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MSF corre contra o tempo para prestar assistência aos refugiados sul-sudaneses na Etiópia

27/03/2014
Influxo de recém-chegados é de cerca de 1 mil pessoas por dia

Por diversas semanas, a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) tem prestado assistência aos refugiados sul-sudaneses que chegam na Etiópia após terem fugido da violência e da perseguição em seu país.

Desde meados de dezembro, estima-se que mais de 75 mil refugiados tenham chegado à região de Gambella, após intensos confrontos nos estados do Alto Nilo, Jonglei e Unity, no Sudão do Sul. O influxo de refugiados, que vêm de várias regiões incluindo Akobo, Juba, Bor, Malakal e Nasir, tem sido de mais de 1 mil pessoas por dia. São, em sua maioria, mulheres e crianças que estão, geralmente, com a saúde prejudicada, algumas tendo andado por até três semanas.

Rapidamente, MSF ampliou a assistência prestada aos refugiados em parceria com o Departamento de Assuntos relacionados a Refugiados e Repatriados em ambos os pontos de entrada da Etiópia e nos novos campos de refugiados. A organização também estruturou instalações para consultas externas em Tiergol, Pagak e Letchuor, e departamentos de internação em Letchuor e Itang, realizando quase 2 mil consultas por semana e ampliando a capacidade de internação para 30 leitos.
 
“Estamos correndo para oferecer cuidados de saúde vitais aos refugiados”, conta Antoine Foucher, coordenador-geral de MSF na Etiópia. “Estamos extremamente preocupados com as condições precárias e a falta de acesso à água limpa, saneamento e alimentos logo que os refugiados chegam à Etiópia.”
 
As principais patologias que as equipes de MSF estão tratando, como infecções do trato respiratório ou diarreia, estão, em sua maioria, relacionadas às péssimas condições de vida. No entanto, a malária já corresponde a mais de 50% dos casos, mesmo antes do início da estação das chuvas. Um surto de sarampo também foi recentemente declarado pelas autoridades e MSF internou dezenas de crianças em seu hospital. Apesar de as autoridades e os agentes humanitários terem acelerado a transferência de refugiados para os acampamentos recentemente estruturados de Letchure e Tirkidi, ainda há lacunas essenciais na provisão de água limpa e acesso a saneamento.
 
“MSF está comprometida com a provisão de cuidados médicos e assistência à população de refugiados em rápido crescimento em Gambella”, diz Antoine, “mas estamos extremamente preocupados com as condições de vida dessas pessoas, principalmente com a iminência da estação chuvosa, que traz o risco de inundações.”
 
MSF atua na Etiópia desde 1984 e atualmente administra projetos em Amhara, Benishangul, Gambella, Oromia, SNNPR e na região somali.

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