificadas por médicos líbios. Até agora, mais de 33 toneladas de suprimentos foram doadas.

Uma enfermeira de MSF trabalhou uma noite no hospital em Ajdabya. Deu assistência ao tratamento de dez pessoas feridas e um parto de gêmeos.

Mas, hoje, a presença de MSF nas instalações médicas da Líbia não é mais possível. Tampouco é possível fazer avaliações. É muito difícil para MSF ter uma noção clara das necessidades no país.

Apesar dos contínuos esforços desde 23 de fevereiro, as equipes ainda não receberam autorização para cruzar a fronteira da Líbia com a Tunísia. Também no lado ocidental, MSF está abastecendo as instalações de saúde nas áreas afetadas pelos conflitos, com kits médicos e medicamentos. No dia 21 de março, um carregamento de dois kits cirúrgicos para 150 pessoas chegou a Misrata e foi entregue no hospital.

Pessoas que fogem do conflito

Na Tunísia, na fronteira com a Líbia, uma equipe de 25 membros de MSF cuida de pessoas que fugiram do conflito. Elas se estabeleceram na entrada de Ras Ajdir e no acampamento de trânsito de Choucha, sete quilômetros em direção ao interior do país. Seis mil pessoas estão abrigadas no acampamento à espera de reassentamento ou repatriamento. MSF oferece
apoio psicológico às pessoas que testemunharam ou foram submetidas a diferentes graus e tipos de violência e que agora se deparam com incertezas futuras. Apoio similar está sendo oferecido em Dehiba, a 150 quilômetros de Ras Ajdir. Nas três localidades, psicólogos de MSF oferecem consultas individuais ou em grupos. Até agora 4.062 pessoas foram beneficiaram. Um total de 501 pessoas, entre refugiados e migrantes já passaram por consultas individuais em uma das tendas de MSF. Os psicólogos já organizaram 323 sessões em grupos até agora.

As pessoas estão fugindo para o Níger também. Entre 11 e 15 de março, 1.309 pessoas chegaram em Dirkou. MSF oferece cuidados médicos quando eles chegam em Agadez.

Na ilha italiana de Lampedusa, uma equipe de MSF - composta por um médico, um enfermeiro, um especialista de logística e um mediador cultural – está avaliando as necessidades médicas de migrantes, e oferecendo tratamentos em colaboração com as autoridades locais. Nas últimas semanas, cerca de 5.400 imigrantes chegaram a Lampedusa. A maioria vinha da Tunísia e estava em bom estado de saúde. Mas as condições de vida são pobres; as pessoas chegam em estruturas superlotadas e com deficiências sanitárias. A equipe de MSF irá distribuir itens para auxiliar os migrantes no fim de semana.

Atividades em outros países do Oriente Médio onde a tensão está elevada

Desde o início dos protestos no Iêmen, em janeiro, MSF está seguindo de perto a evolução da situação no país. Em Sana’a, Aden e Ta’ezz, equipes de MSF estão em contato com as autoridades iemenitas e comitês médicos montados por protestantes. MSF doou materiais médicos e ofereceu treinamentos às equipes médicas de diferentes estruturas de saúde nestas três localidades. Até agora, os hospitais gerenciados pelo Ministério da Saúde, bem como os hospitais organizados pelos comitês de protestantes têm conseguido lidar com o aumento das necessidades e do fluxo de pacientes feridos. Equipes de MSF estão prontas para ampliar suas atividades, se uma avaliação neutra e imparcial das necessidades apontar que isso é necessário.

As atividades médicas regulares de MSF em diferentes áreas do país continuam. No norte, MSF presta assistência médica, incluindo cirurgias, para a população residente e para os deslocados na governadoria de Saada, e também nas vizinhas Haijah e Amran. No sul, MSF dá apoio ao hospital público no distrito de Radfan, para lidar com as necessidades recentes da população afetada pelos protestos na governadoria de Lahj. MSF também começou uma parceria com as autoridades de saúde iemenitas para melhorar o tratamento e reduzir o estigma da Aids/HIV na capital, Sana’a.

No Bahrein, MSF está em contato com um grande número de instalações médicas e pronta para dar apoio caso isso seja necessário. No começo do ano, uma equipe de avaliação de MSF entrou em contato com organizações médicas no país. A equipe visitou o hospital de Salmanya, na capital Manama, diversas vezes, e ofereceu auxílio.

MSF também está acompanhando a situação na Síria, onde os protestos começaram na cidade de Daraa há alguns dias. Desde 2009, MSF trabalha em Damasco com uma organização local para garantir apoio médico e psicológico gratuito para refugiados iraquianos não registrados, migrantes e moradores vulneráveis da cidade. Na Argélia, uma equipe exploratória de MSF fez contato com o Ministério da Saúde e com organizações não-governamentais no começo de março. O objetivo era avaliar as possibilidades de cooperação, caso a violência explodisse no país. Até agora, não houve necessidade de uma atuação de MSF.

Assistência prévia

Antes, durante os levantes populares na Tunísia e no Egito, MSF já dava suporte às estruturas médicas locais. Na Tunísia, em janeiro, MSF doou equipamentos médicos, incluindo materiais ortopédicos para hospitais em Kasserine e Sidi Bouzid, onde equipes médicas tiveram seus estoques completamente esgotados durante os protestos, e estavam precisando de suprimentos médicos para suprir as necessidades.

Durante os protestos na Praça Tahir, no Cairo, capital egípcia, MSF forneceu suprimentos a médicos do Egito em dois hospitais e em uma clínica improvisada em uma mesquita. A equipe também ofereceu treinamento sobre como gerenciar um grande número de feridos que chegam em um curto período de tempo,e  ajudou a organizar um sistema de preparação para emergências adicional.

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