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MSF enfrenta logística complexa para combate ao 11º surto de Ebola na RDC

11/09/2020
Resposta a novo surto tem abordagens descentralizadas e com foco nas comunidades
MSF enfrenta logística complexa para combate ao 11º surto de Ebola na RDC

Foto: Franck Ngonga/ MSF

Em 1º de junho de 2020, um novo surto de Ebola foi declarado na província de Équateur, no oeste da República Democrática do Congo (RDC), a 11ª epidemia registrada no país.

Declarado enquanto a RDC ainda lutava contra a décima epidemia de Ebola no nordeste do país, e em meio à pandemia de COVID-19, este novo surto de Ebola já se espalhou por 11 zonas de saúde na província, em uma região muito difícil de alcançar, onde alguns vilarejos são acessíveis apenas por rio.

Embora a resposta a esta nova epidemia de Ebola não enfrente os desafios de segurança que afetaram a resposta ao décimo surto entre agosto de 2018 e junho de 2020, chegar à região apresenta desafios logísticos significativos.

A província de Équateur tem quatro vezes o tamanho da Bélgica, com algumas áreas de saúde acessíveis apenas por rio, usando canoas ou após horas de difícil transporte por estradas irregulares na floresta. Apenas um helicóptero está disponível para as organizações humanitárias se movimentarem pela região.

“Para responder às intervenções médicas de urgência, a equipe de Emergência de MSF mantém pré-posicionados veículos, motocicletas ou motores de popa para serem instalados em barcos ou canoas”, diz Mathias Dembo, coordenador de logística de MSF. “Utilizamos de acordo com as dificuldades das áreas. E na província de Equateur, os desafios são enormes! Para chegar à zona sanitária de Bolomba, por exemplo, tínhamos que subir o rio Likelemba com todo o equipamento e a nossa equipe em canoas.”

Ficar o mais próximo possível dos pontos de acesso

Após a declaração da 11ª epidemia de Ebola na RDC, MSF enviou equipes para as zonas de saúde de Bolomba, Bikoro, Monieka, Ingende e Lotombe para conter a propagação da doença, apoiar a vigilância da comunidade e fornecer tratamento rápido aos pacientes que vivem em condições difíceis.

“A epidemia está se movendo com as pessoas por terra e rio, para áreas remotas em uma província onde a infraestrutura é escassa e os vilarejos distantes uns dos outros”, afirma Maria Mashako, coordenadora médica de MSF. “É por isso que estamos estabelecendo uma resposta descentralizada e implantando nossas equipes nas áreas de saúde mais remotas e afetadas, com pequenas estruturas facilmente acessíveis às comunidades.”

Desde 1º de setembro de 2020, as equipes de MSF estão apoiando nove centros de tratamento e isolamento em cinco zonas de saúde para fornecer atendimento o mais próximo possível dos pontos ativos da doença.

Na zona sanitária de Bolomba, para além do apoio prestado ao centro de tratamento de Ebola do hospital geral, instalamos dois pequenos centros de tratamento e isolamento nas zonas sanitárias remotas de Boso Mondomba e Yuli. A mesma abordagem descentralizada foi adotada nas zonas de saúde de Monieka e Bikoro, onde MSF está apoiando quatro pequenas estruturas de cuidado e isolamento em áreas de saúde de difícil acesso.

“Não nos limitamos a apoiar apenas a resposta à epidemia de Ebola”, informa Mashako. “Também estamos apoiando os postos de saúde de Bolomba e Bikoro, para garantir a continuidade dos serviços de atenção primária, e permitir a detecção precoce de casos suspeitos. Isso é feito, por exemplo, doando medicamentos, treinando pessoal médico local sobre o Ebola ou fortalecendo as medidas de prevenção e controle de infecções”.

O envolvimento da comunidade é fundamental

Poucas informações estão circulando sobre o Ebola na província, e a epidemia está afetando algumas zonas de saúde pela primeira vez. É por isso que nossas equipes de promoção de saúde estão apoiando as do Ministério da Saúde para fortalecer a conscientização e a vigilância com base na comunidade. Em Bolomba, Bikoro e Monieka, esta é uma das principais atividades realizadas por MSF.

“Minha filha morreu de Ebola. Dois dias depois, também fui hospitalizado”, disse Samwengi Bokuma. “Tive mais sorte, sobrevivi. Para evitar mais mortes aqui, me juntei à equipe de apoio de MSF para compartilhar minha história com a comunidade. Para explicar a eles quais são os sintomas da doença.”

“Essa abordagem baseada nas pessoas permite que as comunidades detectem casos suspeitos e emitam alertas rapidamente”, explica Mashako. “Isso leva a uma apropriação da resposta à epidemia pelas próprias comunidades.”

Essas abordagens descentralizadas e baseadas na comunidade para responder ao surto também são complementadas por um programa de vacinação apoiado por outros parceiros. Desde o início da vacinação, em 5 de junho de 2020, a vacina (ZEBOV-GP, já utilizada nas províncias do nordeste durante a décima epidemia) foi administrada para cerca de 26,5 mil pessoas, segundo dados oficiais.

Até 2 de setembro, um total de 110 casos de Ebola foram registrados na província de Equateur - 104 confirmados, 6 prováveis - com 47 mortes. A província de Équateur viveu a última epidemia de Ebola há dois anos, entre maio e julho de 2018. As zonas de saúde de Bikoro e Iboko, bem como a cidade de Mbandaka, foram o epicentro do nono surto de Ebola na RDC.

 

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