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MSF dá assistência a refugiados e migrantes venezuelanos em Roraima

12/07/2019
Médicos Sem Fronteiras trabalha dentro e fora dos abrigos para reforçar estrutura de saúde local
MSF dá assistência a refugiados e migrantes venezuelanos em Roraima

Victoria Servilhano/MSF

Desde 2017 o fluxo de refugiados e migrantes venezuelanos que chegam ao Brasil se intensificou em consequência da grave crise econômica e social vivida por seu país.  Atualmente cerca de 600 venezuelanos ingressam oficialmente todos os dias em território brasileiro em busca de melhores condições de vida. A principal porta de entrada dos migrantes e refugiados tem sido a fronteira com o estado de Roraima, no norte do país.

Considerando as vulnerabilidades e necessidades dos refugiados e somando esforços à resposta que envolve diversos atores nacionais e internacionais, profissionais de Médicos Sem Fronteiras (MSF) estão atuando em várias frentes: com a população que vive em abrigos são realizados atendimentos de saúde mental e ações de promoção de saúde e de engajamento comunitário. Fora dos abrigos, equipes de MSF passaram a oferecer consultas médicas para assistir pessoas em situação de maior vulnerabilidade, dormindo na rua ou em imóveis abandonados, em condições extremamente precárias.

MSF trabalha em Roraima com uma equipe de cerca de 30 pessoas, incluindo médicos, enfermeiros, psicólogos, promotores de saúde, especialistas em logística, água e saneamento e assistência social. A organização atua em 4 dos 13 abrigos oficiais de Roraima, sendo que duas das instalações alojam exclusivamente venezuelanos de origem indígena.

As atividades do projeto se iniciaram em novembro de 2018. Em junho de 2019, MSF ampliou sua atuação, colaborando com um reforço bem-vindo na capacidade de atendimento em duas unidades de saúde da prefeitura. Localizadas nos bairros 13 de Setembro e São Vicente, elas ficam próximas a áreas com grande concentração de refugiados e migrantes. Nos locais são realizadas consultas de saúde primária, para venezuelanos e brasileiros, e MSF também está colaborando com doações de suprimentos médicos.

“MSF tem desenvolvido atividades de promoção de saúde, assistência médica e psicológica e ações que melhorem as condições de água e saneamento, dando a melhor contribuição possível na assistência aos refugiados e migrantes, colaborando também para reforçar o sistema de saúde local , que está sobrecarregado e com recursos insuficientes. A situação é problemática tanto para venezuelanos quanto para brasileiros”, disse Lucia Brum, coordenadora médica de MSF. 

A presença de MSF em Roraima está em sintonia com a atuação da organização em questões médicas ligadas à migração, que é um dos focos de nosso trabalho em todo o mundo. Especificamente em resposta à crise venezuelana, foram estruturados projetos de atendimento a refugiados e migrantes na Colômbia, país que até o início deste ano já havia recebido mais de 1,1 milhão de pessoas. MSF também atua na própria Venezuela, com atendimento focado no combate à malária, em vítimas de violência e no fornecimento de suprimentos a instalações médicas.

Desde o início de nosso trabalho em Boa Vista, mais de 7 mil pessoas participaram de atividades de promoção de saúde e cerca de 900 pessoas receberam assistência de saúde mental. “Os refugiados enfrentam o desafio de reconstruir suas vidas após jornadas difíceis e imensas perdas emocionais e materiais”, disse Natalia Huerta , psicóloga de MSF. As ações de saúde mental estão sendo implementadas em coordenação com entidades locais, como a prefeitura e a Universidade Federal de Roraima, que está dando apoio no encaminhamento de pacientes psiquiátricos.

O trabalho de promoção de saúde apoia os componentes médico e de saúde mental do projeto, buscando engajar a população de maneira ativa em atividades educativas e terapêuticas. Além disso, a equipe de promotores representa a linha de frente do projeto no contato diário com os refugiados e migrantes, reportando suas necessidades e contribuindo para o redirecionamento das atividades de saúde sempre que pertinente. “Neste contexto, ninguém é capaz de entender as necessidades destas pessoas melhor do que elas mesmas. O que a gente faz é ouvi-las e, a partir daí, estruturar nossas atividades”, diz Lia Gomes, gestora de promoção de saúde e engajamento comunitário.

Para MSF, a maior preocupação no momento é a população em situação de rua e vivendo em moradias precárias, que aumenta diariamente. “É preciso ampliar a resposta para acolher essas pessoas, expostas a graves riscos à sua saúde física e mental”, afirma Brum. “No pouco tempo em que estamos atendendo em centros de saúde, já notamos a prevalência de doenças respiratórias, o que tem relação com o fato de que estamos em meio a estação chuvosa”, diz.

 

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