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MSF contribui no combate à malária na Venezuela e apoia infraestruturas de saúde de Sucre

26/06/2020
O estado, no nordeste do país, tem um dos maiores índices de malária da Venezuela
MSF contribui no combate à malária na Venezuela e apoia infraestruturas de saúde de Sucre

Foto: Maria Fernada Pérez Rincones/MSF

Na cidade rural de San Vicente, no estado de Sucre, Santana Márquez vai a um posto de saúde local. Dois dias atrás, ele começou a ter febre, dores de cabeça e sentir calafrios e cansaço no corpo. Márquez já tem experiência com esses sintomas: teve malária quatro vezes e está convencido de que contraiu a doença novamente.

Aos 60 anos, Márquez passou toda sua vida na comunidade agrícola de San Vicente e se dedica ao plantio de inhame-coco, banana e cacau. Na casa simples em que mora, sua principal preocupação é como conseguir levar o pão diário para sua mesa. Chega a pé ao centro médico local, onde o examinam e fazem um teste rápido de malária: com uma simples picada no lóbulo da orelha, é possível obter os resultados em alguns minutos.

Três pilares do tratamento e da prevenção da malária

Sucre é um dos estados com maior incidência de malária na Venezuela. O clima e a vegetação tornam a área perfeita para a proliferação do mosquito-prego, transmissor da doença. Só em 2019, MSF apoiou a realização de mais de 20 mil exames diagnósticos na região, dos quais mais de 12 mil foram positivos. MSF está presente no local desde o ano passado para trabalhar em parceria com o Programa de Malária da Secretaria Regional de Saúde Ambiental numa estratégia para a redução e o controle da doença.

Em unidades de saúde de cinco municípios de Sucre, MSF trabalha com três pilares fundamentais: diagnóstico e tratamento precoces; fortalecimento das atividades de vigilância epidemiológica e de controle de vetores; e promoção de saúde. Postos de saúde em San Vicente, Agua Clarita, Guaca, Putucual, Caño Ajíes e Coicual e o Hospital Yaguaraparo têm apoio de MSF para dar uma resposta rápida contra a malária aos pacientes. Além de testes rápidos, do tratamento contra a malária e de telas mosquiteiras para distribuição junto à população, os estabelecimentos também recebem medicamentos e equipamentos básicos (como esfigmomanômetros e termômetros) para garantir tratamento urgente de outras doenças com prevalência na região e suprimentos específicos para programas de saúde sexual e reprodutiva. MSF também dá suporte no treinamento de pessoal médico e não médico sobre a prevenção e o controle de infecções.

Prevenção de infecções

Como já suspeitava, Márquez testou positivo no exame rápido. É a quinta vez que ele contrai malária na vida. Onde vive, é muito comum ter a doença várias vezes. Ao informar o diagnóstico, um promotor de saúde explica tudo o que o homem deve fazer enquanto se recupera e esclarece mitos e verdades sobre a malária, uma vez que há muitas crenças populares a respeito da doença. Ele também recebe orientações sobre as medidas de prevenção que pode adotar em casa no dia a dia. Na sequência, ele é atendido por uma equipe médica que, após exames detalhados, dá o tratamento completo. Se seguir todas as instruções, logo Márquez estará recuperado.

"O impacto das atividades de apoio médico nos centros que recebem o suporte de MSF tem sido decisivo para o controle da malária no estado, porque observamos uma redução significativa de casos e de sua gravidade, o que também se justifica por uma adesão mais abrangente ao tratamento e às medidas preventivas", explica Ana Teresa Afonso, médica de referência do projeto de MSF na região.

Tratamento durante a gravidez

A equipe de MSF também se dedica a definir medidas preventivas como estratégia de promoção da saúde junto à população. Em uma pequena sala do posto da comunidade de Guaca, no litoral de Sucre, um grupo de mulheres jovens conversa sobre suas preocupações com a gravidez. A maioria está preocupada em como ter acesso a um bom serviço de saúde para acompanhar a gestação e dar à luz seus bebês. Também discutem como podem prevenir o contágio da malária, bastante comum em seus ambientes familiares. Elas recebem orientações práticas e telas mosquiteiras para se proteger à noite.

Muitas dessas mulheres que recorrem aos postos de saúde em Sucre têm dificuldades para se deslocar e comparecer às consultas. Várias esperam que o parto ocorra na Maternidade Candelaria García de Carúpano, onde MSF também realiza um importante trabalho de prevenção e controle de infecções hospitalares, com a doação de material de limpeza e desinfecção e capacitação de profissionais médicos e não médicos, inclusive em meio à pandemia do novo coronavírus. Além disso, MSF também faz um trabalho de reabilitação da infraestrutura, para garantir padrões mínimos de fornecimento de água, saneamento, gestão de resíduos e atendimento humanizado para futuras mães e recém-nascidos. Essa iniciativa reformou todos os banheiros do hospital, melhorou e deu manutenção ao sistema de ar condicionado -inclusive nas salas de parto-, o teto foi impermeabilizado e o local recebeu a doação de colchões hospitalares.

"As ações ligadas às questões de água, saneamento e esgoto fazem parte de uma ampla frente de apoio a todos os ambulatórios regionais em que MSF atua no estado, mesmo para o Hospital Santos Aníbal Dominicci de Carúpano e o Hospital Universitário Antonio Patricio de Alcalá de Cumaná, os dois maiores centros de saúde de Sucre", explica Marco Puzzolo, coordenador dos projetos de MSF na região.

Dando seguimento à frente de apoio a mulheres grávidas, MSF está reabilitando uma estrutura vizinha à maternidade, que será chamada de "Abrigo Materno" e será usada para receber, de forma temporária, mães ou cuidadoras de lugares distantes e sem recursos enquanto seus filhos permanecem hospitalizados na área neonatal.

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