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MSF comenta acordos assinados pela GSK e Pfizer para fornecimento vacinas de pneumococo

05/04/2010
Acordo foi assinado no âmbito do compromisso de mercado antecipado da Aliança Global de Vacinas e Imunização (GAVI)

Atraso significativo para responder a uma necessidade urgente: A primeira versão da vacina conjugada de pneumococo (PVC em inglês) chegou ao mercado no ano 2000. No entanto, com exceção de pouquíssimos países que se beneficiaram de doações da indústria, levou mais de uma década para a PVC chegar às crianças que mais precisam. Desde o primeiro anúncio feito na reunião do G8 em 2006, uma série de outros anúncios públicos de um compromisso antecipado de mercado (AMC, na sigla em inglês) foram feitos. Assim, esperamos que as vacinas de pneumococo possam finalmente chegar este ano ao alcance das crianças presentes nos países em desenvolvimento.

O preço ainda é a principal ameaça aos comprometimentos da GAVI: Ainda existe um longo caminho a ser percorrido para tornar esta vacina mais barata. Com o custo de US$21 por criança (cerca de R$37,50, com três doses de R$12,50), os doadores e a GAVI estão pagando mais caro pelas vacinas do que o preço atualmente encontrado em países em desenvolvimento.

Além disto, para países que não se encaixam na categoria dos países mais pobres apoiados pelo GAVI, e que portanto estariam fora do AMC, como muitos na América Latina, a vacina será ainda mais cara e possivelmente inacessível.

Até 2015, a GAVI pretende gastar US$2,4 bilhões (cerca de R$4,3 bilhões) na vacina de pneumococo, dos quais US$920 milhões (cerca de R$1,6 bilhão) viriam do AMC, e US$1,48 bilhão (cerca de R$2,6 bilhões) viriam dos próprios fundos da GAVI. Não é de se surpreender que a GAVI, que se comprometeu com este fornecimento e o de outras novas vacinas, esteja hoje enfrentando uma crise de financiamento.

Independente deste anúncio, a produção se mantém limitada: Com a assinatura dos acordos entre a GSK e a Pfizer, novas vacinas de pneumococo poderão ser disponibilizadas nos países em desenvolvimento.

Mas a capacidade limitada de produção se traduz em um número limitado de vacinas para esse ano, que não atenderá às necessidades. A estimativa mais recente da GAVI da demanda por vacinas de pneumococo demonstra que 19 milhões de doses serão necessárias para 2010, enquanto a GSK está propondo fornecer cerca de 1 milhão este ano, e a Pfizer ainda não declarou a quantidade que irá fornecer. Além disto, a vacina da Pfizer não poderá fazer parte do AMC até que seja pré-qualificada pela OMS.

O acesso depende do registro: Até agora, a vacina da GSK só está registrada em um país africano (Quênia). Por isso, urgimos que a GSK rapidamente registre sua vacina em todos os países em desenvolvimento.  

A adequação da vacina é uma questão importante para os países em desenvolvimento: Infelizmente, a GSK está oferecendo a vacina somente em duas doses para os países em desenvolvimento, por mais que a versão em dose única exista, seja mais prática e segura em países com poucos recursos.

Olhando para o futuro: Os benefícios e riscos do mecanismo de AMC como uma maneira de fornecimento de novas vacinas, devem ser analisados antes que AMCs mais ambiciosos sejam considerados (especialmente acordos que busquem pagar por inovações e não só a construção de capacidade de produção).