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MSF começa a trabalhar com solicitantes de asilo na Suécia

28/09/2016
Projeto foi inaugurado em Götene após uma avaliação de necessidades no país sueco
MSF começa a trabalhar com solicitantes de asilo na Suécia

Foto: Karin Ekholm/MSF

A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) começou a prestar apoio a solicitantes de asilo em Götene, na Suécia, com atividades psicossociais e de saúde mental na última segunda-feira, 19 de setembro. O projeto foi criado depois de uma avaliação de necessidades na Suécia e usa um modelo de assistência inovador e atento a diferenças culturais que prioriza a intervenção antecipada. Trabalhando com uma rede de voluntários, o projeto procura destacar a importância de serviços de saúde mental para solicitantes de asilo no país, e testa o modelo de cuidados mentais de MSF na Europa.

Uma reação normal para uma situação anormal
 Muitos solicitantes de asilo na Suécia enfrentam problemas de saúde mental simplesmente por terem sofrido muito. Em muitos casos, eles viveram em estado permanente de medo por meses ou anos antes de conseguirem alguma segurança, enfrentaram episódios indescritíveis de violência, perderam membros da família, arriscaram suas vidas no mar e se depararam com uma recepção indigna na Europa”, disse Jenny Gustafsson, coordenadora de projeto de MSF em Götene. “Os sintomas que eles apresentam são reações completamente normais às situações anormais que eles viveram, mas há lacunas muito visíveis nos serviços de saúde mental oferecidos a eles na Suécia. Nós de  MSF temos a experiência e os recursos necessários para oferecer a eles o cuidado de que precisam, então decidimos nos juntar a grupos da sociedade civil sueca, à prefeitura local e às autoridades de saúde para contribuir.”

MSF está cada vez mais especializada em cuidados de saúde mental, e em 2015 ofereceu apoio psicológico a mais de 220 mil pacientes no mundo inteiro, incluindo em muitos dos países em que os solicitantes de asilo passaram durante sua jornada na Europa, antes de chegar à Suécia. As necessidades de saúde mental entre os solicitantes de asilo são maiores do que na população geral, em grande parte devido ao trauma e às incertezas que experimentaram, mas isso é controlável com os cuidados certos.

Cuidados sensíveis a diferenças culturais e temporais
Com 163 mil homens, mulheres e crianças fugindo para a Suécia no ano passado, o país é hoje um dos principais destinos de solicitantes de asilo na Europa e tem enfrentado dificuldades para atender às necessidades de saúde mental dos recém-chegados. Um dos maiores objetivos do projeto de MSF em Götene é demonstrar que há maneiras de oferecer cuidados de saúde mental a solicitantes de asilo, incluindo grupos vulneráveis como menores desacompanhados, que não sobrecarregam o sistema de saúde local nem levam a longos períodos de espera por cuidados especializados.

O modelo de cuidados de MSF na Suécia é focado em intervenções antecipadas, o que inclui sessões de aconselhamento individual ou em grupo e já se mostrou um sucesso em outros países. A equipe de Götene, formada por conselheiros e mediadores culturais (que falam os idiomas e entendem as culturas dos países de onde os solicitantes de asilo fugiram), vão complementar suas atividades psicossociais construindo uma rede de voluntários para auxiliar os solicitantes de asilo a terem acesso a outros serviços e, dessa forma, se sentirem mais à vontade na comunidade local. A equipe será conduzida por um psicólogo, que terá a função de avaliar as pessoas que precisam de cuidados mais específicos e encaminhá-las a serviços locais de saúde mental.

“MSF trabalha com refugiados e outros migrantes no mundo inteiro e nós vemos a verdadeira diferença que a intervenção antecipada e os primeiros socorros psicológicos podem fazer na vida dessas pessoas que passam por desafios tão grandes. Nossas equipes darão aos solicitantes de asilo as ferramentas de que eles precisam para lidar com suas experiências e ajudá-los a seguir em frente com suas vidas aqui na Suécia”, finaliza Gustafsson.
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O projeto de MSF em Götene será mantido até abril em colaboração com as autoridades locais de saúde e a Agência Sueca de Migração.
MSF atualmente trabalha com solicitantes de asilo, refugiados e outros migrantes na Itália, Grécia, Sérvia e França, e tem equipes a bordo de três navios de resgate no Mar Mediterrâneo. As equipes de MSF continuarão avaliando as necessidades mentais e físicas dos recém-chegados na Europa, fazendo intervenções quando necessário.

 

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