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MSF lança parceria de saúde pública para combater a epidemia silenciosa de hepatite C em países de baixa e média renda

31/07/2021
Iniciativa funcionará na América Latina, Ásia, África e Europa Oriental, colaborando com “países campeões” que já estão revolucionando o tratamento da hepatite.
MSF lança parceria de saúde pública para combater a epidemia silenciosa de hepatite C em países de baixa e média renda

Foto: Todd Brown/MSF

Genebra, Paris, Nova York - 27 de julho de 2021 – Na semana marcada pelo Dia Mundial do Combate à Hepatite, lembrado em 28 de julho, Médicos Sem Fronteiras (MSF) anuncia que, em conjunto com a iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDi), a Fundação para Novos Diagnósticos Inovadores (FIND) e o Grupo de Ação de Tratamento (TAG), está unindo forças para enfrentar uma "silenciosa" injustiça na saúde pública: as disparidades contínuas no acesso a diagnósticos e tratamento para o vírus da hepatite C (VHC) em países de baixa e média renda (LMICs, sigla em inglês), onde estão 75% das pessoas que vivem com esta doença viral.
 
A Parceria de Hepatite C para Controle e Tratamento, ou Hepatites C PACT, promoverá um ambiente propício para teste e tratamento contra o VHC em países de baixa e média renda, implementando terapias totalmente orais, ampliando os testes nas comunidades para encontrar as milhões de pessoas não diagnosticadas e indicando os desafios financeiros internos que impedem o lançamento de programas nacionais. O projeto também abordará as barreiras de patentes e de acesso que impossibilitam o alcance das metas da Organização Mundial da Saúde (OMS) para controlar a hepatite C até 2030.
 
Por meio de sua experiência acumulada e independência, a nova parceria construirá colaborações com países, grupos comunitários e da sociedade civil. Ela também desenvolverá evidências para apoiar programas de teste e tratamento, ao mesmo tempo em que abordará os obstáculos de financiamento para as atividades contra o vírus da hepatite C.

Abordagens bem-sucedidas

Nossas organizações já têm um histórico de sucesso no apoio a programas de teste e tratamento em "países campeões", como Camboja, Índia e Malásia. O Hepatite C PACT fará o melhor uso da capacidade estratégica dos países para aumentar o acesso aos cuidados para VHC em todo o mundo.
 
“Na Malásia, temos uma parceria colaborativa entre o governo, organizações não governamentais e a sociedade civil para alcançar as 400 mil pessoas que vivem com hepatite C em nosso país. Mostramos que podemos fazer a diferença com financiamento sustentado, implementando testes diagnósticos mais simples e garantindo acesso aos melhores preços para tratamentos”, disse o dr. Noor Hisham Abdullah, diretor-geral de saúde do Ministério da Saúde da Malásia. “Investir em abordagens de parceria de saúde pública, como no caso da hepatite C, salva a vida das pessoas, economiza gastos nos orçamentos nacionais, se mostra eficaz em termos de custos e demonstra retornos significativos sobre o investimento”.
 
O vírus da hepatite C pode acarretar doenças hepáticas crônicas, cirrose, câncer e até mesmo morte. Das 58 milhões de pessoas com o vírus da hepatite C, cerca de 9,4 milhões foram efetivamente curadas. Doze países de baixa e média renda representam metade dos casos de tratamento. Sendo um país, o Egito, tratando cerca de 4,4 milhões de pessoas.

Parceria será focada em quatro pontos-chave
 
O Hepatite C PACT abordará quatro áreas principais responsáveis por uma taxa tão baixa de acesso a testes e tratamento - concentrando-se em aumentar o acesso aos testes de reação em cadeia da polimerase (PCR) e medicamentos de nova geração para hepatite C, chamados antivirais de ação direta (DAAs, sigla em inglês). Os tratamentos com DAA podem curar pacientes em dois a seis meses, mas as versões não genéricas têm um preço extremamente alto.
 
