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MSF denuncia o ataque a civis na Rep. Centro-Africana

13/09/2013
Equipes tratam 26 pacientes com ferimentos causados por machetes e tiros em Bouca

A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) denuncia o ataque à população civil em nova onda de violência em Bouca, 325 km ao norte de Bangui, capital da República Centro-Africana (RCA). MSF tratou 26 pessoas feridas ou por golpes de machete ou por armas de fogo, incluindo oito mulheres e seis crianças. Esta nova onda de violência, nas regiões de Bouca e Bossangoa, tem causado ainda mais sofrimento aos civis que já enfrentam meses de conflito e tiveram de deixar suas casas repetidas vezes. O número de pacientes admitidos em instalações de saúde devido a ferimentos relacionados à violência aumentou nos últimos meses nos projetos de MSF em Bossangoa, Batangafo e Paoua.
 
Em Bouca, os confrontos tiveram início quando, às seis da manhã de uma segunda-feira, homens armados, assumidamente apoiadores do presidente deposto François Bozizé, entraram no vilarejo. Eles deixaram a área após o retorno de um grupo das forças do Seleka. 26 pessoas feridas foram tratadas por equipes de MSF e cinco outras tiveram de ser transferidas para o hospital em Batangafo devido a seu estado crítico. MSF está profundamente preocupada com a segurança da população civil e com as atrocidades cometidas por ambas as partes envolvidas nos confrontos em Bouca – um número indeterminado de pessoas mortas, execuções sumárias, casas incendiadas, etc. A organização médica está também extremamente preocupada com as consequências do uso da retórica sectária, que teve início durante a rebelião do Seleka, em março, que pode alimentar ainda mais a violência no país.
 
“Estamos muito preocupados com uma intensificação ainda maior do conflito e atos violentos de retaliação”, afirma Sylvain Groulx, coordenador dos projetos de MSF na RCA.
 
Moradores de Bouca fugiram do vilarejo porque muitas casas foram incendiadas e cerca de 300 pessoas estão buscando refúgio em um complexo católico na cidade. MSF está planejando operar clínicas móveis para monitorar a situação daqueles que estão na região e dos que fugiram para o meio da mata. No momento, mais famílias estão sendo obrigadas a deixar suas casas e adentrar a floresta durante o período em que são mais vulneráveis à malária.
 
Na cidade de Bossangoa, próximo dali, equipes de MSF estão alarmadas com o fato de terem recebido mais de 25 casos individuais de vítimas de machete e armas de fogo nas últimas duas semanas. A escalada repentina da violência sectária intensificou a atmosfera de medo nas comunidades, com milhares de pessoas deixando a cidade em busca de abrigo. A organização também está preocupada com os reportes de ataques contra agentes de saúde e condena veementemente o assassinato insensato de dois agentes humanitários da ACTED no último sábado, em Bossangoa.
 
“MSF denuncia esses terríveis atos de violência contra a população e pede que todos os envolvidos no conflito respeitem a integridade dos não combatentes e dos agentes médicos e humanitários”, ressalta Sylvain Groulx.
 
Por ora, MSF mantém suas atividades médicas por todo o país, tanto as iniciadas antes do golpe de Estado de março quanto as que foram estabelecidas recentemente para responder às necessidades agudas da população afetada pelo deslocamento, pelos altos níveis de malária e pelo colapso e ausência do sistema público de saúde no país. MSF está operando sete projetos regulares na RCA, tendo iniciado operações de emergência, recentemente, em mais quatro localidades.

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