Veja quais serão os focos da parceria:

 
1. Aumento da conscientização entre os tomadores de decisão: não há conhecimento suficiente sobre o controle de VHC entre os formuladores de políticas e outros líderes. A parceria irá gerar evidências importantes sobre o diagnóstico da hepatite C e a ligação com os cuidados necessários, incluindo saúde sexual e ambientes de redução de danos. Além disso, fará pressão por mudanças nas políticas, aumentará a conscientização de que a doença pode ser controlada e fornecerá educação à comunidade.
 
2. Desenvolvimento de mecanismos de financiamento para estratégias de hepatite viral: atualmente, não há incentivos financeiros nacionais e globais suficientes para o controle do VHC. Um novo grupo de trabalho composto por representantes de mais de doze agências identificará e projetará mecanismos de financiamento sustentáveis para DAAs e diagnósticos, apoiando e incentivando recursos globais e locais em países prioritários.
 
3. Apoiar o diagnóstico simplificado de hepatite viral: há uma necessidade de facilitação do diagnóstico da infecção de hepatite C crônica. O desenvolvimento de ferramentas de diagnóstico simples e acessíveis será priorizado, permitindo a descentralização das estratégias de teste em massa.
 
4. Apoiar o acesso a tratamentos simples e acessíveis de DAA para VHC em LMICs com altos índices da doença: apesar das reduções, os preços de DAA são geralmente muito altos para suportar o aumento no número de tratamentos. A parceria vai melhorar o acesso aos DAAs aprovados pela OMS, usando uma abordagem bem-sucedida de parceria público-privada, que foi implantada recentemente na Malásia para a aprovação do ravidasvir, um novo DAA.
 
O Hepatite C PACT está sendo lançado com financiamento da Iniciativa de Capacidade de Investimento Transformacional de MSF, com o objetivo de aumentar o acesso ao tratamento para pacientes com VHC em LMICs.

“MSF tem trabalhado com o Ministério da Saúde do Camboja desde 2016 para permitir o acesso ao tratamento, simplificar os cuidados com a hepatite C e integrar este modelo nos serviços de saúde de rotina. Demonstramos, por meio de nossa colaboração com o Departamento de Controle de Doenças Transmissíveis do Camboja e de relatórios revisados por pares, que esse modelo de atenção à hepatite C permite um avanço rápido, ao mesmo tempo em que mantém uma alta qualidade de atendimento. Doenças transmissíveis como a causada pelo VHC podem ser controladas por meio de programas de resposta administrados pelo governo”, disse Mickaël Le Paih, coordenador-geral de MSF no Camboja.

Tratamento contra hepatite C simplificado e descentralizado obtém eficácia em Camboja e pode ser aplicado em demais países

Em Camboja, a epidemiologia mostrou que os cuidados simplificados e descentralizados da hepatite C podem ser integrados aos serviços de saúde públicos e rurais em locais com recursos limitados, enquanto mantém altas taxas de acompanhamento de pacientes, eficácia e segurança do tratamento. Paralelamente a um estudo de soroprevalência do vírus da hepatite C, MSF e o Epicentre (o centro de pesquisa e vigilância epidemiológica da organização), no Camboja, aplicaram um novo modelo que obteve sucesso no país.

“Esse modelo se baseia no uso de testes de diagnóstico rápido, menos visitas de acompanhamento e testes biológicos, além da transferência de muitas tarefas clínicas de médicos para enfermeiras e farmacêuticos”, disse Le Paih.

A abordagem, que nunca havia sido usada em outro lugar, foi avaliada por Meiwen Zhang, epidemiologista do Epicentre, para determinar sua eficácia. Dos 540 pacientes com VHC acompanhados entre março de 2018 e janeiro de 2019, 98,7% receberam uma consulta médica inicial. Destes, 530 iniciaram o tratamento com DAAs em um centro de saúde. Um total de 466 pacientes completaram a terapia, com uma carga viral suficientemente baixa em 98,5% das pessoas que foram consideradas curadas.

"Estamos confiantes de que este modelo pode ser replicado em outros ambientes com recursos limitados para melhorar o acesso ao atendimento para pessoas com VHC. Seu modelo deve ajudar a reduzir as barreiras de atendimento para os estimados 58 milhões de pessoas vivendo com VHC em todo o mundo e, assim, contribuir para reduzir o impacto da hepatite C ", diz Le Paih.

 

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